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Despertei antes de hackear o relatório inteiro

Publicado em 14/05/2021 09h53 - Atualizado há 4 meses - de leitura

Talvez como um sinal dos tempos, sonhei ter hackeado o gabinete de Renan Calheiros, Relator da CPI que o Senado, cumprindo ordem do STF, deu início dia 4. No final contarei amiúde o que captei. No entanto, afastar Bolsonaro do pleito de 2022 ou, não conseguindo, fazê-lo sagrar para que chegue anêmico na campanha à reeleição, não é sonho; é fato. Enfim, o show começou. Ou dá para pensar diferente de uma Comissão presidida por Aziz e relatada por Renan, senadores com uma ficha policial de dar inveja a Sérgio Cabral (RJ)? A questão está posta: tudo quanto essa CPI se propõe fazer tem a ver com a sucessão presidencial do ano que vem.

Sobre os primeiros passos da CPI, a mídia saudosa do dinheiro farto (de Petrobras, BB, CEF, Correios), no 1º depoimento - o do L.H. Mandetta - alardeou que o ex-ministro nocauteou Bolsonaro. Ora, eu me impus o sacrifício de acompanhar a sessão. Mandetta disse o que convinha a um candidato a presidente. Só não explicou - nem foi perguntado porque não convinha à farsa montada - com base em que, primeiro mandou não usar máscara, depois mandou usar; orientou para só procurar hospital quando com febre ou falta de ar; esvaziou UTIs durante meses; e, ao se despedir do ministério, sem máscara, festejou com servidores.

Mandetta foi o 1º ministro da Saúde do atual governo. Saiu porque se desentendeu com Bolsonaro sobre o distanciamento social, o ministro pregando-o, o presidente orientando adotá-lo apenas em doentes, grupos portadores de comorbidades e idosos. Além disso, Mandetta se aliou a Dória, governador/SP, passando a fazer oposição ao governo ao qual servia. Tornou-se governo e oposição a um só tempo. Tivesse dignidade, teria deixado muito antes o governo. Mas não, esperou ser exonerado para criar um fato político.

Sobre vacinação, um dos assuntos abordados por Mandetta, tendo por referência o dia 5, o Brasil estava atrás apenas dos países produtores: EUA, China, Índia e Reino Unido, os quais seguiram a regra de Mateus: “Primeiro os meus!” Quanto ao tratamento precoce, objeto de embate na CPI entre o ex-ministro (contrário) e o senador Heinze (a favor), são milhares de médicos defendendo o tratamento. A nível local, sem citar nomes posto que não autorizado, a esmagadora maioria com quem conversei sobre infectados é a favor do tratamento precoce. Um deles me disse que, com o procedimento, mais de 400 pessoas, muitas com comorbidades, foram salvas sem internação hospitalar.

O segundo depoimento foi o do também ex-ministro da Saúde, Nelson Teich.  Disse que saiu por ter se recusado a ampliar o uso da cloroquina. Correta a atitude. Ao discordar do governo, restava-lhe deixar o governo. Por outra, para a imprensa militante o destaque foi Teich dizer que Pazuello tinha sido indicado por Bolsonaro para assumir a pasta. Ora, disse o óbvio. Quem, em regime presidencialista, nomeia e demite é o presidente.

Os detratores do tratamento precoce sustentam que não há comprovação científica da cloroquina e que ela oferece risco de efeitos colaterais. Quanto à comprovação, respeito a ciência, mas lembro: ela se assenta em testes. Ora, não é seguro milhares de pessoas que melhoraram com o consumo do produto? Quanto aos efeitos colaterais, como velho consumidor de remédios (hipertensão, diabetes, artrite), digo: quem lê a bula (extensa e em letra miúda) toma chás. Por amor à verdade, impõe-se ainda dizer que tratamento precoce pressupõe combinação com azitromicina, zinco, anticoagulantes etc.

Como estamos em tempo de hacker (legal, para o STF), revelo que, em sonho, também fiz minha interceptação. Acessei o relatório da CPI sob os cuidados do impoluto senador Renan Calheiros, constatando que está pronto - aliás, já estava antes de a CPI começar. Suas conclusões: 1ª) o presidente Bolsonaro é o culpado; 2ª) Renan Fº, o governador de Alagoas, não será investigado por desvio do dinheiro federal destinado ao combate do vírus chinês porque, tal qual o pai, é honesto. Só não é o mais honesto do Brasil porque esse título já pertence a Lula. O relatório contém mais, mas aí, infelizmente, despertei do sono.

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