HomeNoroeste Entrevista sexta-feira, 8 de setembro de 2017 08:28

A gestão que colhe bons resultados

O Jornal Noroeste conversou com a diretora administrativa do Hospital Vida & Saúde.

Natural de Independência, Vanderli de Barros é filha de agricultores, que tinham como sonho dar condições de estudo e trabalho aos cinco filhos. Única mulher, saiu de casa para estudar em uma escola interna e buscar a formação desejada pelos pais. Vanderli conta que na época tinha paixão por jornalismo, mas optou em fazer letras e concluiu pós-graduação, mestrado e MBA em Gestão em Saúde.

Casada com Ivan, com quem teve Pedro, que hoje cursa medicina em Passo Fundo, ela divide sua vida entre trabalho e família. E o esforço está apresentando resultados. Hoje o Hospital Vida & Saúde ganha reconhecimento estadual pela aplicação de qualidade na gestão, algo construído com várias mãos, mas incentivado e cuidado todos os dias. É uma líder, pois entende que o trabalho em equipe é capaz de promover mudanças significativas. O bom relacionamento entre direção e colaboradores faz com que o comprometimento resulte em um ótimo serviço ofertado. Tudo isso resultou no Prêmio de Gestão Hospitalar Luiz Carlos Rocha Falchi. A premiação é realizada pela Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul.

NOROESTE: Como a gestão da saúde entrou em sua vida?

Vanderli: Meu sonho era cursar jornalismo, mas como o curso mais próximo era em Santa Maria, optei por letras. A primeira oportunidade profissional surgiu na Unimed, onde passei por todos os setores, chegando à gestão e onde permaneci por 10 anos, o que me direcionou para a área da saúde. O primeiro desafio na gestão pública surgiu em 2002, quando assumi a Secretaria de Saúde de Três de Maio, e por lá permaneci por oito anos. Neste período, com o que fazia optei em ampliar o aprendizado técnico e cursei pós-graduação, mestrado e MBA em Gestão em Saúde. Mais tarde assumi a diretoria da Fundação da Saúde e após a presidência.

NOROESTE: Qual foram as diferenças em fazer gestão privada e gestão pública?

Vanderli: As diferenças são muitas. A gestão privada era mais estruturada, equipes mais valorizadas, o desafio era menor, pois a demanda da área pública é sempre mais do que a capacidade de ofertar o serviço. Na saúde pública as dificuldades geram problemas de relacionamento com a população que necessita do serviço, e nem sempre tem acesso. Isso foi um ponto que identifiquei e continuo entendendo que precisamos uma parceria com a comunidade para que ela entenda o papel de cada área específica. Não podemos sobrecarregar as especialidades, e cada setor tem que cumprir seu papel. Precisamos ter uma consciência sobre os problemas, e isso nem sempre é possível, pois ainda há problemas sociais.

NORESTE: O conhecimento adquirido na gestão pública contribuiu na gestão do Vida & Saúde?

Vanderli: Sim, por sermos um hospital filantrópico, 65% dos atendimentos são prestados ao Sistema Único de Saúde-SUS. Na área pública tivemos desafios como reestruturar a equipe, trabalhar com projetos e captação de recursos, o que é aplicado também aqui no hospital. Na Fundação da Saúde, por exemplo, trabalhei na diretoria de planejamento. Aqui fizemos um planejamento com intuito de dar conta da demanda. Hoje a Fundação é muito diferenciada, um modelo para todo o país. O desafio principal foi trabalhar com uma equipe grande, além da relação com todos os setores e os incluir numa rede de saúde, todas as unidades são fundamentais.

Aqui no hospital precisamos ter um olhar para o primordial, para o ser humano de forma integral, identificando os problemas do paciente para conseguir ofertar um bom atendimento. Precisamos receber o paciente e devolvê-lo para a convivência familiar com orientações e sabendo do seu diagnóstico. Temos o olhar para o SUS, assim como temos convênios com planos de saúde e privados. O hospital desenvolveu a expertise para atender todos os públicos, sempre com planejamento.

NOROESTE: O tempo passou, notamos muitas melhorias no Vida & Saúde. Como você vê a sua chegada na unidade e quais os principais avanços alcançados?

Vanderli: O hospital estava passando por um processo de crescimento, reorganização da infraestrutura, padronização e construção de um processo de trabalho. Eu cheguei quando começamos a construir o plano de desenvolvimento estratégico. Junto com o Conselho de Administração, desenvolvemos um olhar com o que temos de compromisso na assistência, um olhar para o futuro, buscando ser referência estadual no atendimento, além do projeto de novas referências e o principal, ser uma entidade sustentável. Um exemplo é a instalação da UTI Neonatal, que é resultado de um compromisso. A demanda foi levantada e depois de muito trabalho hoje ela é realidade, beneficiando todo o Estado que aqui busca atendimento.

NOROESTE: A equipe de trabalho auxilia no crescimento do hospital?

Vanderli: Temos uma equipe muito comprometida, sem ela não chegaríamos onde estamos hoje e sequer poderíamos pensar no futuro. São pessoas que amam e vestem a camiseta do Vida & Saúde diariamante e isso resulta no serviço dentro da regulamentação e dos padrões exigidos, além de um olhar humano para o paciente e sua família. Isso devemos muito também para o Conselho, pois é ele que desde o início dos trabalhos defendeu esta relação. Hoje atuo apenas como facilitadora da equipe. Quando precisamos de uma força tarefa, chamamos a equipe e eles sempre são parceiros. O grande mérito de toda esta evolução com certeza se deu devido às pessoas. A equipe é comprometida em ofertar o melhor serviço. Cada dia é um dia novo e quando temos algum problema, ele chega até nós com facilidade e isso ajuda muito para que todos possam trabalhar para resolvê-lo.

