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A tragédia nos asilos

Publicado em 23/09/2020 11h51 - Atualizado há um ano - de leitura

Texto: Osmar Terra

As recentes notícias sobre mortes em asilos confirmam o alerta que faço desde o início dessa pandemia. O maior risco de contágio pelo coronavírus são dos idosos destas instituições e clínicas de repouso.  

O paradoxo das propostas de quarentena e de isolamento social é o de que justamente a população mais isolada, os idosos em asilos, compõe a maior parcela de mortes pela Covid-19 no planeta. 

No Canadá, em lockdown, as mortes em clínicas e asilos de idosos representaram, até agora, mais de 80% do total. Nos Estados Unidos chegou a 46%, e na Europa, ao redor de 50%. Mesmo na Suécia, onde a população não fez quarentena e nem lojas e escolas foram fechadas, mais de 70% das mortes aconteceram nos seus gigantescos asilos de idosos. Justamente na única parcela da população isolada!  

No Brasil – embora ainda não tenhamos um raio-x completo da situação – foi muito grande o número de óbitos em asilos. E infelizmente ainda seguem acontecendo, como estamos vendo no Rio Grande do Sul. 

É claro que nos referimos a uma população de altíssimo risco: idosos com muitas comorbidades e agrupados já por longo período de tempo num mesmo ambiente. Alguém portando o vírus, mesmo sem sintomas, que venha trabalhar nesses locais pode provocar uma grande tragédia. Ou seja, ninguém em isolamento esteve – ou está – protegido do contágio. Até porque, grande parte da população economicamente ativa não pode parar de trabalhar. E essas pessoas convivem entre si nos locais de trabalho e voltam para o convívio familiar em casa. Assim, um vírus que já circula em toda parte estará dentro das casas e dos asilos também. 

Em segundo lugar, é importante ressaltar que, diferente dos vírus influenza, que contaminam homogeneamente, os coronavírus são mais transmissíveis por grupos que convivem maior tempo juntos, familiares ou de convivência compulsória, como nos asilos. Isso por si só mostra o erro colossal de trancar as pessoas sadias e de repetir o mantra “fique em casa”. 

Nunca houve possibilidade de impedir a circulação do vírus a não ser reduzindo sua velocidade de contágio com os cuidados individuais e higienização. Os grupos de idosos asilados deveriam ter tido um cuidado especial dos gestores públicos e das instituições que os abrigam. Parte essencial desses cuidados é a testagem semanal de todos os cuidadores que trabalham nesses locais. Se desde o começo tivéssemos tido a preocupação de fazer isso, dezenas, talvez centenas de milhares de mortes teriam sido evitadas no Brasil e em todo o mundo, evitando uma tragédia silenciosa, ocultada por discussões ideológicas.  

*Osmar Terra é médico e deputado federal (MDB-RS)

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