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Quando o viés ideológico se sobrepõe à razão

Publicado em 05/09/2020 21h17 - Atualizado há 3 semanas - de leitura

Cesare Battisti, italiano que se refugiou no Brasil depois de se homiziar na França e no México, voltou à mídia. Não com o destaque proporcional à importância do caso, porque a Cavid-19 continua hor concour. Desta feita, em função da entrevista do ex-presidente Lula ao YouTube TV Democracia em que fez mea-culpa pela decisão, quando presidente, contra a extradição do facínora Battisti. No entanto, parece-me que Lula fez meia mea-culpa, pois seu arrependimento vem desconectado de convicção: reconhece o erro ao mesmo tempo em que terceiriza sua triste decisão a Tarso Genro, seu ministro da Justiça. Relembrando: Battisti, preso pela PF, teve pedido de refúgio político no Brasil acatado por Lula. Foi a 1ª quebra do tratado de extradição entre Brasil e Itália. A Itália provou que Battisti era um criminoso comum, mas, para Tarso, era perseguido. Na mesma linha, o STF decidiu que os crimes de Battisti nada tinham a ver com ideias ou com a ideologia professadas. Logo, deveria ser extraditado. Porém, a mesma Corte, em jogo de carta marcada, deixou a palavra final com o presidente da República. Ou seja, reduziu sua própria competência para favorecer um delinquente.

No último dia de mandato, Lula concedeu a Cesare Battisti o status de refugiado político, quando até os quero-queros que vivem em frente ao Palácio da Alvorada sabiam tratar-se de criminoso de fazer inveja ao PCC. Em 2011, Battisti foi libertado. Dois anos depois, foi detido em Corumbá fugindo. Com Bolsonaro eleito, que na campanha eleitoral prometera extraditá-lo, Battisti evadiu-se para Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, onde foi preso. Coube a Temer, ainda presidente, devolvê-lo à Itália. No presídio da Sardenha, Itália, onde cumpre prisão perpétua, Battisti confessou seus crimes que no Brasil negou e as nossas “ingênuas” autoridades acreditaram.

Agora, Lula diz sentir remorso do seu ato negando extradição, sem, no entanto, demonstrar arrependimento da generosa decisão efetivada no seu último dia de mandato. É o que deduzo de sua fala quando diz: “Nós cometemos esse erro e devemos desculpas, não tenho dúvida nenhuma... Eu nunca estive com o Battisti... Ele nunca me procurou, talvez porque eu não fosse um revolucionário de esquerda como ele. Portanto, eu mantive ele aqui porque o meu ministro da Justiça (Tarso) dizia que não tinha provas da culpabilidade.” E acrescentou: “Companheiros, muitos partidos e personalidades da esquerda pediam para que Battisti ficasse aqui.” Portanto, a ética, a prova, a justiça, o acordo bilateral foram cabresteados pelo viés ideológico. 

O depoimento a jornalistas por Adriano Sabbadin, filho de um dos alvos do grupo Proletários Armados para o Comunismo, que em janeiro/1979, quando rechaçou a bala o bando que invadiu seu açougue numa cidadezinha perto de Roma, Lino Sabbadin atingiu um dos ladrões escalados para “expropriar o capital de um comerciante burguês”. Por ter enfrentado parte do grupo de 60 pessoas, sem imaginar que lutara contra o “comando revolucionário”, Lino foi condenado à morte pelo Tribunal integrado por Battisti. Adriano tinha 17 anos quando testemunhou a execução sumária do seu pai.

Em 2010, na sessão do STF que julgou procedente o pedido de extradição formulado pela Itália, Tarso, misericordioso, disse: “Não faz sentido entregar um perseguido ao carrasco”. Um perseguido, não; um facínora, sim. No entanto, o mesmo ministro, em 2007, nos jogos Pan-Americanos no Brasil, deportou sumariamente para Cuba os pugilistas Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux que haviam abandonado sua delegação. Agora, Lula diz: “O Battisti mentiu muito, muita gente acreditou nele”. Eu fora, senhor Lula! Acreditaram 1) ingênuos e 2) lenientes com o crime.

Ah, para relembrar: Tarso Genro, quando governador do RS, recebeu Cesare Battisti em Palácio na condição de herói. Ou seja, mais uma exaltação a uma pessoa do mal.

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