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Curiosidades eleitorais

Publicado em 22/11/2020 19h12 - Atualizado há 2 meses - de leitura

A abstenção eleitoral em Santa Rosa ficou perto de 20%. Em Porto Alegre, 33%. No Brasil, em média, a ausência ficou acima de 23%.

Talvez seja efeito da pandemia, mas para alguns analistas estes índices trarão ao debate público uma velha questão: a obrigatoriedade do voto. A abstenção vem crescendo nas últimas duas décadas. A grande questão é saber se o voto voluntário fará surgir o voto consciente da cidadania ou vai estimular o voto comprado e de cabresto. Questão para intensos debates, sem dúvida.

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Entre as curiosidades deste pleito, está a presença de idosos em cargos importantes. Isso mesmo, os velhinhos não querem ficar em casa. Em Muriaé, Minas Gerais, um sujeito virou prefeito aos 95 anos de idade. O conhecidíssimo Eduardo Suplicy, em São Paulo, foi eleito vereador aos 81 anos com 167.000 votos. A ex-prefeita, que agora concorre como vice, Luiza Erundina, vai para o segundo turno da capital paulistana aos 85 anos.

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Outra curiosidade: nas capitais brasileiras, os negros ocuparão 44% das cadeiras. É um crescimento notável, e de significado social indiscutível. Além disso, surgiu nesta eleição a participação de transexuais. A vereadora mais votada em Belo Horizonte, com 37 mil votos, é a transexual Duda Salbert. A população de lá entendeu que o mais importante é a atuação política e não a orientação sexual. E no Rio de Janeiro uma das mais votadas foi a viúva de Marielle Franco, a vereadora assassinada pela milícia carioca em março de 2018.

Essas presenças na política constituem, sem dúvida, um belo avanço dentro de um Brasil tradicionalmente conservador.

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Para os analistas, o pleito trouxe duas novidades interessantes e muito bem-vindas. A primeira é que o bolsonarismo perdeu terreno. Muitos candidatos apoiados pelo presidente perderam nas urnas. Na esteira disto, o eleitorado das grandes cidades mostrou que está cansado da polarização na política. As principais cidades terão prefeitos dos mais diversos partidos. Alguns partidos aumentaram seus votos e outros perderam. Tudo muito natural. Mas nenhum poderá dizer que é o grande vencedor do pleito. Um fato novo é que partidos do chamado “centrão”, que estavam em silêncio, cresceram no país. Se isso será bom, ninguém sabe.

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Outra revelação interessante é que 21,4% dos eleitos para as prefeituras são milionários. Ou seja, um em cada cinco prefeitos tem patrimônio superior a R$ 1 milhão. São cerca de 1.100 prefeitos nesta condição.  

Minas elegeu 170 destes abonados. Aqui no Rio Grande são 125 prefeitos milionários. Os mais ricos do país são Ailton Garcia (PSL), do interior paulista, que tem patrimônio declarado de R$ 440 milhões. O segundo é Vittorio Medioli (PSD), de Betim (MG), que declarou patrimônio de R$ 351 milhões. Você ainda acredita que eleição não envolve o poder econômico?

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Em grandes cidades brasileiras está surgindo uma novidade, as candidaturas coletivas. Um grupo de pessoas com interesse comum escolhe uma delas para representá-los. Se a pessoa escolhida é eleita, o gabinete dela é comandado pelo grupo, de forma coletiva. Algo bem diferente das candidaturas individuais. Nesta eleição surgiram candidaturas que representam associações de bairro, de ONGs defensoras de animais e do meio ambiente, entre outras. Algo inovador e bem interessante.

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