Economia

Crescem no Procon reclamações sobre compras na internet

André Stürmer, diretor do órgão, chama a atenção para atitudes de como fazer uma compra segura na rede mundial.

Publicado em 06/07/2020 08h48 - Atualizado há 4 semanas - de leitura
Aumento de transações causam, também, crescimento de reclamações. / Foto: Jornal Noroeste

O isolamento social provocado pela Covid-19 trouxe impactos significativos para o comércio varejista. Conforme a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm) o aumento nas vendas pela internet em relação ao ano passado, considerando os mesmos períodos, é superior a 100%. Porém, alguns setores tiveram um crescimento ainda mais acentuado. É o caso de áreas como alimentos e bebidas, instrumentos musicais, brinquedos e eletrônicos, que tiveram um acréscimo nas vendas superior a 200%.

Este aumento traz com ele um problema: as reclamações subiram proporcionalmente ao volume de compras. Segundo o diretor do Procon de Santa Rosa, André Stürmer, nos últimos meses o órgão tem registrado um crescimento substancial no número e na variedade de reclamações em relação às compras online. “Os problemas relacionados a internet já vinham crescendo, mas nos meses de pandemia, os casos apresentaram uma alta expressiva, o que revela que os fornecedores não estavam preparados para o momento ou que os golpistas estão atentos às oportunidades”, disse.

Entre as reclamações, as mais frequentes são relacionadas à demora ou não entrega do produto, problemas com cobranças equivocadas e produtos com defeitos. “Os consumidores reclamam também de problemas de contato, cancelamento das compras e entrega diferente do pedido. Um relato crescente é o de fraudes, especialmente relacionadas a ofertas incrivelmente vantajosas, mas que geralmente estão associadas a sites falsos, com os quais, após a compra, não se consegue mais contato”, relatou. Geralmente essas ofertas oferecem apenas o pagamento via boleto bancário para evitar rastreamento futuro. Nesses casos, conforme Stürmer, nem o Procon consegue resolver.

Cuidados a serem tomados na internet

O diretor do Procon de Santa Rosa alerta que, para evitar fraudes ou compras inseguras, é recomendável que o consumidor fique atento às informações do produto e pesquise mais sobre o fornecedor. É preciso verificar se o atendimento virtual é facilitado, se existe serviço de atendimento ao consumidor – SAC, se a empresa reconhece o direito de arrependimento da compra, se o nome da empresa e o número do CNPJ estão no site e se está tudo regular (inclusive o objeto social coerente com o produto a ser comprado), se há um endereço físico e ele é real, entre outros cuidados.

Nossa reportagem foi procurada por M.F.S, 45 anos, que relatou que estava no Facebook quando viu um anúncio de venda de um sofá, com preço super abaixo do valor de mercado. “Eu tinha pesquisado em um site de uma rede de lojas o produto e minutos depois apareceu aquele anúncio. O produto normal era R$ 1,2 mil e no anúncio estava por R$ 380,00. Não pensei duas vezes! Baixei o boleto e paguei pelo aplicativo do celular. Passaram-se 20 dias e nada, 30 dias e nada. Resolvi ligar para a empresa e fiquei indignada, pois não tinha nenhuma compra registrada”, relatou. Ela ainda afirmou que pediu auxilio para seu filho, que procurou no histórico de acessos do computador o link da promoção, que caiu em um site clandestino. “Nossa! Fiquei muito chateada. Fiz Boletim de Ocorrência, mas infelizmente não conseguirei meu dinheiro de volta”, salientou.

É preciso ter uma cautela especial com anúncios de produtos divulgados em redes sociais. Em muitas oportunidades eles se assemelham a propagandas de redes de fornecedores confiáveis, mas podem ser sites falsos. Para isso, orienta André, é necessário observar se junto ao endereço eletrônico há um cadeado. Ao clicar nesse cadeado, abrirá uma janela indicando se o certificado é válido e se o site é seguro. Se não for seguro, é melhor evitar. Pode-se desconfiar também, caso as compras somente possam ser feitas por boleto bancário. Neste caso é fundamental verificar se o boleto foi emitido em favor da empresa na qual está sendo realizada a compra. “Se for emitido em favor de pessoa física, é fraude na certa”, alerta Stürmer.

Produtos gratuitos acabam virando assinatura

Um tipo de reclamação que tem crescido muito no Procon de local é o envio de “assinaturas” de medicamentos, suplementos e vitaminas. O consumidor é atraído por uma oferta tipo “Produto grátis - pague somente o frete”, mas acaba comprando um pacote mensal de mercadorias. O usuário, ao aceitar a oferta, concorda também com a assinatura que, caso não queira, deverá se manifestar.  André diz que esse detalhe é escondido e ao não manifestar que não pretende receber, acaba realizando a assinatura que é cobrada no cartão de crédito fornecido para o pagamento do frete do primeiro produto que é grátis. Nestes casos, é quase impossível o consumidor resolver o problema sozinho e terá que contar com a ajuda do Procon.

Um fato parecido envolveu D.M., de 32 anos, de Santa Rosa. Ela precisava acessar um site de edição de imagens, via celular, e para baixar o aplicativo aparecia um teste grátis, mas precisava registrar o número do cartão de crédito. “Como dizia gratuito eu baixei o app e me cadastrei normalmente. Passaram-se 30 dias e recebi uma mensagem de débito do cartão, que havia me cobrado R$ 59,90 pelo serviço. Imediatamente pedi o cancelamento”, disse.

Direito de arrependimento

As compras feitas pela internet, telefone ou à domicílio podem ser canceladas no prazo de sete dias. É o direito de arrependimento previsto no artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor.

Os sete dias são contados a partir do momento do recebimento da encomenda ou da entrega do produto ao comprador. Não há necessidade de manter um produto que não gostou. Esse prazo é garantido para possibilitar que o consumidor analise se quer ficar ou não com a roupa adquirida, se o utensílio de cozinha realmente atende o que queria, se a voltagem de um aparelho é adequada ou se simplesmente se arrependeu da compra.

Importante lembrar que, caso o consumidor se sinta lesado, deve procurar imediatamente o Procon para o registro da reclamação. “A demora pode ser um inimigo na resolução do problema”, ressalta Stürmer.

O telefone do Procon de Santa Rosa é (55) 3511 5114.



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