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Ao Paulo: reverenciando sua memória e lembrando pautas suspensas

Publicado em 13/08/2021 13h40 - Atualizado há 2 meses - de leitura

Como noticiado, faleceu no dia 03 Paulo Madeira, ex-vereador, advogado, ex-presidente da OAB/subseção de Santa Rosa, ex-presidente do Badesul, ex-Provedor do hospital Vida de Saúde, amante do samba, escritor. Com o Paulo, durante vários anos dividi uma página do jornal Gazeta escrevendo colunas semanais. Fomos também vereadores na mesma legislatura (1969/1972), militando politicamente em campos opostos, o que serviu para fortalecer nossa relação de amizade posto que alicerçada em dois pilares básicos: a) na lealdade recíproca nos nossos embates e b) na descoberta - na divergência - de que tínhamos muito mais coisas que nos uniam dos que nos separavam. Conversávamos com muita frequência, pessoalmente até o surgimento do maldito vírus chinês, por telefone e por WhatsApp a partir da pandemia. A pedido do Dr. Paulo, então presidente da OAB local, fui honrado com o encargo de coordenar a II Jornada de Estudos Sobre Questões de Fronteira do Mercosul, que foi realizada em Santa Rosa em maio de 2000, evento coroado de êxito. No nosso último diálogo - virtual, por óbvio - depois do Paulo me relatar alguns cuidados com a saúde que vinha intensificando, respondi: “Não, você tem muita lenha pra queimar”. Pior é que me enganei ... Paulo tinha pouca ou, melhor, menos lenha a queimar do que imaginava. Enfim, morreu um cidadão, ficou um legado. Uma das obras do filósofo Cortella, é: Não Espere Pelo Epitáfio ... Paulo não esperou; construiu seu epitáfio.

Em seu livro de crônicas Por um Fio, em que Paulo relata, em síntese, que por muito pouco sua vida não teve outro rumo, que li e guardo com carinho, ele foi generoso ao me fazer a seguinte dedicatória: “Ao amigo Aquiles, meu colega do coração.” Já na página 132 da mesma obra, ao invocar um comentário que eu fizera sobre um dos julgamentos do ex-presidente Lula, honrou-me com a seguinte referência: “E como tem dito, reiteradas vezes, meu amigo Aquiles Giovelli: às vezes, o crime compensa”. Entretanto, a vontade Divina não permitiu que continuássemos com nossas pautas - temporariamente suspensas, imaginava eu, por força da pandemia causada pelo coronavírus -, entre elas, a decisão do STF que, sob medida, como que num passe de mágica, transformou o ex-presidente Lula de ficha suja - e bota ficha suja nisso! - em ficha limpa. Agora, Paulo, pelo modo virtual, depois daquela despudorada decisão que anulou os processos da Lava-Jato, sou forçado a dizer ao meu amigo fisicamente ausente - porquanto sua partida inesperada não permitiu rediscutir a matéria - que estou inclinado a substituir a locução adverbial de tempo “às vezes”. É que a usei em um momento em que acreditei que a Pátria amada estava sendo passada a limpo para sempre. Confesso, foi ingenuidade minha. Não contava ou, melhor, nós dois não contávamos com a união das forças da esquerda e da direita para sepultar a operação esperança dos brasileiros, saudada como patrimônio dos brasileiros, a Lava-Jato.

Para ser explícito, depois da decisão em comento, do STF, estou inclinado a suprimir a locução “às vezes” (com o perdão dos gramáticos se estou empregando equivocadamente a locução) para ficar apenas com a segunda parte, qual seja, “o crime compensa”, haja vista que o comportamento do Pretório Excelso, no caso, não foi uma exceção nos últimos tempos. Por óbvio, estou me referindo ao tratamento dado aos corruptos. Ocorre que nós, Paulo, que víamos a Lava-jato como um divisor de águas, ignoramos a força dos poderosos então amedrontados pela primeira vez. Mas vamos combinar: tanto eu quanto você ignoramos que eles reagiriam como reagiram, na Itália, Berlusconi e outros corruptos fisgados pela Operação Mãos Limpas. Infelizmente, nessa união escusa, chancelada pelo STF, até a reputação do juiz Sérgio Moro foi destruída.

Dito isso, Paulo, espero que nossa separação física não seja empecilho para que continuemos a nos comunicar. Ah, ia esquecendo: o lançamento do “Papo 90”, alusivo à emancipação político-administrativa de Santa Rosa, dia 10, foi um sucesso. É um resgate histórico feito pelo Hortigranjeiros digno de registro. Fique com Deus, Paulo!

Voltando para o espaço terreno, meu abraço solidário à sua dedicada esposa Nívea e aos filhos e netos, a razão maior do viver de Paulo Madeira.

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