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Do Coliseu de Roma ao ginásio Moroni

Publicado em 08/06/2021 10h52 - Atualizado há 2 meses - de leitura

Viajar é bom. Viajar para conhecer a história e a cultura de outros povos, melhor ainda. Hoje (temporariamente interrompida a marcha pela pandemia), o custo de uma viagem é bem mais acessível do que no passado. A limitação a viagens muito ainda se relaciona a hábitos como a “não tenho tempo para viajar” e/ou “me preocupa o futuro”. Falo por experiência própria. Longe de ter nascido em berço de ouro e sem que tivesse amealhado patrimônio material produtivo, já fiz algumas viagens, embora nem tantas como gostaria. Duas para a Itália, quero crer que, inconscientemente, atraído pelo vínculo aos meus ancestrais. De qualquer forma, é muito mais do que sonhou um filho de pequeno agricultor, que, ademais, dividiu com outros nove irmãos os poucos bens acumulados à custa de muito trabalho pelos saudosos pais, Benjamin e Zelinda Giovelli.

Nas duas vezes em que estive na cidade incendiada pelo imperador Nero no ano 64 d.C. - o mesmo que cometia incesto com Agripina, sua mãe, visitei o Coliseu de Roma, anfiteatro construído em 72 d.C. com capacidade para 50.000 espectadores, os quais se deliciavam vendo o sangue jorrar entre os gladiadores na Arena, em sinal evidente de insensibilidade à vida humana. Edificado pelo imperador Flávio Vespasiano, o Coliseu tem a altura de um prédio de 12 andares. Pela sua imponência e segurança, merece destaque a avançada engenharia que já existia há quase dois mil anos.

Encerradas suas atividades voltadas à recreação e ao lazer pelo imperador Flávio Honório, no ano 404 d.C., época em que a violência era considerada normal - diga-se de passagem, tornou-se ponto de visitação dos turistas de todo mundo, quer pela sua história, quer pela sua imponência arquitetônica. E nem poderia ser diferente. Só a sua Arena media 87,5 m x 55 m, em piso de madeira sobre as celas e as jaulas destinadas às feras. O sacrifício dos gladiadores era o ponto alto da diversão mórbida da população.

O anfiteatro, o 1º de Roma e o maior do mundo, resistiu à ação do tempo e aos terremotos e abalos sísmicos. Serviu de palco de simulações épicas de batalhas navais. Também foi alvo da cobiça dos vândalos. Durante a Idade Média, um saque - sem confirmação, mas também sem contestação - retiraram peças de mármore e bronze do Coliseu, que foram empregadas na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Pois essa maravilha (uma das sete), que desde 2007 ostenta o título de Patrimônio da Humanidade, está às voltas com uma briga, agora não mais de lança, adaga, espada, felizmente, mas entre gladiadores de ideias. De um lado, os defensores da tecnologia; de outro, os puristas, para quem mexer no prédio é profanar a história da humanidade.

O tema Patrimônio Histórico não tem consenso. Suscita teses para todos os gostos. Inclusive a ausência de tese. De toda a doutrina a respeito que conheço, achei interessante a classificação em três grandes categorias pelo mestre francês Hugues de Varine Boham: 1ª) a que arrola os elementos pertencentes à natureza. São os recursos naturais: rios, peixes, cachoeiras, corredeiras, e fazem girar moendas, monjolos, turbinas etc; 2ª) a que se refere ao conhecimento, à técnica, ao saber e ao saber fazer: compreende a capacidade de sobrevivência do homem no seu meio ambiente; 3ª) a que reúne os chamados bens culturais: como o nome diz, toda sorte de coisas, objetos, artefatos e construções obtidas a partir do meio ambiente e do saber fazer.

Sistematizado o tema por diferentes estudiosos, mas também sem que seja definido em toda a sua extensão, lembro a discussão sobre ginásio de esportes Moroni, sintetizada em restaura, por uma OSCIP, ou demole, pela Prefeitura de Santa Rosa. Mesmo sem se enquadrar em nenhuma das categorias agrupadas por Hugues, foi motivo de celeuma suscitada por um grupo que se aproximava dos puristas do patrimônio histórico, porquanto adeptos pura e simplesmente da restauração de um imóvel - diga-se de passagem - antiquado e condenado para a prática de esportes. Em suma, defendia a recuperação/conservação, sem considerar seu custo, de um monumento ao nada. Felizmente, a Justiça autorizou sua demolição

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