Estimativa aponta queda de 7,1% na produção de grãos no RS na safra 2025/2026
Levantamento divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta terça-feira (10) indica produção de 32,8 milhões de toneladas no Estado.
Publicado em 10/03/2026 16h39 - Atualizado há uma hora - 3 min de leitura
A segunda estimativa da safra de verão 2025/2026 divulgada pela Emater/RS-Ascar nesta terça-feira (10) aponta redução de 7,1% na produção de grãos no Rio Grande do Sul. O volume projetado é de 32,8 milhões de toneladas, abaixo das 35,3 milhões de toneladas previstas na estimativa inicial apresentada em agosto de 2025. Os dados foram apresentados durante a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.
De acordo com o levantamento, a redução está relacionada principalmente à ocorrência de chuvas insuficientes e irregulares durante períodos críticos de desenvolvimento das lavouras, além de episódios de temperaturas elevadas em algumas regiões. A soja foi a cultura mais impactada pelas condições climáticas.
A produção de soja no Estado está estimada em 19 milhões de toneladas, queda de 11,3% em relação às 21,4 milhões de toneladas projetadas inicialmente. Além da irregularidade das chuvas, também contribuíram para a redução fatores como a diminuição de 1,7% da área cultivada, dificuldades de emergência das plantas devido a temperaturas mais baixas e umidade, além de limitações de acesso ao crédito.
No feijão primeira safra, a produção passou de 46 mil toneladas para 41 mil toneladas, redução de 11,6%. Já o feijão segunda safra teve queda mais acentuada, passando de 16,3 mil toneladas para 11,6 mil toneladas, retração de 28,6%. Entre os fatores apontados estão a perspectiva de estiagem, que aumenta o risco da cultura, e questões relacionadas ao preço pago ao produtor.
Para o arroz, a área estimada em 891.908 hectares pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) deve resultar em produção de 7,7 milhões de toneladas. O volume representa redução de 3,1% em relação às 8 milhões de toneladas previstas inicialmente, cenário associado à diminuição da área cultivada em razão de fatores de mercado.
Diferentemente das demais culturas, o milho grão apresentou aumento na projeção. A produção passou de 5,7 milhões de toneladas para 5,9 milhões de toneladas, crescimento de 3%. O resultado está ligado ao aumento da área cultivada, que passou de 785 mil hectares para 803 mil hectares, avanço de 2,3%.
No caso do milho silagem, a estimativa aponta queda de 6,9% na produção. A redução está relacionada principalmente à diminuição de 5,7% da área cultivada e à previsão de produtividade 1,3% menor. O volume projetado é de 13 milhões de toneladas, cerca de 968 mil toneladas a menos que a estimativa inicial.
Segundo o presidente da Emater/RS-Ascar, Claudinei Baldissera, os dados indicam revisão para baixo em relação às projeções apresentadas no início da safra. “De modo geral, todos os grãos cultivados no Rio Grande do Sul, a estimativa inicial era o Estado colher 35 milhões de toneladas. Se tem uma revisão, e a estimativa é de colher quase 33 milhões de toneladas em todos os grãos. E é claro que tem municípios, assim como regiões, com perdas muito acentuadas, superiores a 50%."
O secretário da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi), Edivilson Brum, afirmou que a redução da produção está ligada principalmente às condições climáticas registradas ao longo do ciclo das culturas. "Mesmo assim, quando comparamos com o ano passado, observamos um crescimento na produção. Os números também refletem as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais, ao longo dos anos, como o endividamento. Apesar de todas as dificuldades, o uso de tecnologias e práticas adequadas de manejo são essenciais para garantir a produtividade e renda", ressaltou Brum.