Quatro pessoas estão internadas na ala especial do Hospital Vida & Saúde aguardando os resultados dos exames.
A morte de um caminhoneiro esta semana em Erechim, provocada pela nova gripe, elevou o nível de preocupação das autoridades sanitárias locais diante da perspectiva de uma epidemia. “Há mais de um mês temos uma infra-estrutura montada e estamos preparados para enfrentar eventuais casos, com um comitê criado envolvendo a Fumssar, 14ª Coordenadoria Regional de Saúde e Hospital Vida & Saúde, que montou uma ala especial”, destacou Karina Kucharski, presidente da Fundação Municipal de Saúde. Admitiu que a preocupação aumentou a partir do elevado número de casos registrados na Argentina, país bastante próximo de Santa Rosa.
Karina alerta que clinicamente a característica da Gripe A é semelhante à gripe comum. “O diferencial concentra-se na constatação se a pessoa passou pela Argentina ou outros países onde a epidemia já está instalada, ou entrou em contato quem retornou de lá”, acentuou. Nesse caso, o paciente imediatamente é submetido a um exame, enquanto fica em observação no Vida & Saúde. O exame demora cerca de 72 horas para ser apurado o resultado. Se o paciente estiver clinicamente bem, apesar de estar com suspeita de portar o vírus da Gripe A, será liberado para ficar em casa isolado, onde será tratado como um paciente normal, valendo a ressalva de que ele e todos os familiares terão que usar máscaras e separar talheres, roupas e qualquer utensílio de uso pessoal. Se o mesmo paciente apresentar complicações clínicas, permanece internado no hospital.
Outro alerta: “quem sentir os sintomas de gripe comum, não deve buscar a automedicação, mas sim procurar o posto de saúde mais próximo, para evitar que o caso evolua para a gripe A”. Karina esclarece a diferença dos sintomas de uma gripe e de um resfriado: “a pessoa pega um frio à noite e no outro dia apresentará coriza limpa no nariz, sem secreção, além de um mal estar como moleza no corpo. São sintomas de um resfriado e aí com um chá caseiro já no outro dia. Já a gripe é um vírus que dura sete dias no corpo, produzindo febre, fortes dores, tosse e produção de catarro principalmente”. O caminhoneiro morto em Erechim conviveu durante cinco dias com os sintomas da gripe, sem ter procurado atendimento médico. Crianças menores de dois anos e pessoas acima de 60 anos são quem apresentam maiores riscos de terem uma complicação pela gripe A.
Desde que passou a funcionar a ala especial montada no Hospital Vida & Saúde, por lá passaram duas pessoas que os exames descartaram a presença do vírus da gripe A e foram liberadas. Outras duas pessoas de São Paulo das Missões (que quase causou clima de pânico naquela cidade) também foram internadas sob suspeita, mas liberadas após ter sido comprovado que as doenças eram outras. Até ontem, quatro pessoas estavam internadas, aguardando o resultado dos exames, que são enviados a Porto Alegre.
Karina Kucharski adianta que se for comprovado um caso de gripe A em Santa Rosa, o que se caracterizará uma epidemia (por se tratar de uma doença desconhecida), a Fundação tomará outras providências: “se isso ocorrer, aí sim vamos orientar toda a população a usar máscaras, talvez cancelar aulas em algumas escolas, além de outras ações”. Concluiu afirmando que o risco de morte da gripe A hoje apresenta menor índice de letalidade do que a gripe comum: “as pessoas não devem entrar em pânico, porque mesmo se constatando que a pessoa porta o vírus da nova gripe, há tratamento que garante a cura, contanto que a intervenção ocorra no momento certo”.
PORTO MAUÁ: Um agricultor residente no interior do município esteve na Argentina e ao retornar sentiu os sintomas de gripe. Precavido, dirigiu-se a um posto de saúde, de onde imediatamente foi conduzido para o Hospital Vida & Saúde de Santa Rosa. É um dos que aguarda o resultado do exame.