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Esperteza não é sabedoria

Publicado em 13/07/2020 08h21 - Atualizado há 4 semanas - de leitura

Todos conhecem a Lei de Gérson. Não é uma lei no sentido formal, votada pelo Legislativo e sancionada pelo Executivo, com sanção a quem a descumprir, mas uma norma de conduta que existe desde sempre. Como matéria institucional, ganhou força no Brasil da década de 1970 quando Gérson, craque da Seleção campeã do mundo de futebol, como garoto propaganda dizia que consumia determinada marca de cigarro porque gostava de levar vantagem em tudo. Na mensagem então veiculada na TV, que difundia o cigarro, explicitamente realçava a ideia da vantagem sem pudor. Quando eclodiu o Mensalão do PT e, na sequência do mesmo governo, o Petrolão - o 1º, o maior escândalo de corrupção da história do Brasil até aparecer o 2º -, ambos nas administrações Lula e Dilma, envolvendo, além do partido político dos dois ex-presidentes, todas as agremiações que formavam o governo de coalizão, eu, quando ouvia fulano acusar A, beltrano acusar B, cicrano acusar C, me perguntava se esses cavaleiros da justiça, em tendo oportunidade, fariam diferente dos corruptos que incriminavam.

A ocasião faz o ladrão, diz o ditado. No entanto, quem tem personalidade forjada na consciência de que o bem alheio não lhe pertence; quem tem (teve) em seus pais exemplo de retidão; quem se abeberou das lições de Jesus Cristo - não se deixa levar por tentações demoníacas. Por isso, mais consentâneo do que a ocasião faz o ladrão é a ocasião revela o ladrão. Estou abordando esse tema porque, nos últimos dias, uma legião de sem-vergonha botou a mão em dinheiro público. A demonstração de falta de ética se deu no saque de R$ 600,00 do auxílio emergencial do governo federal, destinado, por óbvio, a pessoas pobres. Segundo o TCU, são 620 mil em todo o Brasil, sendo 17 mil mortos. São, em suma, pessoas que se valeram da esperteza, a qual, ainda, é alardeada como gesto de inteligência. E não só no Brasil. O gol de Maradona com a mão, em 1986, contra a Inglaterra, sem embargo foi saudado pelos argentinos como feito com “La Mano de Dios”.

Ora, esperteza não se coaduna com princípios de ordem moral e ética, porque ela significa alguém tirar vantagem em prejuízo de outrem. No caso do programa federal referido, alguns, uma vez flagrados com dinheiro ilícito no bolso, disseram que assim agiram “por brincadeira”. Já analistas, relativizando a desonestidade (como se isso fosse decente), atribuem a responsabilidade pelo saque ilícito do auxílio ao governo federal, dada sua precária fiscalização. Quer dizer, dando azo à inversão de valores, os corruptos estariam absolvidos e o governo, crucificado. A bem da verdade, isso é banalizar a honestidade e terceirizar a responsabilidade, haja vista que diferenciar o certo do errado não depende de estrutura oficial, menos ou mais rigorosa, mas da honestidade de cada um.

Atravessamos uma época em que, de tanto ver o triunfo dos corruptos, fomos induzidos a achar normal o anormal. Em linguagem atual, era o novo normal. O período ficou para traz mas deixou um legado imoral transmitido pelos ladrões do erário público. Na mesma linha, é forçoso dizer que somos um povo que sabe muito dos seus direitos, mas pouco das suas obrigações. Basta ver que na CF a palavra direito aparece 76 vezes enquanto a palavra dever apenas quatro. Em suma, é triste constatar que temos um problema de formação moral em que esperteza é confundida com sabedoria. A lição do saudoso líder espírita Chico Xavier, responsável por notável obra social/religiosa em Uberaba/MG, é atual: “A esperteza um dia é descoberta e vira vergonha. A honestidade se transforma em exemplo para as próximas gerações. Uma corrompe a vida; a outra enobrece a alma.” 

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