NOROESTE: Como conciliar a família e o trabalho?

Vanderli: Ela é a base de tudo. Sempre tive o maior apoio referente ao meu trabalho. Acho que existe o momento de trabalho e a relação tranquila da família. Sabemos separar as coisas e sempre foi muito tranquilo.

NOROESTE: O hospital convive diariamente com famílias. A doença que atinge um integrante afeta o psicológico do grupo familiar. Qual o olhar que a entidade tem para isso?

Vanderli: Quando recebemos um paciente, normalmente ele vem motivado por um sofrimento, perda, por um sentimento, por estar perdendo a condição de saúde. O maior bem que temos é a vida e o medo de perdê-la reflete das mais variadas formas nas pessoas. Nossa equipe precisa entender o caso e saber como desenvolver o melhor atendimento para aquele paciente e qual a forma de acompanhar e amenizar o sofrimento dos familiares. A humanização dos serviços precisa acontecer em todos os setores e primamos por isso. Pois se o paciente for bem acolhido isso irá contribuir para um melhor tratamento. Pois a técnica precisamos aplicar com excelência, mas vamos além disso. O atendimento aqui é ampliado, com um olhar de respeito e acolhimento, fazendo com que as pessoas se sintam bem e quando saírem, possam levar uma boa lembrança daqui.

NOROESTE: Como o hospital vê a preparação dos colaboradores para resultar em um bom atendimento?

Vanderli: Trabalhamos com muitos treinamentos e reciclagens. Em alguns casos com apoio do serviço de psicologia do hospital. Às vezes acontecem fatos muitos tristes em determinados setores e por trabalharmos com pessoas, a equipe pode ficar abatida. Motivamos a equipe, valorizando as coisas boas e compartilhando. Conversamos com nossa equipe para que ela nos ajude a economizar, e o bom é que sempre temos um retorno esperado. Eles são intensamente comprometidos com o Vida & Saúde. Já passamos por dificuldades e as equipes se adequaram, se reorganizaram para estarem dentro das diretrizes. Temos respeito pelos profissionais e cada um é importante no setor que atua.

NOROESTE: O hospital vem realizando ações com a comunidade. Como você avalia a relação entre Vida & Saúde e a região?

Vanderli: O trabalho com a comunidade é muito importante, e nós tivemos mudanças positivas na forma de comunicação. Passamos a agir mais na comunidade e interagir com ela, fazendo ações contínuas com o intuito de mostrar a entidade e fazer com que as pessoas se sintam parte dela. A relação com as instituições de educação também vêm crescendo cada vez mais.

NOROESTE: O país passa por problemas financeiros, diminuindo os repasses principalmente para a saúde. Como vocês se adaptam com isso?

Vanderli: Nosso objetivo não é gerar lucro, mas sim manter um hospital sustentável. Os recursos federais não tiveram reajustes, mas temos um planejamento e ele deve ser seguido fielmente. Nós precisamos manter os pagamentos em dia. Nós primamos pelo controle financeiro, controlando receitas e despesas, aplicando o princípio da economicidade. Não gastamos mais do que podemos pagar.

NOROESTE: Qual o papel do hospital no desenvolvimento da região?

Vanderli: O hospital faz parte do desenvolvimento regional. Hoje somos mais de 750 colaboradores, cerca de 120 médicos, além de fornecedores e nosso pacientes. Temos a ciência da importância regional, pois a cada dia nos consolidamos como referência regional que vem de encontro ao crescimento da nossa região. Temos uma grande parceria com entidades educacionais para a formação de pessoas para atuarem na área. É uma ação de desenvolvimento integrado e nós estamos fazendo a nossa parte.

NOROESTE: No passado a região recebia poucos médicos. As novas referências contribuíram para a vinda de novos profissionais?

Vanderli: O hospital nestes últimos anos tem recebido muitos profissionais médicos e com isso conseguimos ampliar muitas referências. Não trabalhamos com corpo clínico fechado. Tendo a necessidade, os médicos têm espaço para trabalhar e sempre com condições fundamentais para fazer um bom trabalho, com aparelhos específicos. A equipe médica é parceira do Hospital e a vinda de novos profissionais é fundamental para a ampliação dos serviços. Ainda temos condições de ampliar bem mais e isso virá com a nova unidade que está em construção.

NOROESTE: Quais as referências que estão nos projetos futuros?

Vanderli: Queremos ampliar a oferta de serviços na área da oncologia e materno-infantil. Também estamos trabalhando na referência de partos e junto a isso as áreas de urgência e emergência, além das áreas cirúrgicas. Outra expectativa é na área de educação corporativa e trabalhamos para que o hospital conte com residência médica, garantindo ainda a ampliação dos treinamentos.

NOROESTE: O Hospital Dom Bosco propôs uma gestão compartilhada. Como está esta proposta?

Vanderli: É uma situação nova. Não convivemos com a realidade direta do Dom Bosco. Neste momento nossa equipe está avaliando as documentações enviadas. Posso garantir que faremos o possível para contribuir com o Dom Bosco, mas para isso não podemos colocar em risco a nossa saúde financeira. Assim que o Conselho tiver seu posicionamento a comunidade será informada. Mas neste momento não se tem uma definição.

NOROESTE: Como vocês recebem o Prêmio de Gestão Hospitalar Luiz Carlos Rocha Falchi?

Vanderli: Com muita alegria, pois isso é resultado de muito trabalho. O prêmio é de toda a equipe do hospital. Estamos todos felizes e mais comprometidos em melhorar, proporcionando a comunidade um serviço técnico e humanizado. Acolhendo, cuidando e ampliando cada dia mais.

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