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Vacina: um lenitivo para o corpo e para a alma

Publicado em 17/04/2021 10h38 - Atualizado há 5 meses - de leitura

Escrever sobre si mesmo tem de ser na dose certa para não se tornar chato. Aí começa o dilema: para a aferição dessa dose certa, tem de se considerar o QI, a cultura e a sensibilidade de cada pessoa. Pois bem. Mesmo correndo o risco de me tornar desagradável, vou abordar um assunto preponderantemente pessoal, sim, mas também de interesse geral - ao menos na minha avaliação. Logo, ultrapassa a intimidade pessoal, ainda que possa parecer defesa em causa própria. Vou ao ponto. Relato, em apertada síntese como dizia Paulo Brossard, o que ocorreu comigo na penúltima quinta-feira quando recebi a 2ª dose da vacina CoronaVac (chinesa, envasada pelo Butantan) para o combate ao vírus que abala o mundo. Falo de pronto do meu 1º sentimento: a emoção. É essa emoção que divido com aqueles, não importa quantos, que me leem.

Agendado para as 9h30min do dia 9 de abril, 15 minutos antes do horário aprazado estava eu no posto de saúde da rua Buenos Aires, 40, em Santa Rosa. O 1º destaque destino a terceiros: às pessoas de jaleco branco pela excelência dos serviços que prestam às dezenas de pessoas que buscavam a certeza, que nem a ciência nos dá, sobre a Pandemia: lá, uma servidora organizava a fila de pessoas ansiosas ou com dificuldades, outras duas anotavam os dados dos candidatos a vacinas e outra aplicava a injeção, todas certamente com salários não condizentes com a função de risco que exercem, mesmo assim espargindo simpatia, alegria e capacidade laboral. Até parecia que de cada pessoa imunizada, parte da imunização ficava para elas. Na seringa que carregava o antivírus, mais do que o imunizante contra a Covid-19 recebi a solidariedade humana.

Pois bem. Recebi as duas doses. Agora é esperar o lapso temporal (15 dias), segundo os médicos, para ter mais segurança ou, ao menos, menos incerteza, e, com isso, autorização oficiosa para fazer tarefas além daquelas que há mais de um ano, contrariado, venho fazendo. Com distanciamento social e cuidados sanitários como uso de álcool em gel antisséptico e máscara - acessórios que passarão a fazer parte das nossas vidas - exibo a caderneta de saúde como um troféu por ter transposto o obstáculo invisível da olimpíada nada olímpica que já vitimou muita gente. Nesses dias de espera, manterei a mesma rotina imposta pelo vírus. Mas, confesso: já me sinto com uma fração recuperada da liberdade ceifada, agora mais valorizada que antes. Todos sabemos mas nem sempre valorizamos a liberdade. Foi preciso perdê-la em parte para erigi-la à condição de bem maior, abaixo apenas, na escala de valores, da própria vida.

A luta continua. O vírus, infelizmente, até pelos prognósticos otimistas, veio para ficar. Pelo menos, por algum tempo; quanto, ninguém sabe. Por isso, a vacina anual, provavelmente assim como acontece com a vacinação contra a gripe, se incorporará ao nosso calendário sanitário. Outrossim, aviso a meus amigos - que, ao encontrá-los, me chamam de chato por lhes negar o aperto de mãos e o abraço ou compartilhar o chimarrão - que manterei minha postura antipática, gostem ou não, menos por mim e muito mais pelos outros. Ah, um esclarecimento: não furei a fila da vacina. Aguardei o chamado da minha faixa etária. Aliás, essa é a 2ª vantagem que a longevidade me proporciona. A 1ª foi a reserva do espaço para idoso no estacionamento rotativo.

Para os valentões, temerosos, porém, dos efeitos prejudiciais da vacina, informo que nenhuma reação provocou em mim. Apenas uma dorzinha das agulhas no músculo, menos do que uma picada de abelha, ou melhor, uma dorzinha com sensação de deleitação às emoções reprimidas nestes 13 meses.

Enfim, entramos no segundo ano de pandemia com a ansiedade em alta. As consequências só o tempo dirá. A vacina, se não é o antídoto perfeito para a síndrome, é um sopro de esperança. Alguém já disse que felicidade é ausência de dor. Para mim, a ausência de medo ou, ao menos, sua minimização, também.

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