Fundação da Saúde registra ocorrência e interdita UTI do Hospital Dom Bosco

O presidente da Abosco, Carlos Alberto Serafini, questionou a abordagem da FUMSSAR.

Momento em que Fundação entregou o documento de interdição.
Momento em que Fundação entregou o documento de interdição.

A Fundação Municipal da Saúde, através da diretora de Atenção Primária, Alice Klein, registrou um boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia na tarde de quarta-feira, 27, com relação ao funcionamento da UTI do Hospital Dom Bosco.

No boletim, Alice afirma que durante inspeção desta UTI foi constatado que ela estava em funcionamento, com apenas uma técnica de enfermagem e sem o alvará. “Havia ainda, no local, um paciente internado desde sábado, 23. O médico que estava no hospital relatou que outro homem que estivera internado, veio a óbito”, disse.

Alice colocou que naquele momento vistoriava as melhorias no hospital. “Nós fomos indo pela lateral, para verificar a obra. Não imaginávamos encontrar pacientes lá, estávamos apenas dando uma olhada e encontramos a UTI funcionando”, afirmou.

A diretora ainda destaca que a situação é preocupante. “Nós, técnicos da Vigilância e gestores, ficamos muito preocupados com a gravidade da situação, é muito intenso. Alguém veio a óbito e isso precisa ser apurado. O local não é habilitado e adequado para esse fim, de cuidado intensivo. Nenhum paciente deveria estar lá, o espaço está em obras, como diz o cartaz na porta de entrada e com as portas fechadas. É como ele deveria estar.”

Alice ainda reiterou a responsabilidade da Vigilância e a necessidade do boletim. “Nós registramos a ocorrência e agora cabe às autoridades realizar a investigação. Como Fundação, é nossa obrigação tomar esta providência”.

Em contraponto, a vice-presidente da Abosco, Deolmira Girardi, afirmou estar surpresa com a ocorrência e destacou que a UTI não estava aberta. “O que aconteceu foi que nós usamos dois equipamentos diferentes de UTI em dois pacientes. Nós nos programamos para abrir esse espaço no dia 09 de agosto. Ontem, 27, ainda fizemos contrato com os médicos, porque sabemos que precisa haver toda uma equipe para abrir uma UTI. Temos todos os equipamentos e tudo está correto, co-mo a Vigilância nos solicitou. O que falta é apenas o alvará de funcionamento.”

Sobre o paciente que faleceu, Deolmira destacou que “ele morreu assistido e a família está tranquila com o atendimento. Nós estamos aguardando o relatório da Vigilância, porque até agora só sabemos o que foi veiculado pela imprensa. Eles não nos comunicaram nada. O paciente não era de UTI, ele foi levado apenas para utilizar o equipamento.”

O presidente da Abosco, Carlos Alberto Serafini, questionou a abordagem da FUMSSAR. “A Vigilância veio aqui e junto com ela veio a empresa de TV. Como é que fica o hospital? Isso não era questão de nos notificar? Gerar uma multa? Eles não entregaram papel nenhum, só chegaram e trouxeram os profissionais para filmar. É uma questão bem complicada! Eu não sei qual é a intenção da Fundação em relação ao hospital” declarou.

Carlos ainda explicou o uso dos aparelhos. Segundo ele “o que aconteceu aqui foi que o médico precisou utilizar um equipamento para salvar o paciente. E se ele não tivesse utilizado, poderia ser processado por negligência. O hospital tem o instrumento, e temos agora que aguardar a autorização da Fundação para usar? Nós conversamos e eles (Fundação) estavam sabendo disso aqui. Inclusive sábado, 23, abordamos este assunto na Rádio Noroeste. Nós não vamos deixar ninguém morrer, tendo um respirador, porque não podemos tirá-lo de um lugar e pôr em outro. Nós temos que ver o lado médico e humano também”, finalizou.

A Vigilância Sanitária entregou na manhã de ontem o laudo de interdição da UTI.