Blog Aquiles Giovelli
Blog Aquiles Giovelli
Aquiles Giovelli



Blog

Estatística e o oportunismo

Publicado em 21/08/2020 11h52 - Atualizado há um mês - de leitura

O Brasil ultrapassou a triste marca de 100 mil óbitos atribuídos ao vírus chinês. O Congresso Nacional, valendo-se da fatídica estatística, decretou luto oficial de três dias. A bem da verdade, o decreto é desonesto, haja vista que, sob o pálio do sentimento de pesar, buscou atingir o governo federal. Ocorre que nem todos que deixaram a vida terrena tiveram como causa mortis única a Covid-19; mas todos foram lançados na conta da pandemia. Como é óbvio ululante (Nelson Rodrigues), em todos os dias nascem e morrem pessoas. É certo que o vírus ceifou vidas, e todas as vidas são preciosas, mas alguém poderia evitá-las? A questão foi ideologizada. A minha impressão, pelos dados a seguir, é que o vírus chinês redirecionou os óbitos no Brasil.

O Portal Transparência (site sobre destino do dinheiro público) faz interessante comparação dos óbitos ocorridos de janeiro a julho de 2019 com janeiro a julho de 2020: janeiro/19, 7.062 óbitos; janeiro/20, 7.471; fevereiro/19, 6.137 óbitos; fevereiro/20, 6.354; março/19, 6.502 óbitos; março/20, 6.669; abril/19, 6.872 óbitos; abril/20, 6.708; maio/19, 7.348 óbitos; maio/20, 6.961; junho/19, 7.478 óbitos; junho/20, 7.675; julho/19, 9.520 óbitos; julho/20, 8.876. Há equilíbrio, pois, entre 2020 e 2019, e em 2019 não havia vírus. Ora, ainda que em julho de 2020 todas as mortes fossem pela Covid-19, teríamos 653 óbitos menos que em 2019. No entanto, em 2019 o Congresso silenciou.

Em suma, o decreto do Congresso, ao explorar o sentimento alheio sob o pálio da solidariedade humana, é, ademais, desonesto porque o fez para fustigar o governo central, ignorando que este foi impedido pelo STF de implementar a sua política de saúde contra o vírus chinês. A propósito, Percival Puggina, escritor, diz: “se o STF não deixou fazer, se governadores e prefeitos não fizeram e se a grande imprensa desqualificou o que Bolsonaro queria ter feito, responsabilizar o presidente por 100 mil mortes é calúnia para fugir da própria culpa.” Restaria contra Bolsonaro, por ter dito que o vírus “não passaria de gripezinha”, o crime de plágio (CP, art. 184) ao cientista Dráuzio Varella, consultor da Globo, o qual, antes dissera: “... esse vírus não tem esse potencial, de cada 100 que o pegam, 80 a 90 têm um resfriadinho de nada.”

No caso, a se cogitar de culpados, a lista deveria ser encabeçada pelos governadores dos estados, seguida pelo STF e pela mídia corporativa. Lembro: o Supremo, a pedido dos governadores, tirou do governo Bolsonaro a gestão do combate ao vírus, transferindo-a aos governadores que, a seguir, colocaram seus estados em lockdown parcial. Agora, ante o pífio resultado das medidas próprias de enfrentamento ao mal, os governadores estão liberando quase tudo justamente no forte da pandemia. O estrago, porém, está feito: criaram histeria, espalharam pânico e provaram que são maus gestores. O saldo é: mais de 100 mil mortos, empresas falidas, desemprego, o governo federal pagando socorro emergencial (R$ 600,00) e repassando dinheiro graúdo aos estados - valor que nem sempre investiram em saúde - e queda de arrecadação de 26%.

Num jogo de sombras e luzes, mortes poderiam ser evitadas? Talvez. Certezas ninguém tem. As medidas mais eficazes são uso de máscara (que a OMS no início não recomendava), higinenização, distanciamento social e tratamento precoce, o que aprendemos com o andar da carruagem. No entanto, empregados de serviços essenciais vêm da periferia, vivem com vulneráveis, viajam em lotações, etc. Por isso, o dep. Osmar Terra advogava isolamento seletivo, ao contrário do min. L. H. Mandetta, este, recomendando, ainda, a procura de médico apenas quando a pessoa tivesse sintomas graves, para evitar lotação hospitalar. Enfim, estatística, embora ciência exata, como diz Lauro Quadros, é igual a biquini: mostra tudo, menos o essencial.

Últimas do Blog

VER MAIS NOTÍCIAS



Top Vídeos

:: assista aos destaques

Tratamento que a população recebe da Previdência Social

O fato da semana é o descaso de alguns profissionais da Previdência Social em relação a população - Por Zelindo Cancian.

há 2 dias


O tema desta semana é o Ciúme

há 2 dias


Situação das pontes e estradas de Santa Rosa

há 3 dias