O 13º em dia à custa de outros atrasos

Vicini garantiu o pagamento em dia.

O 13º em dia à custa  de outros atrasos

O prefeito Alcides Vicini garantiu na segunda-feira, durante entrevista à Rádio Noroeste, que os servidores que atuam na Prefeitura receberão em dia o 13º salário. E precisou a data: 20 de dezembro. Depois declarou: “Eu não tenho absoluta certeza com relação aos servidores da Fundação Municipal de Saúde. Preciso fazer um aporte de recursos que vai depender de algumas variantes que vão desde as sobras da Câmara, até o que pouparemos em novembro e dezembro. A folha da Fundação também é expressiva”.

Seguiu dizendo que não pode deixar de repassar os recursos destinados ao Hospital Vida & Saúde e lembrou que há tratativas entre a própria Fundação e o liquidante, visando a reabertura do Hospital Dom Bosco. E, de repente, na mesma entrevista, Vicini deu uma guinada na conversa e imediatamente voltou atrás: “Posso assegurar, nem que atrase outras coisas, que também pagarei em dia o 13º salário dos servidores da Fundação de Saúde”. Questionado sobre onde recairão os atrasos, citou ‘alguns prestadores de serviços’.

Mesmo adotando medidas de contenção de despesas desde 2014, o Governo Vicini interrompeu um ciclo implantado por ele próprio e que era motivo de orgulho: o recolhimento de 1/12 (um doze avos) a cada mês da folha do funcionalismo, destinada justamente para pagar o 13º com tranquilidade. A secretária de Gestão e Fazenda, Leila Piekala admitiu a interrupção do ciclo na metade deste ano. Agora, a 40 dias do pagamento do bônus salarial, a área fazendária vai ter que ver quem não receberá por serviços prestados a fim de evitar um novo confronto com a classe dos servidores (diante da hipótese admitida pelo próprio prefeito de pagar só no ano que vem o 13º para quem está vinculado à Fundação).

Alcides Vicini completará em dezembro 18 anos no cargo de prefeito de Santa Rosa. Afirma que 2018 é o pior ano enfrentado por ele na relação despesas-arrecadação. Lembrou 2001, quando assumiu seu segundo mandato com uma dívida de R$ 16 milhões. “Superamos aquela grande dificuldade, mas nada se compara à crise atual”, especificou. Admite que fechará este ano no vermelho, mesmo insistindo que está fazendo tudo o que é possível para evitar tal desfecho.

A busca de um empréstimo bancário ou de uma ARO (Antecipação de Receita Orçamentária) são alternativas inicialmente rechaçadas por Vicini, mas não totalmente descartadas. “Hoje temos em caixa bem abaixo daquilo que precisamos para saldar três folhas de pagamentos (novembro, dezembro e 13°). Se não tivermos nenhuma saída, fatalmente recorreremos a um empréstimo”, disse. Seria a primeira vez em seus 18 anos de mandato que firmaria uma operação bancária para pagar o funcionalismo.

O município tem R$ 3,5 milhões de precatórios que estão sendo empurrados desde janeiro, em decorrência do persistente desequilíbrio financeiro. O prazo vence em dezembro. É uma dívida que, pelo valor elevado, está sob mira para uma renegociação. O Governo Vicini, considerando as folhas de dezembro, novembro e o 13º, precisa levantar quase R$ 30 milhões (R$ 29,7 milhões) só para saldar o funcionalismo.