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Num bochincho, certa feita...

Publicado em 02/10/2021 11h04 - Atualizado há 2 semanas - de leitura

Todos nós sentimos a tensão política do Brasil de hoje, que se soma à tensão social provocada pela carestia e a inflação. Apesar do bochincho, vamos manter a calma. Se você é daqueles que não sabe se situar na confusão, não se preocupe. Poucos sabem exatamente onde estão acontecendo as peleias. E para você não passar vexame naquela roda de amigos, aqui vai, de forma bem didática, onde e porque estão acontecendo investigações que estão balançando a vida política brasileira.

(a) No STF as investigações envolvem o tal “gabinete do ódio”, que disseminou ataques aos poderes, à democracia e, de modo especial, à Constituição. O propósito era desestabilizar o regime democrático. Como sabemos, já resultou em prisões. E o estado democrático de direito continua, por ora, firme e forte.

(b) No TSE o furdunço envolve a possibilidade de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão por conta das “fake news” utilizadas durante a campanha com o auxílio de robôs agindo nas redes sociais. O sistema envolvia gente paga para esta tarefa, e também a hospedagem de sites em outros países, produzindo mentiras e espalhando-as pelo Brasil afora.

(c) No Congresso Nacional, a CPI da Covid mostrou ao Brasil o lado obscuro do governo Bolsonaro, com péssima gestão da pandemia, compras superfaturadas de vacinas, propaganda orquestrada contra a vacinação, oferta de remédios ineficazes, etc. O fato mais horripilante envolve uma empresa que realizou “testes” com o tal Kit Covid, sem conhecimento dos pacientes, causando inúmeras mortes. Algo deveras macabro.

(d) Nas instâncias inferiores do Judiciário, e na Polícia Federal, a ordem do dia são as denúncias de corrupção contra a família Bolsonaro, especialmente as contratações de funcionários-fantasmas que receberam polpudos salários e jamais compareceram aos empregos, seja na Assembleia do RJ, seja na Câmara Federal. As tais “rachadinhas” entraram no vocabulário do brasileiro, e significam a prática pela qual um político contrata um parente ou amigo, e este lhe repassa parte do dinheiro recebido do poder público. A proximidade com as milícias e o tráfico também estão entrando neste rol de investigações.

Espero ter ajudado. Você pode apoiar ou não estas investigações, mas agora já sabe onde as coisas estão acontecendo, e naquela conversa com os amigos, poderá indicar com precisão onde deverão buscar informações. “Esse assunto é acolá, e não aqui”. Pelo menos, você dará ares de conhecimento.

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É claro que tudo isto pode, ainda que de forma indireta, afetar a vida de cada um de nós. No dia a dia, porém, o que mais nos atinge é a inflação, cuja medição para o mês de setembro indica a maior taxa desde 1994, ou seja, 27 anos atrás.

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Tudo isto nos dá a sensação de que estamos no tal bochincho, descrito com maestria pelo Jayme Caetano Braun na sua famosa poesia. Aliás, o Brasil realmente não é para amadores. Na poesia do Jayme, o cara chega a uma bailanta e se interessa por uma jovem morena que, para azar dele, é namorada do dono do baile. A confusão, é claro, armou-se e envolveu todos no recinto, numa confusão generalizada.

“Não há quem pinte o retrato de um bochincho quando estoura”. No final da história contada pelo Jayme, o sujeito foge mato adentro e atravessa o Uruguai a nado, deixando para trás uma enorme baderna. Por isso, precisamos ter a informação correta e clara, mesmo que não tenhamos qualquer preferência política ou partidária. Não façamos como o gaiteiro, que continuou tocando debaixo do tiroteio.

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