Tráfico provoca duas execuções Violentas

Caso foi destacado pelos delegados de Santa Rosa.

Tráfico provoca duas execuções  Violentas

Duas mortes em menos de uma semana, uma no sábado, 17, e outra na quinta-feira seguinte, em 22 de novembro. Uma conclusão: Ambas estão ligadas ao tráfico de drogas.

A afirmação vem dos dois delegados de Polícia que investigam os dois fatos com claros sinais de execução. Marcelo Lech, da 1ª DP, investiga a morte de André Luis dos Santos, 37 anos, conhecido como ‘Andrezinho’, assassinado com 12 tiros de revólver (10 no rosto, um no ombro e outro no tórax) na manhã do dia 17 passado, no Parque de Exposições, por dois motoqueiros. Ele também conduz as investigações da morte de Rogério Rodrigues Quaresma, 30 anos, ocorrido na madruga de quinta-feira, 22, na trilha de um matagal em frente à ponte da ERS-344, logo abaixo do trevo. Quaresma foi levou três tiros (um na mão e dois no tórax). Estes dois acontecimentos mostram sinais de execuções. As duas vítimas tinham antecedentes criminais e ligações com o tráfico de drogas.

Já o delegado regional de Polícia, Ubirajara Júnior, disse que estes crimes estão relacionados com o tráfico de entorpecentes. “São prováveis ajustes de contas entre eles (traficantes)”, acrescentou. Lembrou que 2018 já soma seis homicídios em Santa Rosa, mas ressaltou que os outros quatro tiveram autoria identificada e a motivação não descaracteriza a estatística de estarmos vivendo em uma cidade violenta. Foram casos de brigas ou desentendimentos entre pessoas, que tornaram-se fatais independente da presença ou não de forças policiais. “Posso garantir que nossa Polícia continua fazendo um bom trabalho”, argumentou.

Porém, jamais em Santa Rosa a faceta cruel e violenta do tráfico havia se mostrado em tão pequeno período de tempo e de forma tão agressiva. Foram duas execuções. E ambas servindo de recardo claro para quem comercializa drogas. Uma das mortes ocorreu no Parque de Exposições em um sábado pela manhã, onde populares de todas as idades costumam frequentar. É bem verdade que esta execução ocorreu bem cedo, quando o movimento é pequeno. A triste realidade é que o tráfico começou a matar em nossa cidade. Felizmente, por enquanto, sem fazer vítimas inocentes através de balas perdidas.

“Concordo que o homicídio ocorrido no Parque de Exposições tenha gerado maior estranheza e repulsa junto à população, por ser um local de encontro de pessoas, onde não há expectativa de algo grave e violento”, pontua o delegado Marcelo Lech. Reitera que havia gente naquele local no momento da execução. “Poucas, mas haviam”.

Andrezinho, a vítima do Parque, era detento do presídio local no regime semiaberto. Cumpria pena por tráfico de drogas. “Por tudo o que verificamos até o momento, sua morte não foi meramente um acerto de contas, mas um ajuste de contas promovido pelo tráfico de drogas internacional”, informou Marcelo. Ou seja, a ordem de matar Andrezinho partiu de outro país. “É algo mais complexo do que nossa realidade”, alertou.

No Bairro Cruzeiro foi registrado um homicídio, consequência de um desentendimento entre dois jovens usuários de tóxicos. Não foi um acerto de contas, mesmo que droga tivesse sido consumi-da. Já o homicídio registrado no início da madrugada de domingo passado, 25, foi fruto de desavenças pessoal entre o executor e a vítima. As vítimas Andre-zinho e Quaresma morreram porque tinham dívidas com o tráfico. No entanto, não há ligações uma com a outra, a não ser a droga como pano de fundo.

Estamos vivendo numa cidade que se tornou violenta, com seis homicídios contabilizados de janeiro para cá? “No meu ponto de vista não dá para se falar que tudo está plenamente tranquilo, mas queremos falar à população que não tema. Situações que são verificadas em outras cidades do tamanho de Santa Rosa são disparadamente mais elevadas. Não permitiremos que o tráfico produza homicídios em escala”, responde o delegado Tiago Tescke.

Somos uma cidade violenta? “Somos uma cidade dinâmica que possui dentro de sua movimentação normal, também ocorrência de crimes. O que vivemos hoje é uma incidência anormal para a própria realidade de Santa Rosa. A tendência é retomarmos a normalidade”, coloca o delegado Marcelo.

E a opinião de Ubirajara Junior, delegado Regional de Polícia? “Temos que ser realistas, não vivendo numa fantasia de uma ou de outra extremidade. Vivemos numa cidade tranquila, ordeira e de um povo voluntário. Nossa cidade é excelente, mas não é um paraíso. Não existe paraíso na terra. Digo isso para alertar que obviamente temos que ter cuidado. E como Polícia, estamos agindo e pronto para intervir”.

O tráfico é alimentado por quem consome. Os acertos de contas são a ponta do iceberg. Depois das execuções virão as gangues, que já sinalizam estarem instaladas e organizadas em Santa Rosa.