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Ainda falando dos gaúchos

Publicado em 17/09/2021 09h13 - Atualizado há 4 semanas - de leitura

Final de semana de feriadão gaúcho pela frente. Duas semanas atrás falávamos sobre a formação do povo gaúcho na liberdade dos campos, e suas dificuldades. O peão, de fato, sempre foi e continua sendo um homem pobre. O termo “farrapo”, segundo alguns historiadores, foi cunhado pelos soldados do Império, que encontravam pela frente grupos de guerreiros gaúchos maltrapilhos, trajando roupas gastas e rotas. O termo acabou se incorporando ao nosso vocabulário.

Nas estâncias, os proprietários vestiam-se conforme sua origem europeia, e as roupas usadas eram doadas à peonada, especialmente trajes de religiosos e de soldados. A roupa do pampeano tinha como objetivo principal proteger do frio e facilitar o manejo do gado e do cavalo. Esta é a origem do chiripá, da guaiaca, do pala, etc.

 Tudo isto sofreu modificações com o passar do tempo. Mas a indumentária festiva do gaúcho que conhecemos hoje surgiu, de fato, no século XX, com o aparecimento dos centros de tradições. Na Argentina eles já existiam no final do século XIX, mas por aqui o primeiro CTG de Porto Alegre, por exemplo, surgiu somente em 1948 (o famoso “35”). A partir de então passamos a ter uma espécie de “tradição inventada”, que mistura elementos que fazem parte da vida do gaúcho com outros que surgiram nos centros de tradição, por obra de alguns “especialistas” em tradição.

 O exemplo mais conhecido é o do vestido de prenda, que imita os vestidos da era vitoriana e que chamam de “vestido armado”. Ele surgiu recentemente, a partir dos regulamentos criados pelos CTGs. Na verdade, a mulher do campo nunca usou este tipo de vestimenta.

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A imagem que temos hoje é também resultado da indústria cultural. Grupos de pessoas urbanas passaram a apreciar e copiar algumas tradições, o que proporcionou o surgimento dos CTGs e também dos festivais da canção. Os festivais despertaram a curiosidade do público urbano em relação às lidas campeiras, uma curiosidade que não existia anteriormente.

A polêmica (que podemos chamar de “ideológica”) reside no espírito conservador que gerou o tradicionalismo, embora isto não seja algo tão pacífico assim. Para uns, há uma idealização do passado, como se a vida errante do campo fosse um ideal a ser perseguido. Por isso, equivocadamente, louvam a estrutura econômica e social injusta das sesmarias.

Mas, para outros, a questão pode ser vista sob outra ótica. Não há nada de errado em conhecer e apreciar costumes do campo, pois eles são elementos que nos unem e formam uma identidade. Fazem parte da nossa história comum. Isto, sim, é importante. Nos dias de hoje nos ajudam também a resistir à massificação e padronização trazidas pelo mundo globalizado.

É aí que eu queria chegar.

A diversidade cultural no mundo é algo encantador. Seja a cultura gaúcha, a cultura dos índios da Amazônia ou a dos morros cariocas, o fato é que essa diversidade torna o mundo fascinante e muito nos ensina.

O mundo globalizado, porém, está ficando muito chato. E dou dois exemplos. Se você cruzar o mundo num avião, com os olhos vendados, só podendo abri-los nos aeroportos, possivelmente nunca saberá onde está. Os aeroportos são todos similares, com as mesmas lojas, o mesmo ar-condicionado, etc. Comida em lojas como Mcdonald`s, Burger King, Pizza Hut e outras redes multinacionais, é a mesma em qualquer lugar do mundo. Uma chatice!

A cultura gaúcha, formada ao longo dos séculos, pode ser um antídoto contra a chatice do mundo globalizado, padronizado, homogeneizado. Ela tem sua originalidade e seu sabor. Afinal, nada como um chimarrão e um churrasco!

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