HomeSaúde sexta-feira, 11 de agosto de 2017 16:03

Abosco e Vida & Saúde avaliam gestão compartilhada

A base inicial do processo de discussão da proposta oficializada pelo Dom Bosco de transferir sua gestão ao Vida & Saúde está em uma auditoria feita nas contas do Dom Bosco pelo contador Luiz Klein, profundo conhecedor do setor.

O assunto se tornou de conhecimento público a partir da manhã de quarta-feira, 09, no programa apresentado por Zelindo Cancian na Rádio Noroeste. Ele reuniu no estúdio o superintendente do Frigorífico Alibem, Juscelino Gonçalves que recentemente assumiu o cargo de coordenador de um Comitê de Apoio à ABOSCO, entidade mantenedora do Hospital Dom Bosco e o empresário Elton Walker, presidente do Hospital Vida & Saúde. Também participaram da conversa o ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra (por telefone), prefeito Alcides Vicini e o presidente da Fundação Municipal de Saúde, Anderson Mantei. A abordagem foi acompanhada por Cláudio Franke, presidente do PMDB.

A base inicial do processo de discussão da proposta oficializada pelo Dom Bosco de transferir sua gestão ao Vida & Saúde está em uma auditoria feita nas contas do Dom Bosco pelo contador Luiz Klein, profundo conhecedor do setor. Os números indicam extremas dificuldades para o Dom Bosco sair sozinho da atual crise financeira, que se agravou nos últimos anos. Juscelino diz que o assunto vinha sendo “costurado” com Terra e Vicini, e mais adiante com Elton Walker. “Na semana passada, durante encontro realizado nas dependências do Frigorífico Alibem com lideranças locais, inclusive com a participação do ministro Osmar Terra através de uma videoconferência, foi formalmente posto o projeto nos seguintes termos: que os conselhos de administração dos hospitais Vida & Saúde e Dom Bosco se posicionem sobre a proposta, para sabermos se haverá apoio ou não para que o estudo continue”, informou Juscelino.

A ideia, quando é mais aprofundada, prevê a criação de um Centro Regional de Saúde envolvendo os dois hospitais. No atual estágio das conversações, ainda não foi apresentado nenhum indicativo jurídico sobre tal possibilidade, inclusive levando-se em conta a participação da Fundação, gestora dos recursos públicos da saúde. “Se for possível a consolidação deste projeto estaremos prontos para tocá-lo, mas se eventualmente não for possível nós temos plena consciência de que teremos que partir para um plano alternativo”, ampliou Juscelino.

“A gestão compartilhada criaria uma única instituição ou manteria os dois CNPJs?”, questionou Zelindo. “Tudo vai depender da continuidade do estudo”, respondeu Juscelino, mas antecipou: “preferencialmente que seja uma única instituição”. Isso sinaliza a incorporação do Dom Bosco pelo Vida & Saúde. Em nenhum momento foi citado por ele o valor da dívida do Dom Bosco, apontada na auditoria.

APOIO MUNICIPAL:

A posição do prefeito Alcides Vicini: “nada é mais significativo para comemorarmos os 86 anos de Santa Rosa, do que tal perspectiva que se apresenta envolvendo nossos dois hospitais”, numa clara declaração de apoio à ideia. “Hoje o recurso público é menor do que foi no passado”, ressaltou.

Milton Dummel, presidente da ABOS-CO, lembrou que há cerca de 12 anos foi levantada a proposta de uma fusão entre Dom Bosco e Vida & Saúde, criando-se uma única entidade hospitalar em Santa Rosa. “Nossa instituição foi contrária. O Vida & Saúde implementou um crescimento astronômico graças à gestão do grupo liderado por Anderson Mantei e nós enfrentamos dificuldades para crescer”, lembrou. “Hoje, no entanto, após a auditoria independente de Luiz Klein, chegamos a conclusão que sozinhos não iremos a lugar nenhum, até correndo o risco de lá na frente fechar as portas. Diante da possibilidade de uma gestão compartilhada ou de fusão acenada pelos entendimentos atuais, estamos entusiasmados e abertos na continuidade destes estudos”, concluiu.

Elton Walker, presidente do Vida & Saúde disse que no primeiro momento foi surpreendido pela proposta apresentada por Juscelino, “mas no segundo momento nos sentimos orgulhosos pelo trabalho que estamos fazendo. Hoje existe uma tendência do nosso conselho de administração de seguir com os estudos.” Porém, Walker foi objetivo numa observação: “primeiro precisamos analisar profundamente a situação do Hospital Dom Bosco, financeira e principalmente jurídica.”

Anderson Mantei, presidente da Fumssar manifestou expectativa de que o estudo avance em direção a um entendimento final. “Há um avanço claro de se aprofundar as reais condições da ABOSCO, para que depois as partes criem um cronograma de ações para viabilizar o projeto”, destacou. Assegurou que a Fundação é parceira e incentivadora do estudo.

APOIO FEDERAL:

O ministro Osmar Terra, falando de Brasília por telefone, apoiou publicamente o que vinha dizendo nas conversações iniciais, “que é a possibilidade de uma ação coordenada entre os dois hospitais”. E ressaltou: “até ser instalado o serviço de Hemodinâmica, a nova UTI com custeio adequado, além de outras ações, há um risco sinalizado de que o Dom Bosco possa agravar ainda mais sua situação financeira. A gestão compartilhada ajuda as duas instituições, porque ambas são voltadas à comunidade local e regional”, se posicionou.

Sérgio Mallmann, diretor da EJN, chamado a se manifestar, garantiu total apoio dos veículos da Empresa Jornalística Noroeste a um eventual projeto conjunto envolvendo as duas entidades de saúde.

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