A Chapa Esquentou

Por Jairo Madril

A Câmara empossou solenemente na terça-feira o presidente Renato Schaefer (PMDB), o vice-presidente Osório Antunes dos Santos (PDT), Dado Silva (PT) e Sônia Conti
A Câmara empossou solenemente na terça-feira o presidente Renato Schaefer (PMDB), o vice-presidente Osório Antunes dos Santos (PDT), Dado Silva (PT) e Sônia Conti

O prefeito Alcides Vicini terá um ano triplamente difícil: falta de dinheiro para governar, se relacionar com uma mesa diretora da Câmara toda ela formada por vereadores da oposição e recompor sua bancada situacionista visivelmente rachada.

A Câmara empossou solenemente na terça-feira o presidente Renato Schaefer (PMDB), o vice-presidente Osório Antunes dos Santos (PDT), Dado Silva (PT) na 1ª secretaria e Sônia Conti (PCdoB) na 2ª secretaria. Na primeira entrevista à Rádio Noroeste todos deixaram claro para o que vieram: “vamos primar pela independência de poderes”. Isso significa que o Executivo interferia em questões internas do Legislativo? “Se você perguntar para o Paulinho dos Santos, o Osório Antunes e a Lires Zimmermann, os mais recentes ex-presidentes, se eles forem sinceros te dirão que existiu muita ingerência do Executivo na Câmara”, respondeu Sônia Conti sem rodeios.

Osório Antunes dos Santos manifestou-se magoado pelo fato de a Câmara ter devolvido mais de R$ 20 milhões à Prefeitura nos últimos cinco anos, sem que até agora recebesse da Secretaria do Planejamento um projeto técnico para as obras de reforma e restauração da casa legislativa. Questionado sobre tal cobrança, Vicini admitiu que prometera pessoalmente o projeto, mas desconhecia o não encaminhamento. Logo na sequência, uma fonte fidedigna informou que o projeto e todos os cálculos para eventual licitação foi entregue à Câmara no dia 10 de junho de2016. A informação esvazia a queixa de Osório.

Se Vicini realmente exerceu ingerência na Câmara nos últimos anos, é porque certamente contou com a unidade de sua bancada. A desunião, especialmente dos progressistas, só se acentuou na eleição para a Mesa Diretora em dezembro. Para repelir eventual interferência do Executivo, a oposição terá que manter-se unida. Pelo menos os novos dirigentes garantem que haverá união. A composição para comandar o Legislativo foi articulada e sustentada pelas direções de partidos. Há, inclusive, um acordo que prevê a presidência para o PT ou PCdoB em 2019 e para o PDT em 2020. Ahistória traz mais exemplos de acordos rompidos na Câmara, do que compromissos mantidos até o final. A manutenção da unidade oposicionista é outra forte missão. Ficou claro entre as siglas que o acordo só se relaciona ao comando da Câmara e não terá nenhum reflexo nas coligações das eleições municipais de 2020.

Renato Schaefer iniciou o mandato mexendo em cargos funcionais de comando. O advogado Eder Strapazzon foi exonerado da Assessoria da Jurídica, cargo de confiança da Mesa Diretora. O petista Heitor Henrique Cardoso (Tilica) deve assumir o cargo nesta sexta-feira. Joel Faccin, contador no quadro de carreira da Câmara, deixará a função de diretor geral da casa (ele acumula as duas funções desde a aposentadoria de Darci Petrazzini). O substituto de Joel ainda não é conhecido.

Paulinho dos Santos (PPS) despediu-se da presidência da Câmara acusando Nelci Dani (PP) e Dado Silva (PT) como traidores. “Cerca de dois ou três meses atrás reuni todos os vereadores para tratar do abono natalino, ou 13º salário como é chamado. Todos se manifestaram favoráveis. Depois recuaram, num ato de covardia”, criticou. Dani e Dado devolveram o 13º à tesouraria da Prefeitura. Nessa linha de raciocínio, Paulinho não incluiu Ademir Ulrich (PMDB), Sônia Conti (PCdoB) e Marta Carvalho (PT), que também devolveram o abono. “Quem é o PT para divulgar carta orientando seus vereadores a serem contra o abono, um partido que quebrou o país e promoveu centenas de atos de corrupção?”, questionou.

Sobrou até para o PP. “O prefeito Vicini veio à imprensa anunciar que ele, o vice e seus secretários não receberiam o 13º. Ele está gerando um débito que um dia o município irá pagar. É lei deste pagamento”, denunciou. O fato de cada secretário assinar um documento de renúncia do dinheiro não tem efeito legal numa ação judicial.

Também sobrou para Artur Lorentz. “Se manifestou contra o pagamento do abono natalino, mas se esqueceu que foi ele próprio que sancionou a lei que autoriza o pagamento do abono. Fez isso em 28 de dezembro de 2001”, apresentando a cópia da lei. Na época, Lorentz era vice de Vicini.

No facebook Paulinho foi taxado de quadrilheiro e ladrão, entre outros adjetivos. “O nome de todos os que me acusaram estão aqui nesta pasta e cada um responderá na Justiça”, garantindo que as ações estão a caminho. “Determinei o pagamento do abono para cumprir uma lei, caso contrário ficaria correndo o risco de ter que responder no futuro por um ato de irresponsabilidade. Saio de cabeça erguida, com os mesmos valores de honestidade que sempre me nortearam”, concluiu o seu desabafo.

A primeira sessão ordinária está prevista para o dia 05 de fevereiro. Tem tudo para manter a chapa quente ou testar a capacidade de todas as partes de se reconciliar. Também será o primeiro teste de Vicini, que volta a governar com minoria na Câmara, algo que ele prometeu para si mesmo jamais conviver de novo.