Milton anuncia saída da Abosco

A decisão de Dummel foi tornada pública na manhã de sexta-feira passada, 02, após a convocação de uma assembleia do quadro de associados da OSCIP

Milton anuncia saída da Abosco

O médico Milton Dummel não quer mais presidir a Associação Beneficente Dom Bosco (Abosco), entidade criada em março de 2002 para ser a mantenedora do Hospital Dom Bosco. A decisão de Milton foi tornada pública na manhã de sexta-feira passada, 02, após a convocação de uma assembleia do quadro de associados da OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) na noite anterior. Na ausência de um número mínimo de oito e máximo de 15 conselheiros (previsto no estatuto) interessados em recompor o órgão e eleger o novo presidente, ficou deliberado que a assembleia permanecerá aberta até o dia 28 de março. Até lá, articulações serão feitas para nova composição. Até agora quatro nomes se colocaram à disposição para o novo Conselho de Administração.

Ocupando o cargo de presidente há 10 anos, além de um período como vice-presidente, Milton Dummel diz que cansou. Somente permanecerá na presidência até o próximo dia 28. Ele abriu as portas dos corredores, quartos e salas da instituição para a reportagem da Rádio e Jornal Noroeste. Os quartos do setor de internação mantidos pelo SUS estão passando por uma reforma de pintura e pisos, e ganhando novos leitos. O mesmo acontece na UTI e no setor de Tomografia Computadorizada, onde o tomógrafo está em funcionamento. A nova área de estetização está praticamente concluída, atendendo às exigências sanitárias e manuseio. O equipamento para realização da Hemodinâmica já está no hospital aguardando para ser instalado.

Uma negociação está em andamento com o Hospital São Vicente de Paula, de Passo Fundo, que demonstrou interesse em administrar o Hospital Dom Bosco. Caso ela não prospere, ainda existe o interesse do Instituto de Cardiologia, Hospital Moinhos de Ventos e de um grande grupo gestor que Dummel prefere não citar. Ele salientou que deixará apenas a presidência, mas continuará vinculado ao hospital e estará à disposição da nova diretoria para qualquer tipo de colaboração.

Milton descartou que sua intenção de deixar a presidência tenha ocorrido por pressão política. Assegurou que deseja dar mais atenção à família e exercer com plenitude a profissão de médico cardiologista. Em uma entrevista exclusiva à Rádio Noroeste explicou os motivos de sua saída. “Agora é chegada a hora de minha saída, não em função da crise que a instituição passa, não em função das grandes dificuldades, mas em função de que já cumpri a minha missão e fiz minha parte. É uma decisão tomada pelo coletivo e não apenas pessoal.

Dummel sugeriu que a comunidade precisa lembrar que a antiga Sociedade Hospitalar Dom Bosco era uma instituição que pediu falência e, desta forma, foi criada a Abosco, com sua diretoria assumindo a administração e garantir por 16 anos o hospital funcionando. Atualmente o Dom Bosco possui 140 funcionários.

Mesmo com quatro pessoas interessadas em compor o futuro conselho, nenhum nome, até agora, é especulado para presidir a Abosco. Sem presidente, a entidade não funcionará. A responsável administrativa atual, Leila Pinto, por exemplo, não poderá assinar cheques, entre outras ações.

Reiterando estar cansado, Milton Dummel declarou: “Eu tenho 56 anos de idade e preciso pensar na minha família. Acabei deixando um pouco e lado o meu consultório e pretendo voltar a ter dedicação exclusiva aos meus pacientes. Não posso mais chegar em casa e chutar o balde, brigar com meus filhos, eu não posso mais fazer isso por problemas, por angústias, por dificuldades financeiras que o hospital passa. Estou precisando desse tempo para mim, para meus filhos, para a minha família. É uma posição tomada e irreversível, uma decisão de toda a direção do hospital que se sentiu desgastada”.

O anúncio da saída de Milton e a ausência de um substituto já geraram repercussões práticas negativas no hospital. Na segunda-feira foram pagos 50% da folha de fevereiro dos trabalhadores.

SINDISAÚDE - Lino Puhl, presidente do Sindisaúde, declarou nessa semana que a entidade está aberta a negociações relativas à ação trabalhista superior a R$ 2 milhões recentemente ganha na Justiça do Trabalho. Sobre a decisão pessoal de Dummel, preferiu não fazer comentários. “Eu cuido dos interesses dos trabalhadores”, resumiu-se a afirmar.