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Lula no Vaticano

Publicado em 21/02/2020 11h35 - Atualizado há 4 meses - de leitura

Na semana passada, o Papa Francisco recebeu em audiência privada Luís Inácio Lula da Silva. No encontro, na residência Santa Marta, no Vaticano, o ex-presidente do Brasil estava acompanhado do seu ex-ministro Celso Amorim e de seu fotógrafo oficial de nome não revelado. Para efeito externo, no encontro entre Lula, representando sua pessoa, e o Papa, representando a Igreja Católica Apostólica Romana, foram discutidas duas questões: meio ambiente e desigualdade social. Com as devidas vênias, são temas que cabem em qualquer encontro. Por isso, o povo está autorizado a extrair desse evento ilações de toda ordem. Logo, a primeira observação que se impõe: não precisava o ex-presidente se deslocar até o Vaticano, muito menos encontrar-se com Sua Santidade, para tratar de duas coisas que aprisionaram o debate de outros temas de igual ou maior relevância. Ao limitar a discussão a dois, excluiu outros relevantes - por exemplo, o sexo dos anjos. Portanto, Lula poderia transmitir suas reduzidas ideias (as duas eleitas porque corrupção, para Lula, e pedofilia, para o Papa, são temas alheios a ambos; já que o coronavírus lhes é ficção) por e-mail ou WhatsApp. Ademais, por que tratar do meio ambiente e de desigualdades em segredo sepulcral? Os temas não são públicos? Salvo melhor juízo, a pauta não passou de pano de fundo para o diversionismo.

Bem, já externei meu ponto de vista. Foco, gora, insinuações que ouvi em diferentes ambientes. Uma delas, e não sem
razão ante o sigilo do encontro, é que o Papa Francisco teria chamado Lula ao Vaticano para ser seu confessor, tendo a escolha recaído no ex-presidente dada a condição de Lula ser o mais honesto do mundo, a avaliar sua própria sentença: “não tem uma viva alma mais honesta do que eu” - para o Papa, a afirmação é um dogma. Por isso, sem ser autor da hipótese, não descarto que, nas cartas reversais entre ambos, tenha Sua Santidade se socorrido do homem mais puro para se confessar. Afinal, o Papa, infalível nas tarefas de sucessor de São Pedro, tem seus momentos de Jorge Mario Bergoglio, mais de Bergoglio do que de Francisco.

A outra especulação é que Lula imaginava que, fora do presídio, arrastaria multidões para onde fosse. Na rua, no entanto, sentiu o gosto amargo do abandono. O povo humilde, que a todo momento se jactava ter amparado quando presidente, se mostrou indiferente à vida em liberdade do ex-presidiário. Restaram-lhe os saudosistas. Mas ele não se deu por vencido. Estrategista, arquitetou o encontro encobrindo cilada ao Papa. Conseguiu. De quebra, atraiu os holofotes do mundo às custas da autoridade máxima da Igreja Católica. Segundo o mesmo grupo, o Papa não teria se tocado da fria em que entrou, o que, ainda que à hipótese eu aderisse, não acredito. Ocorre que Francisco não é ingênuo; é, antes, conivente, dando, sim, um tiro no pé da igreja que dirige.

Outras especulações foram levantadas. Mas, para não ficar chovendo no molhado, percorro caminho diverso às especulações suscitadas. Assim, com o perdão pela franqueza, não me lembro de tanta hipocrisia por m² quanto no salão sagrado em que se deu o encontro entre o ex-presidente do Brasil e o Papa: de um lado Lula, condenado em dois processos em duas instâncias, ditando cátedra sobre o que deve ou não ser feito; de outro, o Papa Francisco abençoando a “alma mais honesta”...

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