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Política, amizade e a hora de cortar

Publicado em 01/08/2020 09h48 - Atualizado há 7 dias - de leitura

A política pode estragar as amizades? Com certeza você já viu este questionamento em seu grupo de amigos ou em alguma postagem na internet. Desde que no Brasil a política virou campo de batalha (e não de posicionamentos), parece que tudo virou provocações e respostas ácidas. Os palpiteiros da política se procriaram como coelhos e algumas pessoas queridas nos decepcionaram. Aconteceu com muita gente.

Não acredito que amizades acabem por causa da política. Divergências políticas sempre existiram (o que, de certa forma, é uma coisa boa), e isso nunca acabou com amizades verdadeiras.

Amizade não acaba por causa de legenda partidária ou pela simpatia desde ou daquele candidato. Eu mesmo tenho amigos com os quais divirjo sobre questões políticas, de forma leal e sincera, sem que isto nos afaste. Pensar diferente, digamos, sobre a economia brasileira atual, não nos afasta, e pode até nos aproximar.

Amizades acabam, na verdade, quando descobrimos que as pessoas não são aquilo que imaginávamos que fossem. A decepção, sim, acaba com as amizades. Não é a internet, não é a política.

Veja um exemplo. De repente você vê aquele amigo defendendo argumentos racistas, contra negros, índios, judeus, etc. Numa época em que estamos bem informados da tragédia do racismo, isso é inaceitável, e chega a hora de terminar com aquela amizade. Racistas não são boa gente.

É a hora do “corte”, isto é, de cortar o vínculo e fugir de pessoas tóxicas. Cortar uma amizade pode doer inicialmente, mas em curto prazo traz uma grande recompensa. Eliminamos o risco de sermos intoxicados e corrompidos. Há pessoas com as quais não devemos nos misturar nem ser confundidos. São desumanas, são azedas, são sádicas. Melhor não nos contaminarmos com elas...

Seu amigo (ou amiga) tem discurso homofóbico? Corta!

Seu amigo se orgulha do próprio machismo? Corta!

Seu amigo defende a morte dos pobres, e daqueles que ele chama de “bandidos”? Ele se intitula “gente de bem”, capaz de cometer atrocidades? Corta!

Seu amigo é contra imigrantes? Corta!

Seu amigo quer a morte dos adversários políticos? Corta!

Seu amigo considera a si mesmo cheio de méritos e despreza o sofrimento de quem não tem o seu padrão de vida? Corta!

Seu amigo espalha ofensas e “fake news” nas redes sociais e se acha muito engraçadinho? Corta!

Seu amigo acha que a opinião dele sobre a pandemia é mais importante que a dos cientistas da Fiocruz, de Oxford e da Orga­nização Mundial da Saúde? Corta!

Amizades não acabam por causa da política. Acabam porque descobrimos que estávamos convivendo com gente mesquinha, cheia de ódio, ressentida, e que joga no debate político todas as suas frustrações pessoais. Amizade existe para nos fazer melho­res, para nos encantar. Mas às vezes nos frustramos diante da verdadeira cara de alguns amigos. Chega a hora em que temos de tomar uma decisão. Melhor não contaminar o nosso afeto.

Ah, e quanto à política? Continue a participar da vida da sua cidade e de seu país. A política é polêmica, sim, mas é isso mes­mo que a faz tão importante. Afinal, vivemos em sociedade e precisamos aprender a viver juntos.

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