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Estado laico

Publicado em 21/08/2021 09h58 - Atualizado há 2 meses - de leitura

Finais de semana ensolarados levam a duas constatações inevitáveis aqui em Santa Rosa.

Primeira: a quantidade de ciclistas é considerável. Significa dizer que a cidade deve se preparar para o futuro. Qualquer planejamento urbanístico (novas ruas e loteamentos, por exemplo) deve contemplar ciclofaixas e ciclovias. Isto está se tornando uma exigência social. Deixar para mais tarde pode ter consequências complicadas para a área urbanística.

Segunda constatação: reuniões de grandes grupos de pessoas ao ar livre (no Tape Porã, por exemplo) não dispensam o uso da máscara. Atenção, galera! A pandemia não acabou!

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Uma polêmica desconfortável chegou à imprensa. A prefeitura quer colocar uma parada de ônibus bem em frente à porta de entrada da escola Fernando Albino, na rua Francisco Timm. A parada, hoje, está diante de um prédio que está sendo edificado pela Unimed. Ou seja, parece que a Unimed não quer a parada lá.

Sobra para os estudantes! A escola está junto à rua, as salas de aula estão ao nível da calçada. Será maravilhoso assistir às aulas ouvindo o frear e o acelerar dos ônibus bem ao lado de suas janelas! Que coisa mais sem sentido!

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Mudando de assunto. O mundo está em suspense com o retorno do Talibã ao poder no Afeganistão. É a volta do Estado religioso, com imposição das leis islâmicas (que eles interpretam do jeito deles; o islamismo, na verdade, não prega o ódio). 

Talvez seja o maior exemplo de fanatismo religioso da atualidade. Ele acaba com o estado laico, proíbe manifestações artísticas, acaba com a presença de mulheres nas escolas e em empregos (elas devem usar a burca) e exige que os homens cultivem barbas. Outras religiões são proibidas. O Judiciário é totalmente submetido aos líderes religiosos. Infrações a estas regras são punidas com execuções públicas. Simples assim. Um Estado dominado pelo terror religioso.  Por aqui, vemos coisas que lembram esse fundamentalismo. Ameaças de intervenção militar, ataques à Constituição e ao STF, etc. É de arrepiar quando ouvimos aquela conversa de ministro “terrivelmente evangélico”. Aliás, o pastor Edir Macedo chegou a dizer, publicamente, que as mulheres só deveriam estudar até o ensino médio. Tem tudo a ver, não é?

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O Estado laico já foi alvo de muitas discussões no Brasil. O catolicismo foi a nossa religião “oficial” até a proclamação da República, mas a conversa só foi definitivamente afastada com a Constituição de 1988, que reafirmou a liberdade de culto como um direito humano fundamental. Até recentemente ainda se discutia a presença de crucifixos nas repartições públicas, lembra? Uma conversa bem anacrônica.

Temos, pois, a importância do Estado laico. Nenhuma ação governamental pode ser justificada por motivos religiosos. A separação entre Estado e Religião garante os valores republicanos, o desenvolvimento social e cultural, e também a paz social. E aqueles que professam religiões distintas podem se dedicar à própria fé e ao cultivo de sua espiritualidade, com seus direitos civis garantidos.

Um Estado laico garante a cidadania também para aqueles que não professam qualquer fé religiosa, ou duvidam dela, como os ateus, os céticos e os agnósticos. Num Estado religioso como o implantado pelo Talibã eles seriam sumariamente degolados.

O Estado laico é um valor civilizatório, e sua defesa é um dever de todos.

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