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Os números impressionam: um veículo para cada 1,271 habitante

Publicado em 22/05/2021 10h45 - Atualizado há 4 meses - de leitura

Santa Rosa tem 57.847 veículos para 73.575 habitantes, ou 1,271 veículo por habitante (POA tem um veículo para cada 2,04 habitantes). A frota dificulta a mobilidade mas é fator de status e gera imposto. O IPVA é dividido 50% para o Estado e 50% para o município em que o veículo é licenciado. Para o secretário Paulo Kunkel “nossas ruas e avenidas não foram projetadas ... para este grande tráfego diário que registramos...” Verdade. É difícil estacionar. Foi pensando nisso que, em 6/3/2013, em “Estacionamento Subterrâneo” (Crônicas, meu 1º livro, p.137), escrevi:

“As ruas da cidade estão congestionadas. É que o automóvel, até 20 anos passados restrito a poucos, passou ao alcance de muitos. No entanto, a infraestrutura urbana não acompanhou esse crescimento ...

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Procurando conhecer um pouco mais sobre a cidade-luz, da moda, da gastronomia, das revoluções e da história - a Paris - fiquei impressionado com a existência de uma realidade, menos luminosa, é verdade, mas nem por isso menos interessante por baixo da capital da França.

Tudo começou no século XII quando, do subsolo de Paris, passaram a ser extraídos desordenadamente calcário e pedras para construções, entre elas, para a catedral de Notre-Dame. As extrações de forma irregular, no começo, e de forma sistemática, depois, foram abandonadas ante a ameaça de desabamentos. Mas a cidade continuou a crescer. Com isso, o peso sobre as cavernas aumentou perigosamente. Então, para evitar tragédias, seus administradores transformaram as antigas minas, catacumbas e esgotos em elementos vivos, dinâmicos e lucrativos.

Hoje, nas catacumbas do subsolo de Paris estão hospedados, entre outros, Robispierre e Lavoisier, e funciona um exemplar metrô pelas entranhas da cidade para transportar quatro milhões de pessoas por dia através de seus 214 quilômetros de linha com 62 conexões. O metrô surgiu para atender à demanda do transporte de superfície. Quer na França, quer no Brasil, os problemas com o trânsito guardam similitude. Lá, além da solução ao transporte de massa, o subsolo, que ameaçava a cidade, se transformou em atração turística pelo que representam seus 169 quilômetros de túneis, dois quilômetros de esgotos de galerias e 300 quilômetros de antigas minas. Os trens não têm maquinista, o viajante tem a visão perfeita dos túneis, o passageiro tem a sensação de estar pilotando o metrô. Enfim, o limão virou limonada.

Mas por que abordo essa questão? Porque, guardadas as proporções, os congestionamentos de trânsito, daqui e de lá, pouco diferem. Na França já enfrentados; no Brasil, não. Mas não estou pensando em metrô para Santa Rosa. Talvez estivesse se vivêssemos o ano de 2050. Por ora, penso no aproveitamento das nossas praças. Também não seria a transformação pura e simples de nossas praças em estacionamento. Muito menos a eliminação da sua variada cobertura verde. Seria o aproveitamento do subsolo das praças como garagens para automóveis.

Tecnicamente, creio ser viável a ideia. O metrô de Paris está a 20 metros abaixo da superfície. As raízes das árvores das nossas praças atingem aproximadamente três metros de profundidade. Por isso, respeitado aquilo que o ecologista Pedro Fiedoruk define como princípios da precaução, as árvores não seriam afetadas. Outrossim, há experiências bem sucedidas no Brasil (até bem pouco impensáveis) sobre projetos voltados ao meio ambiente mediante o cultivo de pequenas florestas sobre lajes e chapadas e de grama sobre telhados ...

Não ignoro que um projeto dessa envergadura exige investimentos de alta tecnologia e de elevado custo financeiro. Mas existe alternativa para o município: a concessão do serviço de exploração do subsolo das praças para 30, 40 ou 50 anos, com retorno aos cofres municipais de percentual sobre a receita a partir do funcionamento das garagens subterrâneas. Das ideias nascem as obras. Às vezes, parecem utópicas. Às vezes, são utópicas.”

A sugestão (aproveitamento das praças) foi selecionada para os 100 anos de emancipação do Município, mas nada impede, secretário Kunkel, que se antecipe seu estudo de viabilidade.

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