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Lockdown no Alegrete

Publicado em 08/08/2020 09h23 - Atualizado há 2 meses - de leitura

Manhã da última segunda-feira, na delegacia de Alegrete:

— Sargento Osório! Quero ouvir seu relatório sobre o lockdown do fim de semana na cidade! 

— Positivo, tenente Gustavo! Tudo fechado, até os bolichos de beira de estrada. O único barulho foi na rua da igreja, pois a dona Laura passou o fim de semana fazendo fofoca com a dona Dulce. O barulho foi porque cada uma estava na sua janela, a uns dez metros uma da outra. Fiquei sabendo de cada história, tenente!

— Algum transeunte suspeito?

— Apenas o peão Aparício, lá da fazenda Fundão, cruzou a cidade com seu cavalo. Mas ele estava de máscara. O cavalo também.

— Então, ninguém foi preso?

— Não, senhor! Estivemos no encalço de um tal Perdigoto, o qual, segundo informações da imprensa, tem causado problemas por aí. Não obtivemos sucesso na captura porque parece ter fugido na direção de Uruguaiana. A meliante Cloroquina também desapareceu.

— E os gafanhotos?

— Bah, tenente, com esses não adianta nem ameaçar com multa. Eles adoram uma aglomeração...

***

Pois além do “lockdown”, que alguns alegretenses imaginavam tratar-se de um novo tipo de xis do “Cachorrão do Arlindo”, o coronavírus tem nos trazido informações curiosas e algumas situações bizarras. 

Uma delas foi a pergunta feita a um médico: podemos espalhar o coronavírus através de um “pum”? A pergunta aconteceu mesmo. O médico é que foi bem didático: “Se você estiver contaminado e o vírus conseguir cruzar ileso pelos ácidos do seu intestino, isto é possível, sim. A sua calça funcionará como máscara.” Sábio esclarecimento.

Falar demais aumenta a chance de transmissão pois as gotículas que saem da boca podem permanecer no ar de 8 a 14 minutos (dá pra entender a importância da máscara?). Agora, o lado curioso. Quanto mais vogais tiver a frase, mais partículas são expelidas e o risco aumenta. Tchê, como é que eles contam isso?

A palavra “vacina” vem mesmo da palavra “vaca” (do latim, vacum, designativo de gado). Isso porque os primeiros estudos sobre vacinas envolviam a varíola que infectava as vacas leiteiras, a tal “varíola bovina”. As secreções das tetas das vacas afetadas pela doença foram injetadas em pacientes humanos. Foi em 1.796, e você já pode imaginar que à época isso foi considerado repulsivo. Mas funcionou.

Lembra que lá por fevereiro, quando tudo estava no início, diziam que deveria acontecer a “contaminação de rebanho”? As pessoas seriam contaminadas e a população, grosso modo, ficaria imune (com anticorpos). Foi um chute lamentável. Com o índice atual de 1,4% de mortes (média mundial), teríamos, até a imunização geral, 55 milhões de mortos no mundo. No Brasil, seriam mais de 2 milhões de mortos. Um quadro apocalíptico! Por isso é que certas autoridades, muitas vezes, perdem a oportunidade de ficarem caladas.

Enquanto vemos o descaso do governo com a crise sanitária (um desdém, eu diria), há um aspecto da pandemia do qual pouco se fala. Aumentaram em quase 100% os casos de depressão e ansiedade no Brasil, conforme pesquisa da UERJ (do Rio de Janeiro) em parceria com a Universidade de Yale, dos EUA. O conselho médico é simples. Respeite os limites do seu corpo nesse período de anormalidade, e cuide de seu estado de espírito ocupando seu tempo com lazer e artes (exercite-se, leia livros, ouça música, estude algo de seu interesse). Sempre ajuda. De estressados o mundo já está cheio.

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