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Comida de panela

Publicado em 21/05/2022 19h33 - Atualizado há um mês - de leitura

Comida de panela

Com o friozinho da semana anunciando o inverno, duvido que você, caro leitor, não tenha pensado numa comida de panela. Algo quente e substancioso, o que faz lembrar nossa semelhança com os ursos. Queremos fazer reserva de energia. Deve ser instinto. Vale até fazer uma lista de dar água na boca. Mocotó, mondongo, dobradinha, feijoada, vaca atolada, entrevero, pirão e outros. E ainda acrescentar algo mais leve, como purês, sopas, caldos, etc.

Mondongo e mocotó muitas vezes se confundem, e há quem não veja diferença entre eles. São pratos conhecidos em toda a América do Sul e, aqui no Rio Grande, sobreviveram na nossa culinária graças aos escravos do campo, que usavam partes de animais que não eram consumidas pelos seus patrões.

Hoje, são considerados pratos requintados e apreciados pela gauchada.

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Estas comidas de panela têm algo em comum que é a mistura, uma certa confusão de ingredientes, a ideia de alimento substancioso e farto. No mundo de hoje o que vemos é gente comendo cereais, grão de bico, águas dietéticas, frequentando terapias, dormindo às oito da noite e levantando às 6h para ir ao pilates ou ao “beach tenis”. Uma vida arrumadinha, perfeita, dosada e chata. 

O mocotó é exatamente o contrário. É uma bagunça e nos dá a sensação de liberdade, de que estamos transgredindo todas as regras. Diante das receitas não calóricas e emagrecedoras, o mocotó é uma heresia, um pecado. É quase a liberdade.

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Nome bem instigante, por seu turno, é a tal “vaca atolada”. É um prato da comida caipira apreciado em todo o Brasil, feito com costela bovina, mandioca, e qualquer outro ingrediente que o cozinheiro queira acrescentar. Também é uma bagunça, e fica bom de qualquer maneira. Não confunda com a rabada, que é um guisado feito com o rabo do boi.

A origem do nome é bem curiosa. Tropeiros de Minas Gerais tinham de atravessar a Serra da Mantiqueira conduzindo rebanhos e levavam retalhos de carne em seus alforjes. Quando as chuvas impediam a continuidade da viagem, isto é, quando “as vacas atolavam”, era hora de parar, montar o acampamento e cozinhar.

Sem dúvida é uma explicação bonita, quase poética.

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Como disse acima, o mocotó não é exclusividade do gaúcho, embora por aqui tenha alguns ingredientes diferenciados em sua receita. Teve origem em Portugal, e surgiu como refeição de baixo custo e bem nutritiva, feita com partes rejeitadas pelos abatedouros. Por isso é que o prato inclui tripas e partes do intestino do animal. Em Portugal é um prato muito popular, chamado “mão-de-vaca”.

Mas há um perigo aqui no Rio Grande, pois temos o péssimo hábito de jantar mocotó regado com uma cerveja bem gelada (mais de uma, com certeza). O resultado disso é que você passa a noite sonhando com dinossauros subindo pelas paredes e, no dia seguinte, pode ser confundido com uma bateria de rojões de uma festa junina.

Há quem se divirta com esses ruídos...

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E o gaúcho campeiro, que geralmente é de poucas palavras, explicava para um gringo como é feita a linguiça aqui no Rio Grande do Sul:

— É simples. Mata o porco. Tira a tripa de dentro do porco. Mói o porco. Enfia o porco moído na tripa. Pronto.

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