EXCLUSIVO: Esquema para chantagear vereador é denunciado

MP diz que Douglas Calixto, Ademar da Veiga Martins, Carlos Marino Martins, Airton Raccolto e Catiele Rolim são suspeitos de forjar fatos contra o atual secretário Rodrigo Bürkle.

EXCLUSIVO: Esquema para chantagear vereador é denunciado

O Jornal Noroeste divulgou com exclusividade que o Ministério Público Estadual, através do promotor Cível Janor Lerch Duarte, denunciou o atual vereador Douglas Calixto (PP), o ex-vereador Carlos Marino Martins (PP), o ex-diretor da prefeitura Ademar da Veiga Martins-o Dema, junto dos ex-assessores parlamentares Airton Raccolto e Catiele Rolim. Na Ação de Improbidade Administrativa os citados são suspeitos de criarem um esquema na tentativa de culpar Rodrigo Bürkle (PP), vereador eleito e atual secretário municipal, como também o prefeito Alcides Vicini, de um repasse irregular entre servidores. Em troca, os réus usariam o fato para tornar Bürkle refém de seus pedidos.

Conforme relatado pelo promotor Janor na denúncia, Douglas, Marino Martins e Dema orquestraram uma falsa denúncia. O passo inicial para a conclusão do fato partiu do depoimento prestado ao MP, pelo réu Airton que confessou ter recebido R$ 6 mil da ré, Catiele (na época assessora) para participar de uma gravação cujo teor revelaria tal acordo.  Ainda conforme o promotor, constatou-se que Dema, a pedido de Douglas Calixto, propôs a Marino e Catiele que participassem da fraude, dividindo assim as funções.

O Ministério Público salienta que Calixto e Dema montaram um texto com o teor da conversa que deveria ser gravada, colocando o nome de Vicini e de Bürkle no repasse. A gravação das falas foi feita por um detetive, que recebeu um cheque no valor de R$ 300,00, de titularidade da esposa de Douglas. O encontro também foi filmado pela filha de Marino.

Nos autos o promotor ainda apurou que o vereador Douglas, de posse do material, procurou Bürkle que havia assumido a Secretaria de Obras Urbanas, dizendo que “havia um rojão para estourar no rabo dele” envolvendo repasse de dinheiro entre os assessores. Em seu depoimento Rodrigo confirmou o fato e ainda disse que Douglas falou que poderia abafar o caso, se ganhasse um cargo em comissão na Secretaria. “Tu sabe o que tu faz com isso, tu dobra e enfia no... ou tu leva para o Ministério Público”, relatou Rodrigo, respondendo a Calixto. Ao promotor, Bürkle ainda salientou: “Porque esse rapaz eu vou dizer. Pra mim o Douglas Calixto é um bandido”. Como a proposta não foi aceita a gravação foi entregue para a imprensa e ao Ministério Público.  O investigador Marcus Antônio Paschoal também foi ouvido pelo MP e comprovou que participou das tratativas para realizar a gravação da conversa entre os demandados Airton e Catiele partiram de Dema e da assessora do vereador Douglas Calixto.

As investigações duraram 14 meses e o promotor Janor Duarte ouviu testemunhas, entre elas Ademar da Veiga-Dema, o qual afirmou que o objetivo da trama era chantagear Rodrigo, para que ele não retornasse ao cargo de vereador.

Confira um trecho do interrogatório:

  • Janor: Tá. Eles te chamaram para que no final das contas?
  • Dema: para ver sobre isso aí... para conversar...
  • Janor: Para conversar...
  • Dema: Porque, pelo que o Marino falou que parece que o Rodrigo queria tirar ele da Câmara, não sei o que,  que daí ele ia ter uma coisa para contestar com o Rodrigo.
  • Janor:  Ele queria o material para chantagear.
  • Dema: É. Primeiro ele concordou para tirar R$ 1 mil da coitada que estava trabalhando, né.

A filha de Marino, Julia Martins disse ao promotor que fez a filmagem dos assessores e o serviço ocorreu a pedido de Dema. O ex-assessor Airton Raccolto em seu depoimento confessou que participou da gravação e que recebeu R$ 6 mil para isso. Catieli teria pago uma entrada de R$ 3 mil, o restante do valor foi parcelado em três vezes e ele foi todos os meses buscar o dinheiro, até receber o combinado.

O processo tramita na 2ª Vara Cível do Foro de Santa Rosa, e está em fase de instrução, onde as partes são oficializadas. Janor defende a condenação dos cinco citados, pedindo ainda que a Justiça aplique sanções como perda da função pública e suspensão dos direitos políticos.