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100.000

Publicado em 15/08/2020 12h06 - Atualizado há um mês - de leitura

Em agosto de 1945 foram lançadas as bombas sobre Iroshima e Nagasaki.  Você conhece essa história. Até hoje há quem afirma que o Japão estava prestes a assinar uma rendição, mas o alto comando dos americanos entendia que não teria outra oportunidade para utilizar a bomba que mudou o destino do mundo.

Os mortos não foram contados. Uma estimativa diz que foram entre 70 mil e 150 mil. Alguns milhares morreram nos meses seguintes, vítimas de ferimentos e da radiação. Foi há 75 anos, e até hoje o mundo chora ao lembrar daquelas vítimas.

Digo isto porque aqui, no Brasil de 2020, já passamos de 100 mil mortos na pandemia e, talvez por medo, tentamos ignorá-la. A psicologia explica. Quando estamos aterrorizados, procuramos refúgio na negação. É claro que isso nada resolve. Aliás, deveríamos estar em prantos pelos nossos mortos, mas achamos que a morte é algo que só acontece com os outros. Ninguém parece chocado com 100 mil mortos. Essa história de “tocar a vida” é para gente estúpida e incapaz de ver a dor humana.

Como nos tornamos tão insensíveis? Estamos todos anestesiados pela crise? Onde estão nossos valores cristãos e civilizatórios? Vale refletir a respeito...

***

Mudando de assunto. Diariamente passo em frente ao prédio da antiga prefeitura, cuja remodelação está em andamento e nos dará um centro cultural. Dizem por aí que será para breve, aproveitando o período eleitoral. Não importa. Aliás, um centro cultural é algo de que a cidade sempre necessitou.

Pois o prédio, que tem muita história social e política, foi “abandonado”, se não me falha a memória, em 1998, quando o prefeito Júlio Osório Brum de Oliveira, por questões de segurança estrutural do edifício, deslocou a administração para o local onde está até hoje. Já se passaram 22 anos.

Eu falei 22 anos? Cruzes! Vinte e dois anos para montar um projeto e reformar um prédio que já pertencia ao município? Me belisquem, por favor! Quando dizem que a cidade é criativa, inovadora e empreendedora, eu fico me perguntando onde estavam estas virtudes ao longo desse tempo todo? Vinte e dois anos! Acho que vou fazer umas preces para Nossa Senhora do Pessegueirinho! Vinte e dois anos! E pode ser mais!...

***

Confesso que imagino o centro cultural com oficinas e cursos de xadrez, pintura, informática, redação, artesanato e o escambau (quem sabe eu não me inscrevo num cursinho de crochê e macramê?). Com café e confeitaria, é claro! Com sala de cinema e teatro. Um prédio vivo e útil para a cidade, capaz de revitalizar aquela área central. Lugar para jovens e para a alegria da “melhor idade”. Um local de encontro de pessoas, dinâmico, democrático e alegre.

Estou sonhando? Acho que não. Para início de conversa, não podemos imaginar que a gestão do prédio deva ser entregue a alguém “iluminado”. O centro deve ser uma montagem da cidade (no sentido de que é um espaço a ser “construído”, “concebido” e “delineado” por muita gente que deseja contribuir e participar). Aposto que os colaboradores serão incontáveis.

Aliás, acho que quem deve tomar a frente disso tudo é o Conselho Municipal de Cultura, pois ele é composto por muitos setores e representa a comunidade. Juntamente, é claro, com a Secretaria Municipal de Cultura. Muita coisa pode ser feita por lá. Este é um momento em que devemos pensar com grandeza, com um pouco de ousadia, e a convicção de que não estamos construindo uma obra para o nosso próprio egoísmo e desfrute. Ela será de todos e para o futuro.

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