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Renascimento

Publicado em 31/07/2021 10h54 - Atualizado há 3 meses - de leitura

O futebol é nossa paixão, algo quase inexplicável. Meninos de dez anos, ou respeitáveis senhores de oitenta, todos parecem dispostos a vibrar e viver emoções futebolísticas.

Mas o futebol, talvez pelo dinheiro que faz circular, também produz algumas coisas bem idiotas. A mais recente é a moda dos jogadores que descolorem o cabelo, deixando o topo da cabeça branco. Descobri que se trata de uma jogada de marketing, envolvendo uma marca de cerveja. Alguns jogadores recebem um cachê e ficam parecendo um copo de chope. Eu sei que parece bizarro, mas é verdade. O futebol também é palco de coisas bem estúpidas.

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O jogador Gustavo Scarpa, do Palmeiras, é tido como um dos melhores atletas do futebol atual. Mas ele tem uma particularidade que o distingue dos demais, e que o deixou ainda mais famoso. Gustavo Scarpa é um apaixonado leitor dos clássicos da literatura. Em seu canal das redes sociais, o jogador não fala de futebol, mas sim de Machado de Assis, Dostoievski, Albert Camus, Kafka, George Orwel e outros grandes nomes da cultura e da literatura. É realmente surpreendente. Num universo de atletas onde raros chegam à universidade, encontrar um exímio jogador de futebol falando de livros é o que podemos chamar de “ponto fora da curva”.

Tomara que as indicações de leitura do craque seduzam os fãs do futebol e gerem uma leva de novos leitores.

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E por falar em esportes, a piada corrente nos últimos dias é a seguinte. Os negacionistas e terraplanistas estão sem entender por que os japoneses marcaram os jogos das Olimpíadas para as madrugadas. Deve ser coisa de japonês doido. Afinal, se a terra é plana, por que inventar um horário tão estranho?

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Walter Galvani morreu no dia 29 de junho. Foi o último dos grandes jornalistas gaúchos. Atuou por mais de 60 anos na imprensa da capital, especialmente nos jornais e nas rádios ligadas à Caldas Júnior. Tudo o que produziu tinha a marca do trabalho bem feito, cuidadoso e de qualidade inquestionável.

 Pois entre seus escritos Galvani nos deixou um livro precioso chamado “Nau Capitânia”, no qual ele conta a vida de Pedro Álvares Cabral, o cara que “achou” o Brasil lá em abril de 1500. O livro é um dos raros que trata do assunto, pois Cabral morreu no ostracismo e ficou praticamente esquecido durante séculos.  

 No livro, Galvani lembra que na época de Cabral a Europa ainda vivenciava surtos da peste negra e da febre tifóide. Em algumas cidades, inclusive Lisboa, as pessoas morriam nas sarjetas e eram sepultadas em valas comuns. Enquanto as pestes retrocediam, a Idade Média chegava ao fim. A época de Cabral se caracterizou pelo início da Renascença, período que hoje conhecemos como o do ressurgimento das artes, da valorização da ciência, do surgimento de novas técnicas e do incremento do comércio mundial.

 Ou seja, o longo período de doenças endêmicas, pobreza e muita morte, foi seguido por um novo tempo de criatividade, tecnologia e riqueza. Foi o tempo de Michelangelo, Lutero, Galileo, Copérnico e outros que viraram o mundo de ponta-cabeça.

 A expectativa, agora, é que a pandemia do coronavírus seja sucedida por um novo Renascimento, uma nova forma de ver o mundo. E que todas estas lideranças medíocres que andam por aí, divulgando falsas verdades e até se instalando nos governos, com sua orgulhosa arrogância, sejam sepultadas e jogadas no lixo. Para o bem de todos. Porque este período de trevas que hoje vivemos não pode ser eterno.

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