Inadimplência bate recorde e atinge 9,1 milhões de empresas no Brasil
Dados da Serasa Experian apontam que os CNPJs inadimplentes acumulavam R$ 232,9 bilhões em dívidas em junho de 2026, alta de 16,7% em um ano; micro e pequenas empresas concentram 8,6 milhões dos casos, enquanto SP, MG, RJ, PR e RS lideram em número de empresas negativadas.
Publicado em 18/08/2026 06h00 - Atualizado há 22 horas - 2 min de leitura
A inadimplência empresarial atingiu um novo recorde no Brasil. Em junho de 2026, mais de 9,1 milhões de CNPJs estavam com contas em atraso, somando R$ 232,9 bilhões em dívidas, segundo levantamento da Serasa Experian.
O número de empresas inadimplentes cresceu 16,67% na comparação com junho de 2025 e é o maior desde o início da série histórica, em 2016. Ao todo, foram registradas 66,2 milhões de dívidas em atraso no mês, quase 10 milhões a mais do que um ano antes.
Em média, cada empresa inadimplente possuía 7,3 contas vencidas em junho. A dívida média por CNPJ chegou a R$ 25.508,96, enquanto o valor médio de cada pendência ficou em R$ 3.515,77.
Na comparação com maio, o volume de dívidas também avançou em quase 1 milhão de registros. As micro e pequenas empresas representam a maior parcela dos CNPJs negativados.
Em junho, 8,6 milhões de micro e pequenas empresas estavam inadimplentes. Juntas, elas concentravam 59,7 milhões de dívidas, que somavam R$ 201,4 bilhões.
Nesse grupo, cada empresa tinha, em média, 6,9 contas em atraso, com dívida média de R$ 23.181,56 e valor médio de R$ 3.370,47 por pendência.
Entre os estados, São Paulo concentra o maior número de empresas negativadas, com mais de 3,1 milhões de CNPJs.
Os cinco estados com maior quantidade de empresas inadimplentes são:
- São Paulo: 3.126.658
- Minas Gerais: 907.558
- Rio de Janeiro: 874.385
- Paraná: 601.986
- Rio Grande do Sul: 527.555
O setor de serviços responde pela maior fatia dos negócios inadimplentes, com 55,7% do total.
Na sequência aparecem:
- Comércio: 32,2%
- Indústria: 8%
- Setor primário: 0,9%
A composição das dívidas mostra também forte peso de compromissos ligados à própria operação das empresas.
Serviços representam 31,6% das pendências. Bancos e cartões aparecem com 19,5%, seguidos por cooperativas, com 8,4%, contas de serviços essenciais, com 6,9%, e telefonia, com 6%.
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o avanço da inadimplência ocorre em um ambiente de condições financeiras restritivas, com crédito mais caro e dificuldades para reorganizar passivos e recompor o caixa.
Além do custo do crédito, a desaceleração da atividade econômica reduz o ritmo de geração de receitas justamente em um momento em que muitas empresas ainda precisam equilibrar dívidas acumuladas.
O cenário afeta principalmente negócios menores, que costumam ter menor margem financeira para absorver aumento de custos, queda no faturamento e restrição de crédito.