O dilema da prostituição: uma realidade controversa

Na Rua Buenos Aires, no centro de Santa Rosa se situada um dos principais pontos de prostituição da cidade.

O dilema da prostituição: uma realidade controversa

No mundo a fora muitas mulheres, transexuais e homens encontram na prostituição uma forma de se manterem. Outras veem o trabalho como carreira, e encaram as ruas com diversão.

Na Rua Buenos Aires, no centro de Santa Rosa se situada um dos principais pontos de prostituição da cidade. O ponto é conhecido principalmente pelo trabalho de travestis e mulheres. Maria, uma mulher de 43 anos, aceitou conversar com nossa reportagem e falou das dificuldades em estar nas ruas exposta a todos os perigos. “Comecei na prostituição quando tinha 20 anos. Era casada, meu marido me agredia e não me deixava trabalhar. Numa certa tarde, eu voltava para casa, e um carro, com um senhor de 50 anos, me ofereceu carona e foi direto, me ofereceu R$ 200,00 para eu sair com ele. Aceitei, vi que era fácil, e comecei a trabalhar com isso. Tempos depois meu marido descobriu e nos separamos”. Maria ainda salienta que desde aquele dia, passou a se prostituir, e hoje busca clientes em um hotel/bar no centro de Santa Rosa. Questionada sobre os perigos, afirmou que além de estar exposta a doenças, muitos clientes agem com desrespeito e com violência. “Infelizmente é tarde para parar, mas sonho em encontrar alguém para construir uma vida mais digna”, reiterou. Sobre os clientes, afirma que a grande maioria são idosos e casados.

NH é transexual e fez programa por mais de 10 anos, nas ruas da cidade. “Primeiro foi o fato de chegar à juventude, ser travesti. Era menino, e aos poucos comecei a me vestir como mulher. Nunca consegui trabalho e foi então que entrei para a prostituição. Depois de muito tempo consegui juntar um dinheiro e empreender. Hoje sou dona do meu negócio, e consigo me sustentar e ajudar minha família”, disse. Com programa NH comenta que chegava a ganhar mais de R$ 4 mil/mês, mas embora a renda tenha reduzido, ela se sente feliz por ter uma profissão.

Á nossa reportagem NH cita que sente falta de políticas públicas que levem acesso e oportunidade para transexuais, evitando que as mesmas precisam se prostituir para garantir sua renda. “A grande maioria das travestis que conheço se prostituem, e o principal motivo é porque elas não conseguem vagas no mercado de trabalho formal. Já passei pro isso, é muito triste. As pessoas precisam incluir, contratando em seus estabelecimentos comerciais, respeitando a orientação de cada um. Assim iremos evoluir”, disse.

Mas a prostituição não está apenas entre mulheres e travestis. Muitos homens também vêem o trabalho como forma de garantir o seu sustento. RZ, 24 anos, conta que desde os 18 anos consegue dinheiro saindo com homens mais velhos. “Minha família descobriu que eu era gay, e após uma briga com meu pai, tive que sair de casa. Fiquei morando com amigos e passei a conseguir clientes via aplicativos de internet. Hoje pago meus estudos com esse dinheiro, mas depois que me formar espero arrumar outro trabalho”, comentou.

A vida noturna é também um meio para que meninas alcancem seus sonhos. Bruna é proprietária de uma casa de noturna há 30 anos e diz que tudo que conquistou foi oriundo do estabelecimento. Ela comenta de que inicialmente pensou um bar, e mais tarde decidiu trazer mulheres e sua casa passou a ser a mais conhecida da região. “Conquistei frequentadores de bom nível social e econômico, e embora seja um local para encontros, o estabelecimento é procurado por homens e casais que queiram momentos de descontração. Eles procuram a casa para tomar uma cerveja, conversar e ouvir música. Não significa que clientes vão até lá apenas para fazer sexo”.

Jessica é administradora da casa citada, e conta que meninas vêem de todo o país. “Elas estão na prostituição para pagar os estudos, ajudar a família, e realizar sonhos, que muitas vezes seriam difíceis de seriam alcançados”. Questionada sobre o faturamento de uma mulher de programa da casa, salienta que os valores variam, mas que muitas chegam a ganhar até R$ 15 mil/mês.

Mas a profissão também apresenta riscos, não apenas para quem se prostituiu, mas para quem busca este serviço. Nossa reportagem recebeu a reclamação de um homem que estava sendo chantageado por um menino, de 25 anos, que se dizia garoto de programa. No relato, a vítima afirma que conversou com o profissional através de uma sala de bate-papo, em um site de relacionamento. O menino informou que fazia programa, e trocaram contato. Um dia foi marcado um encontro com ele, mas o jovem não apareceu. No outro dia, o garoto começou a lhe chantagear, pedindo dinheiro e afirmando que colocaria a conversa em uma rede social. Se sentindo intimidado, ele chegou a pagar R$ 500,00 ao indivíduo, e que reconheceu o jovem. O contato foi repassado à reportagem, e que após conversa marcou encontro. O garoto não apareceu, e no outro dia cobrou o valor. Após ameaça, informamos que se tratava de uma reportagem, quando tivemos nosso contato bloqueado. O jovem utilizava um perfil falso na rede social. Nossa reportagem buscou a Delegacia de Polícia, e lá fomos informados de que não é crime se prostituir, mas é ilegal tirar vantagem financeira com a prostituição de terceiros. Já sobre o caso de chantagem, a Polícia orienta a registrar ocorrência policial.

Os nomes citados na reportagem foram alterados, garantindo assim o respeito à imagem das fontes que se comprometeram a colaborar, relatando suas experiências. Na próxima semana o Jornal Noroeste abordará a prostituição infantil, um sério problema enfrentado em nosso país.