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A intolerância religiosa

Publicado em 26/04/2021 09h06 - Atualizado há 5 meses - de leitura

A CPI da Covid foi instalada pelo Senado por ordem do STF, contra Bolsonaro. Aliaram-se aos algozes de presidente, o PSDB e o MDB. Quer a Relatoria da CPI o Renan Calheiros, senador com 8 processos perante o STF, tramitando, como convém ao político, a passos de cágado: Quadrilhão do MDB (nº 4326), R$ 864,5 milhões; Corrupção na Transpetro (nº 4215), R$ 150 mil; Propina da Odebrecht (nº 4426), R$ 5 milhões; Cx 2 da Odebrecht (nº 4464), R$ 500 mil; Desvios no Postalis (nº 4492); Propina da JBS (nº 4707), R$ 3,8 milhões; Propina no Estaleiro Rio Tietê (nº 4832); Propina no Estaleiro Atlântico Sul (nº 4833), R$ 32 milhões. Ademais, Renan é pai governador de AL, investigado na mesma CPI. Como disse, contra Bolsonaro, à oposição uniram-se MDB e PSDB mirando o 2º turno, em 2022, já que uma outra vaga será do Lula. Então, cassar Bolsonaro se impõe.

A ordem para instalar a CPI, também chamada comissão da vingança, foi dada ao Senado pelo STF, em mais uma intromissão indevida. Isso ofuscou outra intromissão da Corte nas igrejas, proibindo-as de realizarem cultos. A intromissão anterior fora a retirada dos crucifixos das salas da Justiça por ordem do Des. Cláudio B. Maciel, em 2012, quando, em A crucificação do crucifixo, escrevi: “Vejo na decisão ... um ato de intolerância.” Mais adiante: “... lembro que, por coerência à decisão em comento, e pelo princípio republicano laicista, nomes como os das capitais do Rio Grande do Norte (Natal), Pará (Belém) e Maranhão (São Luiz) deverão ser substituídos... Em são Paulo, as estações de metrô (Conceição, São Judas, Santa Cruz, Paraíso, São Joaquim, Sé, São Bento), pela linha de raciocínio em exame também se constituem em atentado ao Estado laico.” E finalizava: “Sobreleva destacar, ainda, que, na formação do País, os católicos sistematizaram o Brasil como Nação. Com isso, assentou-se, desde seu descobrimento, na fé e nos valores cristãos. Trata-se de legado que interferiu diretamente na formação dos brasileiros, católicos ou não. Esse é mais um dado histórico-cultural ... Data venia, a Magistratura gaúcha crucificou o crucifixo.”

Nove anos depois, como se vê, os temas fé e valores históricos foram parar no STF através de ação de advogados evangélicos pedindo a abertura das igrejas, pedido este indeferido com base na Pandemia. Mas o temor em contrair o vírus chinês seria suficiente para afastar os fiéis dos seus respectivos templos? Não. Impunha-se medida mais drástica: unir medo (se comparecer ao templo, vai ser infectado) com opressão (a excepcionalidade do momento exige distanciamento). Aliás, a melhor forma de eliminar as pessoas que nutrem a fé é extirpar o mal pela raiz, ensinou Antonio Gramsci, cofundador do PC Italiano: “O mundo civilizado tem sido saturado com cristianismo por 2000 anos, e um regime fundado em crenças e valores judaico-cristãos não pode ser derrubado até que suas raízes sejam cortadas.” Portanto, “cortar” o mal (prática de atos religiosos) é receita Gramsci.

Sobre a liminar deferida às igrejas - com preservação dos protocolos - pelo min. Nunes Marques, o min. Marco Aurélio disse: “ele (Nunes) deve ser muito religioso.” Como diz Alexandre Garcia, “isso torna a recíproca verdadeira. Sendo assim, quem concede habeas corpus a traficantes, é entusiasta do tráfico.” Marco Aurélio, Gilmar, Lewandowski e Toffoli adoram soltar criminosos. Logo, pela lógica Marco Aurélio, se o problema do Nunes é ser muito religioso, esses quatro ministros seriam muito admiradores de bandidos. Lembrem: Gilmar soltou traficante com 188 quilos de cocaína por ter bons antecedentes.

Só duas limitações existem à crença: 1) no estado de sítio; 2) no estado de defesa. E ambas somente o presidente da República, com a aval do Senado, pode decretar; nunca através da caneta de governador estadual. Logo, a vedação à realização de cultos, pelos bastiões da ética ancorados no STF, é intolerância religiosa. Por outro lado, há pouco o presidente esteve em Aparecida (SP) com o prefeito da cidade. Ele contou a Bolsonaro que a população do município (80%) está desempregada, porque o Santuário está fechado. O presidente falou que o povo tem o direito de praticar religião. Correto o Bolsonaro. Porém, não é o que pensam os tutores da fé instalados no STF.

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