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Estátuas e monumentos tremem

Publicado em 19/06/2020 13h00 - Atualizado há 3 meses - de leitura

 A morte de George Floyd, negro, pelo policial Derek Chauvin, branco, provocou uma onda de protestos nos EUA, espalhando-se pelo mundo. Nas manifestações surgiram ameaças a estátuas de figuras acusadas de escravocratas (possuíam escravos), ou de escravagistas (defendiam a escravidão), ou de exterminadores de índios, ou de ditadores. A propósito de tão controvertida questão, o mundo tem mais perguntas do que respostas. Nos EUA, três estátuas de Cristóvão Colombo foram abaixo. Ah, Santa Rosa tem uma, perto do antigo Liminha, que poucos sabem. A nossa, que destino terá? Em SP, um abaixo- assinado propõe a derrubada do busto de Borba Gato, sob a acusação de ter sido mercador de índios. Em todos os casos, quem deverá decidir? Os manifestantes (fanáticos)? A Comissão da “Verdade”, que até Bolsonaro assumir, à custa do Tesouro Nacional, concedeu R$ 10 bilhões em indenizações e pensões a “perseguidos” políticos? 

A Avenida Castello Branco, principal via de entrada e saída de Porto Alegre, por proposição do ver. Pedro Ruas (PSol), mudou de nome, só retornando à origem por decisão judicial recente. Getúlio Vargas, homenageado em centenas de cidades com estátuas e nome de ruas, passará incólume? Para Flávio Tavares (ZH), Getúlio foi ditador, “mas bonzinho”. Ora, ditador por ditador, ambos - Castello e Getúlio - foram. A propósito, sobre o regime de 1964, o jornalista Fernando Gabeira, militante armado contra o governo da época (sequestrador de embaixador do EUA), diz: “ ... o programa político que nos movia era voltado para uma ditadura do proletariado”, o seja, luta por democracia não havia, mas raros não se dizem vítimas do regime. Enfim, o título de ditador anula sua obra patriótica, benemérita? A apologia à ditadura de Fidel Castro se enquadra como liberdade de manifestação? E ao regime militar de 64, não?

Castelo Branco, o 1º presidente do regime de exceção pós-64, é herói da 2ª Guerra Mundial por enfrentar, com sucesso, o fascismo em solo europeu. Getulio Vargas foi responsável pela criação da CLT, da Petrobras, do Código Florestal etc, mas, em 1937, fechou o Congresso. Luís Carlos Prestes foi homenageado com um Memorial em Porto Alegre, construído dinheiro público, sendo, até a morte, ferrenho defensor do stalinismo. O “Cavaleiro da Esperança” nunca foi intérprete da democracia nem herói esquecido. Bento Gonçalves, herói Farroupilha, nome de ruas, de CTGs, etc, deixou escravos de herança a seus filhos. Ah, só para lembrar: Tarso Genro, ao assumir o governo do Estado, hasteou a bandeira de Cuba no Palácio Piratini, em homenagem à democracia? Em hipótese alguma. A esses cinco, o que dirão os manifestantes de rua?

À dialética exacerbada do momento, invoco Nelson Mandela. Pois Mandela, depois de 27 anos de prisão, reuniu força para governar a África do Sul. Eleito, quando o mundo temia - mas muitos desejavam - vingança, editou uma Constituição, e todos - brancos, negros, indianos e mestiços - passaram a gozar de igualdade. Em 2010, conheci a África do Sul, um País de extremas desigualdades. Mandela era seu presidente. Dois lugares me tocaram: 1) o Soweto, Bairro miserável com quase 4 milhões de pessoas (de Joanesburgo), no qual Mandela presidente continuou a residir; 2) o Memorial Mandela com todas as fases e obra do líder, no qual, na saída, em livro de registros, consignei: “Mandela, tu és o cara!”, apondo meu nome, País, Estado e cidade.

Sobre o “acerto de contas”, ainda uma pergunta: a Basílica de S. Pedroiniciada pelo Papa Júlio II, em 1506, sob a acusação de ser construída, em parte, com a venda de Indulgências, e a Muralha Chinesa, erguida com sacrifícios de vidas humanas, estarão salvas?

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