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A Inquisição e a CPI da Covid

Publicado em 26/06/2021 07h00 - Atualizado há 3 meses - de leitura

Ainda criança aprendi que os padres representam Deus na terra. Afinal, como duvidar de quem podem perdoar nossos pecados! Já excomunhão era a pena a quem questionasse os homens de batina. Contudo, cresci e, curioso, tive oportunidade de descortinar novos horizontes. A partir daí, temas tidos como dogmas passei a questionar - nenhum, porém, com tanta intensidade quanto a Inquisição, símbolo da injustiça que teria sido patrocinada pela Igreja Católica. Isso me intrigava. Mas minha santa inocência foi ficando de lado. Ora, pensava, não poderia a Igreja, que tem o amor em sua essência, protagonizar a vingança? Também sempre soube que as atrocidades contra os seres humanos cometidas na Idade Média (séculos V a XV) tinham a Igreja como responsável. Hoje, tenho claro que a institucionalização da Inquisição, sendo feita pela Igreja, sim, foi a providência possível para dar dignidade a julgamentos da época contra os hereges. Sei que não seria a pessoa mais indicada a questionar um procedimento ocorrido na Idade Média; ademais, de alta indagação. Mesmo assim, atrevo-me a duvidar da narrativa, para mim duvidosa, que preponderou por séculos. É consenso que a Inquisição era um tribunal desumano, considerado normal, no entanto, para a época para intimidar os malfeitores e proteger os inocentes. E quem eram malfeitores ou inocentes? Essa conceituação deve ser compreendida em acorde com a cultura da época. Alguém já disse (não lembro quem) que “texto, fora do contexto, é pretexto”. De fato, sacrificar vida - dom de Deus - é inaceitável atualmente. Por outro lado, também é oportuno lembrar que na época Estado e Igreja se confundiam. “Ambas as comunidades Igreja e Estado, estavam de certa maneira num único terreno, não uma ao lado da outra, mas uma na outra, como dois círculos concêntricos dos quais a Igreja era o maior.” (G. Riter, Florença, 1963, p. 14; apud G. Martina, p. 152). O Papa João Paulo II, um dos mais lúcidos pontífices de todos os tempos da Igreja Católica, com uma preocupação especial com o Santo Ofício (assim chamada a Inquisição na Itália), promoveu, de 29 a 31/10/1988, em Roma, um Simpósio Internacional sobre a Inquisição, contando com 30 historiadores renomados, de dentro e de fora da Igreja. Pois, eles, após acurados estudos, apuraram, entre outras, que “Se somarmos estes dados não se chega a 100 casos, contra as 50.000 pessoas condenadas à fogueira, em sua maioria pelos tribunais civis, em um total de cem mil processos (civis e eclesiásticos) celebrados em toda a Europa durante a Idade Média.” No entanto, quase todas as vidas ceifadas pela Inquisição eram, e são, atribuídas à ação ou omissão da Igreja Católica. Outra conclusão do Simpósio (783 páginas): “os dados obtidos demoliram algumas ‘ideias falsas’ sobre a Inquisição”. A resposta à minha inquietação - que sei ser de muitos católicos - sobre a conivência da Igreja Católica com a Inquisição, encontrei na obra Para Entender a Inquisição de autoria do professor Felipe de Aquino, que diz (p. 17): “A Inquisição era um Tribunal que, conforme o costume da época, punia severamente os criminosos e protegia os inocentes. Os métodos usados são hoje incompreensíveis, e ninguém mais pensa em usá-los, mas eram normais para a época.” É também nessa obra que, alicerçada em vasta pesquisa, seu autor prova que a Inquisição foi institucionalizada pela Igreja Católica, sim, em 1231 - sem que se exima a Igreja de culpa - para que os acusados tivessem direito de defesa, em substituição ao julgamento sumário praticado na época. Vou ao outro ponto. Tive o desprazer de acompanhar algumas sessões da CPI da Covid. O que fazem os senadores Aziz, presidente, e Renan, Relator, PhDs em corrupção (raposas cuidando do galinheiro), bem como outros da tropa de choque contra o governo, é inquisição. Renan pergunta, responde e humilha as testemunhas que não rezam pelo seu catecismo. Ah! Não exalto a Inquisição, mas tenho que sua institucionalização pela Igreja foi um marco histórico em um período de obscurantismo no julgamento do - então tipificado - crime de heresia. No entanto, na CPI da Covid ...

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