Comportamento

Um depoimento de alerta e coragem

Saleti Tonel perdeu seu marido no dia 24 de julho e chama a atenção para os cuidados com o novo coronavírus.

Publicado em 09/08/2020 06h00 - Atualizado há 2 meses - de leitura
SALETI: todo o cuidado é pouco, com relação a Covid-19. / Foto: Jornal Noroeste

Saleti Tonel teve a coragem de vir à imprensa para repartir com o público a experiência de ter perdido seu esposo, diagnosticado com Covid-19. Flávio Tonel morreu no começo da madrugada de 24 de julho, uma sexta-feira, na UTI da Unidade Dom Bosco de Santa Rosa/RS, que trata de casos de Covid-19 na região Fronteira Noroeste. Tinha 68 anos e era diabético.

“Meu marido não acreditava que pudesse ser atingido pelo novo coronavírus e por isso não se cuidava muito, mesmo sendo diabético”, declarou. Era marceneiro de profissão.

Contou que Flávio sentiu febre no dia 5 de julho, um domingo, foi na farmácia e se automedicou. “Trabalhou muito na quarta e quinta-feira seguinte, inclusive tomando chuva. Na sexta chegou em casa às 18h com febre alta”, lembrou. Com tal quadro, foi até a Unidade Dom Bosco, onde uma médica o atendeu e o liberou, com a orientação de ver a evolução do que poderia ser um quadro gripal.

No sábado a febre persistiu e vieram calafrios. “Ele decidiu esperar mais um pouco, na expectativa de que iria melhorar. No domingo seu quadro piorou e às 7h30min decidimos que teria que voltar ao hospital. Imediatamente foi internado na UTI, após exames”, contou. Antes do meio dia foi intubado. Faleceu duas sextas-feiras após.

Saleti disse que diariamente recebia boletins sobre o estado de saúde de Flávio, com melhoras e pioras no quadro. “A diabetes contribuiu de forma decisiva à morte de meu esposo, pois descia e subia, alcançando picos”, alertou ela. O novo coronavírus o derrubou mesmo, seis dias após os primeiros sintomas. “Faltava-lhe ar e parecia que tinha envelhecido cinco anos da noite para o dia”, ressaltou.

Só nas horas que antecederam a internação na UTI é que Flávio admitiu que talvez pudesse estar com a Covid-19. “Mesmo assim, graças ao seu otimismo, foi para o hospital com perspectivas de voltar”, lembrou.

Saleti foi orientada pelos médicos a fazer o teste, tendo positivado. Cumpriu e continua cumprindo todas as orientações de quarentena. Considera-se livre da doença.

Na madrugada do último dia 24 foi à UTI fazer o reconhecimento do corpo. Ao lado de uma amiga, encaminhou a cremação, mas não pode se aproximar do caixão.

“Cuidem-se, por favor, porque a doença é séria, muito séria. Meu marido está morto”, lamentou em tom de alerta.



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