Noroeste inicia quadro para combater a desinformação sobre o suicídio

Tema vai ao ar toda a segunda-feira com o Comitê de Prevenção ao Suicídio (CPS).

Noroeste inicia quadro para combater a desinformação sobre o suicídio

A Rádio Noroeste iniciou nesta segunda-feira, 13 de maio, o quadro semanal Suicídio- Preserve a Vida, um combate a desinformação. Trata-se de um espaço especial para falar do tema, levar as principais preocupações e prevenções.

O quadro, dentro do Programa Ponto e Contraponto, irá ao ar toda a segunda-feira, com a participação de integrantes do Comitê de Prevenção ao Suicídio (CPS), que é coordenado pela médica Fabiana Breitenbach. Fabiana foi a primeira a participar do programa, e destacou a importância de abordar o assunto, levando informação e ajuda para os ouvintes que passam por este problema.

 Segundo a médica, Santa Rosa registrou mais de 200 tentativas de suicídio entre 2017 e 2018. O número é oficial e está registrado no Sistema de Informação de Agravo de Notificação (SINAN), no qual a Fundação Municipal de Saúde e o Hospital Vida & Saúde estão integrados. Ambos são obrigados, cada um na sua esfera, a registrar todos os casos de tentativas de suicídios. Também estão vinculados ao Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), para onde são remetidos os óbitos por suicídios.

“O problema é muito mais grave do que a população imagina”, ressalva Fabiana. Só em 2018, Santa Rosa registrou seis óbitos por suicídio. No mesmo período ocorreram sete homicídios, números quase iguais.

Estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicaram que em 2018 ocorreu um suicídio a cada 40 segundos, totalizando mais de um milhão de registros em todo mundo. A faixa etária mais atingida é a de jovens entre 15 e 29 anos de idade. Mesmo entre crianças e adolescentes dos 10 aos 14 anos, o suicídio é a sétima causa de morte.

E aqui? Qual é a nossa realidade? “Nossa faixa etária dos 6 óbitos registrados no ano passado aponta a maioria das pessoas com idade acima de 50 anos, o mais jovem com 27 anos e o mais velho com 73. Porém, chama a atenção o crescente número de mortes entre as mulheres (três foram a óbito).

Acredita-se que em 2018 foram mais de 100 tentativas de suicídio, superando também o número de 200 tentativas em 2017 e 2018 somados. “Nem todos os casos de tentativas que são atendidos nos serviços de saúde pública e privados são notificados ao SINAM”, justifica Fabiana Breitenbach.

O Comitê de Prevenção ao Suicídio começa a agir a partir das notificações da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), principalmente em cima das tentativas. “Realizamos uma visita domiciliar à pessoa, oferecendo ajuda que vai desde o tratamento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), até ações terapêuticas com os familiares”, destaca Adriane. “Nos casos de suicídio as ações são diretamente direcionadas aos familiares, com suporte psicossocial”, acrescenta Fabiana. É nos casos de óbitos que se concentra uma importante função do CPS, que é a busca de informações do falecido para ser construído um perfil de todos que cometeram suicídios. As estatísticas apoiam ações mais claras no futuro.

Se tem um lado positivo nesse triste e trágico cenário, é o comportamento das pessoas que fizeram tentativas. A maciça maioria aceita a abordagem e se submete aos tratamentos. Isso só não ocorre quando o atendimento já está sendo conduzido na rede privada (menos de 1% do total).

O mais grave do saldo: A média de tentativas é superior a quatro. “Ou seja, são várias tentativas, o que leva a crer que o pensamento suicida vai sendo aperfeiçoado”, alerta Fabiana Breitenbach.

Estatísticas mundiais apontam 10 tentativas em média para cada óbito. Isso dá uma noção da importância do trabalho do Comitê de Prevenção ao Suicídio e a disposição da pessoa de aceitar a abordagem e o tratamento.