HomeGeral sexta-feira, 15 de junho de 2018 10:31

Um filme de horror no Cemitério Municipal de Santa Rosa

Por Jairo Madril

Não é uma abordagem sensacionalista. É um título para chamar a atenção do leitor para o inusitado do fato. Talvez nem tão inusitado assim, dependendo do curso das investigações policiais.

O que o vereador Cláudio Schmidt (MDB) contou nesta semana, se for confirmado com investigações policiais e administrativas, é de causar frio na espinha, perplexidade e um sentimento de nojo por se tratar de um episódio ocorrido na nossa pacata Santa Rosa. E mexe forte com valores religiosos.

O episódio: um homem tinha sua mãe e um irmão sepultados numa carneira, mas por falta de condições financeiras fez um túmulo simples. Depois de ter permanecido dois anos trabalhando em Novo Hamburgo, retornou à cidade e foi visitar o túmulo, se deparou com uma carneira coberta de granito. É aí que começa a história triste, por enquanto irreparável e que virou caso de polícia.

O denunciante foi ao Cemitério Municipal localizado na Avenida Borges de Medeiros e se dirigiu ao lote 05 B da quadra 5. Ao encontrar o túmulo coberto de mármore, chamou o responsável pelo local e perguntou onde estavam os corpos da mãe e do irmão. O servidor argumentou que talvez ele estivesse confundindo a localização, e perguntou: “não será o terreno da frente?” O dito túmulo foi aberto e lá estava sepultado o corpo de uma criança. O servidor então propôs: “eu te garanto outra carneira dupla”. O denunciante, diante de tal proposta, questionou: “você me dá uma carneira nova para eu sepultar quem? Quero saber onde estão os corpos de minha mãe e de meu irmão”. O caso virou registro policial. A Polícia busca os primeiros elementos da investigação. Trata-se, num conceito inicial, de violação de túmulo.

Cláudio Schmidt elogiou o prefeito Alcides Vicini e o secretário de Infraestrutura, Rodrigo Bürkle, “por estarem dispostos a abrir a caixa preta e as negociatas que são praticadas nos dois cemitérios municipais”. Observa, porém, “que enquanto o prefeito não escalar um servidor de carreira e dar a ele a missão para resolver todas as questões, nos dois cemitérios, sempre haverá problemas”.

O vereador emedebista se mostrou impressionado com a exploração imobiliária explícita que é praticada nos dois cemitérios. Existem pessoas ligadas ao poder, alguns deles agentes públicos, que compram quatro ou oito terrenos e depois comercializam à maneira que o “mercado da morte” aciona sua demanda. Preferiu não citar nomes. “Eles existem toca ao Governo Municipal denunciá-los”.

Várias pessoas foram ao encontro de Schmidt para contar episódios que fogem a qualquer controle moral da administração pública. “Um deles é de um senhor de idade avançada que foi até o cemitério para ver a carneira perpétua que havia adquirido. Ao chegar lá foi surpreendido pelo fato de a carneira estar abrigando um túmulo ocupado”, denunciou. O dito senhor tem toda a documentação para comprovar a compra e a localização. A solução sugerida? Dar outra carneira para o idoso. Na prática, é uma sopa de contradições, ausência de controle e, principalmente, de critérios.

Na próxima semana a Câmara vota o projeto de lei de autoria de Cláudio Schmidt que propõe a extinção temporária da cobrança anual de conservação de carneiras no valor de R$ 150,00. Ele, antecipadamente, sabe que o projeto será reprovado pelo plenário por vício de origem apontado no parecer da comissão competente (vereador não pode alterar valores pecuniários, uma prerrogativa que só pode partir do Executivo).

Questionado sobre as denúncias, o prefeito Alcides Vicini confessou não ter conhecimento de tais práticas irregulares, mas garantiu: “não vou admitir, conviver e muito menos acobertar qualquer crime que atinja o cidadão e a administração pública”.

O secretário do Desenvolvimento Urbano, Rodrigo Bürkle, declarou que está investigando a denúncia de sumiço dos corpos de uma mãe e de um filho. “Estamos apurando tudo. Isso pode ser verdade, como pode ter outro desfecho. No momento oportuno vamos nos manifestar”, disse.

Rodrigo disse não temer qualquer tipo de denúncia. “Queremos, com a nova lei, regularizar todas as situações e moralizar processos de comercialização”, explicou. “Nossa pasta está à disposição das pessoas para tratar de qualquer assunto relacionado a cemitérios”, concluiu.

 

Foto: Pacheco Fotografias.
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