Economia & Negócios

Emater/RS-Ascar traça panorama da atividade leiteira na região de Santa Rosa, RS

Levantamento socioeconômico aponta concentração da produção, avanço tecnológico e desafios como sucessão familiar e preço do leite.

Publicado em 24/12/2025 13h37 - Atualizado ontem - 4 min de leitura
O manejo do rebanho demonstra a predominância do sistema de pastoreio rotativo com suplementação, adotado por 85% das propriedades. /Foto: Reprodução

A Emater/RS-Ascar realizou, ao longo de 2025, um amplo diagnóstico da cadeia produtiva do leite na região de Santa Rosa, RS, por meio do 6º Levantamento Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite do Rio Grande do Sul. A iniciativa, vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), teve como objetivo subsidiar a construção de políticas públicas alinhadas à realidade das famílias rurais.

Na região, o trabalho contou com a participação dos 45 escritórios municipais da Emater/RS-Ascar, além do apoio de cooperativas e indústrias de beneficiamento de leite. Os questionários foram aplicados em agosto de 2025 e abrangeram mais de 100 itens, relacionados à produção, tecnologias utilizadas, comercialização e industrialização.

Segundo o assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar, Jorge João Lunardi, o levantamento permite compreender a dinâmica atual da atividade leiteira em uma das maiores bacias produtoras do Estado. “É possível ter um diagnóstico claro sobre o que está acontecendo com o leite na região e, ao mesmo tempo, gerar subsídios para estratégias e políticas públicas”, destaca.

Importância econômica e concentração produtiva
A atividade leiteira é a segunda principal fonte de renda agrícola da região, movimentando mais de R$ 1,7 bilhão por ano. Nos municípios que integram os Coredes Fronteira Noroeste e Missões, existem 4.299 estabelecimentos produtores, que comercializam cerca de 1,67 milhão de litros de leite por dia, além de mais de 10 indústrias e agroindústrias ligadas ao setor.

Entre 2015 e 2025, o levantamento aponta uma redução de 71% no número de produtores, enquanto o volume total produzido se manteve. No mesmo período, a produtividade por vaca cresceu 37%, evidenciando a concentração da produção em um número menor de propriedades, cada vez mais tecnificadas.

Perfil das propriedades e do rebanho
A produção anual supera 635 milhões de litros de leite, provenientes de 131.877 vacas, com produtividade média de 5.152 litros por vaca ao ano. O rebanho é composto majoritariamente por vacas holandesas (64%), seguidas da raça Jersey (18%) e animais cruzados.

A atividade está fortemente ligada à agricultura familiar, presente em 93% das propriedades, que possuem, em média, 20 hectares. A maior parte dos estabelecimentos produz até 500 litros por dia, faixa que concentra 81% das unidades, enquanto apenas 7% produzem acima de 1.000 litros diários.

Manejo, tecnologia e qualidade do leite
O manejo do rebanho demonstra a predominância do sistema de pastoreio rotativo com suplementação, adotado por 85% das propriedades. Também estão presentes o semiconfinamento (10%) e sistemas de confinamento, como free stall e compost barn (5%).

Avança, ainda que de forma gradual, a adoção de tecnologias como a irrigação, presente em 11% das propriedades, impulsionada pelo Programa Estadual de Irrigação da Seapi, executado pela Emater/RS-Ascar.

Quanto às estruturas de ordenha, 49% das propriedades utilizam ordenha canalizada, 23% ainda adotam balde ao pé e 27% possuem transferidor. O resfriamento do leite é feito em 99% das propriedades com tanque de expansão direta, garantindo melhor qualidade do produto. O levantamento identificou também 17 propriedades com ordenha robotizada.

Lunardi ressalta que os indicadores de produção vêm melhorando, especialmente em aspectos como genética, alimentação, nutrição, qualidade do leite, bem-estar animal, sanidade e adequação de construções e equipamentos.

Apoio institucional e assistência técnica
O estudo mostra que 30 municípios da região possuem programas municipais de fomento ao leite, além de um arranjo institucional articulado pela Associação dos Municípios da Fronteira Noroeste (Amufron), com foco no desenvolvimento sustentável da bacia leiteira.

A região conta com centenas de profissionais atuando em inseminação artificial e em Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters). Somente em 2025, a Emater/RS-Ascar prestou atendimento a mais de 1.900 famílias produtoras de leite, com ações voltadas à assistência técnica, agroindustrialização, adoção de tecnologias e fomento à atividade.

Desafios para o futuro
Apesar dos avanços, o levantamento evidencia desafios estruturais importantes. Entre os produtores entrevistados, 45% apontam o preço do leite como principal dificuldade, 55% relatam falta de mão de obra e 40% mencionam a ausência de sucessores para dar continuidade à atividade. Outros 17% destacam dificuldades para atingir a escala mínima exigida pelas indústrias.

O perfil etário dos produtores, em sua maioria com mais de 50 anos, reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à sucessão rural, à valorização do jovem no campo e à sustentabilidade econômica da cadeia produtiva do leite na região de Santa Rosa.



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