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A sucessão presidencial está nas ruas

Publicado em 31/05/2021 08h56 - Atualizado há 4 meses - de leitura

O processo eleitoral para a sucessão à presidência em 2022, está deflagrado. A CPI da Covid-19 nasceu como um palanque contra o presidente Bolsonaro, e candidato à reeleição. Aliás, essa CPI seria mais produtiva se fosse a portas fechadas, mas aí estaria desconectada do palanque eleitoral que é seu DNA. Quer dizer, se fosse sigilosa, os senadores não teriam holofotes. Logo, ela não teria nascido ou, tendo nascido, não mais existiria. O outro candidato a presidente com potencial eleitoral, Luís Inácio Lula, já estava em campanha antes mesmo da “mãozinha” que o STF lhe deu ao anular seus processos dirigidos pelo ex-juiz Sérgio Moro. A propósito, o STF fez a sua parte: relativizou valores absolutos para que se desse a limpeza da ficha eleitoral do ex-presidente. Já o PSDB havia lançado Eduardo Leite, governador do RS, e João Dória, governador de SP, a presidente. Como nenhum decolou, FHC passou a preparar o PSDB para outros cenários: a) chapa puro-sangue, ou b) coligação com o PT.

Eduardo Leite, que foi picado pela mosca azul para ser presidente, está descontente com a condução, neste momento, do processo eleitoral por FHC. Contra si, na semana passada, entretanto, o Instituto Paraná Pesquisas constatou que nem os gaúchos querem saber dele no Planalto. Eduardo ficou em 3º lugar na intenções de votos no Estado, atrás de Bolsonaro e de Lula. Também o incomodou o encontro entre Lula e FHC, postando mensagem de contrariedade nas redes sociais. Incomodado ou não, a partir desses novos fatos o governador gaúcho passou a ser assediado pelo Podemos. Já com o PT, a nova costura de FHC coloca o senador Tasso Jereissati (PSDB) a presidente e Lula (PT) como seu vice. Se isso acontecer, e a política “é dinâmica” dizem os espertos políticos, o governador do RS, mesmo contrariado, creio que não se debelará com Jereissati pela amizade íntima entre as famílias Leite e Jereissati.

Outrossim, como em política absurdos são tolerados, os ex-presidentes FHC e Lula apostam na falta de memória do povo brasileiro - o tucano achando que o povo esqueceu o que dizia do Lula e Lula achando que o povo vai acreditar que a anulação dos seus processos, feita sob medida, significa sua inocência. Por outro lado, Lula aceitaria ser vice? Ora, não é de descartar a ideia na medida em que ele não tem certeza da sua eleição. Basta ver que, enquanto Bolsonaro é ovacionado nas ruas por onde circula, Lula evita sair. Mas essa união, segundo o PSDB e o PT, seria “em torno de um projeto para salvar o Brasil”. Que beleza! Vamos combinar: é um projeto de poder. As alianças políticas se alicerçam em conveniência para atingir o inimigo.

A respeito da fase paz e amor entre os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva, minha curiosidade é com as trocas reiteradas de ofensas entre eles. FHC, quando Geraldo Alkmin, em 2018, era candidato a presidente da República, entre outras, disse: “Eu ouvi durante treze anos, quase sempre silenciosamente, alguém que dizia ‘nunca como antes’. É verdade, nunca como antes se roubou tanto neste país. É verdade, o país quebrou, o Brasil foi quebrado pelo PT. Foi quebrado pelo Lulopetismo, e esta crise que aí está que, como disse o governador Alckmin, vai custar caro ao povo brasileiro, é deles, não é nossa”. Agora, provavelmente repetirá o que disse sobre suas obras de sociologia, depois de eleito presidente: “Esqueçam o que eu escrevi”. Bem, eu não esqueci, ou melhor, nós não podemos esquecer, porque esquecer quem fez do país “cosa nostra”, é trair a consciência.

Por fim uma curiosidade: em eventual coligação PSDB e PT, Rodrigo Cola, o líder máximo dos tucanos aqui, e Marchezan Junior, o líder máximo dos tucanos no RS, subiriam no mesmo palanque do Lula? Bem, como ainda creio na coerência das pessoas - mesmo sabendo que coerência é coisa rara na política -,  não posso nem pensar na hipótese. E não me venham com o mantra de políticos profissionais: “Estamos fazendo a união para o bem do Brasil”.

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