PGR não viu urgência em prisão de Vorcaro; Mendonça lamenta postura
Ministro do STF criticou manifestação da Procuradoria-Geral da República, que afirmou não identificar risco imediato e pediu mais prazo para analisar o caso.
Publicado em 04/03/2026 11h07 - Atualizado há 2 semanas - 2 min de leitura
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a posição da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao autorizar a prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro e de três aliados. Na decisão, o magistrado afirmou “lamentar” que o órgão não tenha reconhecido a urgência da medida solicitada pela Polícia Federal (PF).
A investigação aponta indícios de tentativa de obstrução das apurações, com a formação de um grupo que teria buscado obter informações sigilosas das investigações e intimidar jornalistas e adversários.
Antes de decidir sobre medidas cautelares, é procedimento comum que o relator do caso abra prazo para manifestação da PGR. Em 27 de fevereiro, Mendonça concedeu 72 horas para que o procurador-geral Paulo Gonet se posicionasse, destacando a urgência do pedido apresentado pela PF.
O prazo, porém, terminou sem manifestação da procuradoria. No dia seguinte, a PGR pediu a ampliação do período para análise, alegando que o tempo concedido seria de “impossível atendimento” diante da complexidade do caso e do número de investigados. O órgão também afirmou não identificar “perigo iminente e imediato” que justificasse uma análise acelerada.
Mendonça rejeitou o pedido e respondeu em tom crítico. Segundo o ministro, a urgência decorre do “perigo iminente a bens jurídicos da mais elevada relevância”, e as evidências apresentadas pela Polícia Federal demonstram a necessidade de ação rápida.
Na decisão, o magistrado afirmou “lamentar” que a PGR tenha declarado não enxergar risco imediato diante do conjunto de provas reunido na investigação.
De acordo com Mendonça, os elementos apresentados pela PF indicam possível atuação coordenada para acessar dados sigilosos e pressionar pessoas ligadas às apurações. Entre os indícios citados estão tentativas de acesso indevido a sistemas restritos da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF) e até de organismos internacionais, como a Interpol.
Para o ministro, a demora na adoção de medidas cautelares poderia expor cidadãos, jornalistas e até autoridades públicas a riscos, inclusive à integridade física e moral.
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