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Há um gritante pedido de ajuda

Publicado em 13/10/2021 18h23 - Atualizado há 3 dias - de leitura

Texto: Sirilei Steffen Gambin
Escritora e palestrante

Precisamos nos permitir sentir para poder ouvir. Quando negligenciamos nossos sentimentos somos engolidos por nossas emoções. Raiva, tristeza, nojo, medo e até mesmo alegria, quando não sentidas, aceitas, acolhidas, experimentadas e vividas, ou seja, quando negamos ou negligenciamos as emoções, projetamos. E é justamente assim, que elas se tornam causa de doenças, mágoas profundas, traumas de infância, problemas, dificuldades financeiras e de relacionamentos.

Na verdade é devastador negar o que sentimos, negligenciar o grito de dor, nosso e daqueles que nos cercam. Há uma criança ferida que mora dentro de nós, ela está ali, dentro, abaixo da armadura que polimos, lapidamos e enfeitamos para mostrar ao mundo. E é assim mesmo que todos nós fazemos para nos defendermos nesse mundinho louco em que estamos, e está tudo certo. Não nos culpemos. Mas já é hora de entendermos que, invariavelmente, essa criança ferida busca no mundo a validação e o amor que sente não ter.

Se formos bem honestos, precisamos admitir que suportamos muito pouco a dor, a nossa e a do outro. Quase sempre, o mais rápido que podemos fugimos, nos distraímos com redes sociais, jogos, trabalho em excesso e outras coisinhas mais desse grande parque de distrações chamado mundo. Tudo para evitar sentir, porque pensamos que não iremos aguentar. Fazemos barulho e não silenciamos para não escutar a canção de lamento que cantamos para nós mesmos, para não reconhecer os pensamentos que alimentamos sobre nós, nossos filhos e os outros. Não nos permitimos dar um tempo para sentir aquilo que bule dentro de nós.

Queremos que nossos filhos sejam felizes sem entender o verdadeiro sentido da felicidade.  Dificilmente paramos para escutar o gritante pedido de ajuda por traz das dificuldades. O pedido de Amor por trás da agressividade, da ansiedade, da depressão, da hiperatividade, da dificuldade de se relacionar, da raiva, da revolta, etc. Nossa e dos que nos cercam.

Tudo começa com nosso exemplo. E não há nada melhor do que a verdadeira honestidade conosco mesmos. Sentindo o que sentimos de verdade, sem mascarar. Estou triste, preocupado, ansioso, sem animo, me sinto só, desmotivado, com raiva, etc. Posso compartilhar minhas angustias com vocês? Estão dispostos a me ouvir? E eu? Estou disposto a ouvir o meu filho revoltado? Escutar nas entrelinhas seu pedido de ajuda?  Permitir que conheçam minhas dores criando um ambiente saudável para que meus filhos também compartilhem o que sentem. Não tem como viver constantemente uma vida instangramável.

Nesse momento estamos saindo de uma crise sem precedentes, todos tivemos perdas em um ou outro nível, por isso é ainda mais importante esse olhar para dentro de nós e principalmente para as nossas crianças. Se estamos perdidos, imaginem eles. Ter a coragem para sermos imperfeitos. É saudável ser comum. Quando insistimos em querer ser os melhores e quando cobramos isso de nossos filhos, os ferimos a nível da alma, deixando claro o quanto nos vemos e os vemos pequenos. 

Se queremos viver uma vida plena precisamos soltar os padrões estreitos em que estamos confinados, ver riqueza nas diferenças, nos aceitarmos e aceitar nossos filhos com suas limitações e inseguranças. Temos que nos dar colo e dar colo... literalmente. Correr o risco sermos vulneráveis, sentindo o que sentimos, isso não é fraqueza, ao contrário, ser vulnerável é ser forte. É desde ai que pode nascer uma vida autêntica e que o verdadeiro Amor pode brotar.

Todos nós, invariavelmente, temos a chispa da Luz Divina dentro de nós. Somos Amor, só que estamos longe de reconhecer nossa Riqueza Interior, por isso buscamos lá fora o que não podemos reconhecemos dentro.

Vejam bem... o que eu gostaria de deixar claro nesse pequeno texto é que toda agressividade é um pedido de Amor. Toda dor, revolta, ira, pânico... são no fundo, um pedido de Amor.

Ou estamos dando Amor ou pedindo... sempre, sempre, sempre.

Assim é com nossos pequenos, e com nossos adolescentes revoltados. Por traz de seus ataques e defesas, de suas armaduras e capas de proteção, por traz de sua rebeldia, está uma criança desconectada de sua essência buscando aquilo que sente não ter e que não consegue receber ou aceitar daqueles que a cercam. Não é hora de nós pais nos culparmos, todos estamos fazendo o melhor que podemos.

Abro um parêntese para que fique bem claro que dar Amor não significa dizer sempre sim, deixar fazer o que quer, ser bonzinho, atender todas as exigências, não cobrar as tarefas, horário e responsabilidades. Essas coisas fazem parte do mundo operacional e precisam ser feitas. Dar Amor vai muito além. Vem de dentro, de nosso Coração, do que sentimos, da Frequência que vibramos – Amor ou medo. É isso que damos, é a oração que enviamos ao mundo.

Dar Amor também não é sentir pena, poupar ou ser permissivo. Damos Amor enquanto temos que impor limites e cobramos responsabilidades. Damos Amor verdadeiramente quando reconhecemos nossa Grandeza e a dos nossos filhos (não confunda com grandiosidade ou especialismo). É saber a um nível profundo que Somos Divinos, todos nós, como uma imensa família, pais e filhos, parentes, colegas, amigos, vizinhos e cidadão do mundo.

Esse mundo é uma grande sala de aulas. Estamos todos aprendendo juntos e fazendo sempre o melhor que podemos com os recursos que temos. Não existe receita, não é hora de se culpar ou de mi mi mi, é hora de dar uma guinada nesse jogo do medo.

Todos juntos cultivar a Paz que mora dentro de nosso Coração e escolher o Amor para ser a resposta que damos ao mundo. 

Ultrapassar a capa de proteção, aceitar a criança ferida, sentir com liberdade o que de verdade sentimos, ser coerentes: pensar branco, sentir branco e fazer branco.

Só assim encontraremos o grande tesouro dentro de nós e deixaremos de servir ao medo, para estarmos a Serviço do Campo de Consciência de Paz e Felicidade Autêntica, ouvindo a Luz e a Sabedoria Divina. Permitindo que guiem nossos passos e orientem as nossas decisões para que possamos estar bem atentos ao pedido de ajuda nosso e daqueles que nos cercam e, principalmente, que tenhamos sabedoria para reconhecer os pedidos de Amor de nossos entes queridos.

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