Quatro conceitos importantes antes de comprar um aparelho auditivo

A Dr. Carla Cristina Backes é Especialista em Audiologia pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia.

Quatro conceitos importantes antes de comprar um aparelho auditivo

A reabilitação auditiva através dos aparelhos pode melhorar a interação social, o desempenho escolar e profissional, fazendo com que os pacientes se relacionem com as pessoas e o meio a sua volta de forma mais efetiva e menos sofrida. Entretanto, para as pessoas que tem perda de audição, que foram avaliados por médicos e fonoaudiólogos audiologistas e tiveram indicação de usar aparelhos, muitas dúvidas ainda permanecem. A Dr. Carla Cristina Backes destaca "Procuro sintetizar quatro critérios importantes que se deve ter em mente antes de partir para os aparelhos auditivos. A compreensão de cada um desses pontos ajuda no entendimento de como funciona o processo de adaptação de aparelhos auditivos, para melhor aderência ao tratamento".

  1. Aparelhos auditivos, em partes, são como óculos: não deveria ser de estranheza pessoas que usam aparelhos auditivos. Essas pessoas também estão querendo ouvir melhor e isso não quer dizer que são surdas. Isso é tão comum, quanto aqueles que usam óculos. É sobre ter mais qualidade de vida e bem-estar. Se for para ser surdo, que seja o preconceito. Além do mais, os aparelhos auditivos evoluem substancialmente todos os dias. Sua tecnologia pode chegar a proporcionar aos usuários algumas capacidades que os ouvintes normais não têm, como transmissão do som sem fio e filtros de ruído. Os aparelhos auditivos não são capazes de reparar o dano às células ciliadas do ouvido interno por meio da estimulação sonora, uma vez que quando elas morrem ou são danificadas o cérebro tem mais dificuldade de interpretar os sinais que elas enviam. Desta forma, aparelhos auditivos não são capazes de corrigir a audição ao padrão normal.
  2. Aparelhos auditivos podem ser caros? quanto você acha que vale a possibilidade de viver melhor? De ouvir melhor? De entender as outras pessoas e ser compreendido? De poder escutar e compreender o movimento da vida? De melhorar sua qualidade de vida? Muitas pessoas que precisam de aparelhos auditivos acham que este exija um investimento muito alto. E realmente, um aparelho auditivo não é barato, porém existe uma variada gama de preços desde os aparelhos linha básica, intermediária, premium e avançado. Este dispositivo não foi criado para ser uma comodidade. Foi pensado para dar mais qualidade de vida aos seus usuários, resgatar a alegria em ouvir bem quem você ama e reabilitar sua audição para momentos que não podem ser medidos em dinheiro. Por isso, a indicação que eu, como fonoaudióloga e audiologista dou aos meus pacientes é: não tenha medo de investir em um, caso você precise. Desejará ter iniciado esse processo de adaptação muito antes do que você imagina.
  3. Aparelhos Auditivos têm vida útil? celulares, tablets, e eletrodomésticos possuem um tempo útil de vida. Com os aparelhos auditivos não é diferente, é necessário ter os cuidados pertinentes, comprometimento e o conhecimento do usuário. Você precisará tratar seu aparelho com carinho, ou como seu melhor amigo, seguir as orientações do fabricante e do audiologista em relação aos cuidados de limpeza e desumidificação, guardá-los sempre em local seguro e conhecido e ter sempre pilhas extras à mão. Dessa maneira eles poderão te acompanhar por muitos anos. Não existe um tempo específico. Em algum momento da vida, seja pelo desgaste natural do tempo, chegará o dia de trocá-los por outros melhores e com recursos mais atuais, considerando-se que a tecnologia evolui a cada dia, desde que seja de seu interesse.
  4. Usuários de Aparelhos Auditivos tem indicação de Treinamento Auditivo: fatores externos são tão importantes quanto as habilidades que uma pessoa tem em processar o som. Quando o usuário começa a usar aparelhos, este precisa voltar a treinar o cérebro para que ele se acostume com a vasta gama sonora de estimulação dos sons outra vez.  Se, com audição normal, temos dificuldade em ouvir e prestar atenção em ambientes muito ruidosos, imagine pessoas com algum grau de perda auditiva. Estes apresentam maiores dificuldades em separar os sons e normalmente frequentam ambientes barulhentos que mudam a cada momento, por exemplo, o que torna-se desafiador discriminar os sons e principalmente reconhecê-los. Sendo assim, o treinamento auditivo envolve a reabilitação de habilidades auditivas do processamento auditivo central, melhorando consideravelmente o reconhecimento de fala em ambientes acústicamente desfavoráveis para usuários de aparelhos auditivos.

Dra. AuD Carla Cristina Backes

Fonoaudióloga CRFa/RS 9509

Audiologista CFFa/RS 6570

Especialista em Audiologia pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia

Drdª em Ciências Biomédicas: Eletrofisiologia | Audiologia | Próteses Auditivas

Palestrante convidada Fundação Otorrinolaringologia SP (FORL- SP)

Pontos de atendimento: Santo Cristo, Santo Ângelo, Santa Rosa

Fones: (55) 9.9927.5577