Médicas cubanas querem ficar aqui, “por questão financeira”

As médicas atuaram no Brasil durante dois anos, são amigas e depois do decreto que cancelou o convênio do Mais Médicos voltaram para o país de origem, um mês depois decidiram voltar ao Brasil apenas por questões econômicas.

Katia Bessabeu Montes, que trabalhou em Porto Mauá, e Faniet Mesa, que atuou no Pará. São amigas e atualmente moram juntas em Porto Mauá.
Katia Bessabeu Montes, que trabalhou em Porto Mauá, e Faniet Mesa, que atuou no Pará. São amigas e atualmente moram juntas em Porto Mauá.

O jornalista Jardel Hillesheim recebeu na redação do Jornal Noroeste duas médicas cubanas que atuaram no Brasil durante dois anos. Katia Bessabeu Montes, que trabalhou em Porto Mauá, e Faniet Mesa, que atuou no Pará, são amigas e depois do decreto que cancelou o convênio do Mais Médicos entre o Brasil e Cuba retornaram para o país de origem. Um mês depois decidiram buscar oportunidade novamente em solo brasileiro.

Hoje as duas seguem residindo em Porto Mauá, onde sobrevivem de recursos que conseguiram juntar durante o período que atuaram como médicas. “Nos apresentamos em Cuba após o termino do contrato e decidimos voltar ao Brasil. Aqui aguardamos o Governo lançar o revalida, para continuarmos atuando na medicina. Enquanto isso buscamos trabalho, de preferência na área da saúde, mas não podemos atuar como médicos, embora sejamos formadas”, afirmou Katia.

Questionada sobre a motivação que as fizeram voltar ao Brasil, as cubanas salientaram que é exclusivamente por questões econômicas. “Aqui ganhamos mais e conseguimos além, de auxiliar nossa família de lá, garantir um futuro”, disse Faniet. Ainda perguntada sobre a diferença entre o Brasil e Cuba, Katia afirmou que é bastante diferente. “Lá por exemplo todos estudam nas mesmas escolas, têm a formação, o mesmo atendimento médico em hospitais, e as mesmas condições econômicas, com raras exceções. Lá ninguém passa fome, como aqui”, disse. Na questão do ensino, Faniet ressalta que todas as escolas são públicas, com a mesma qualidade, e todos estudam nela. “A preparação é a mesma, e todos podem escolher a profissão que querem seguir, aí vai depender da dedicação de cada um. A universidade é toda pública, ninguém paga nada. Claro, temos uma prova para entrar nos cursos, mas é gratuito. Fiz toda a minha faculdade de graça, o Governo garante tudo. A diferença é que o salário é o mesmo que outras profissões, por isso preferimos vir para cá juntar”, salientou.

Sobre as questões políticas de voltar ao Brasil, ambas afirmaram que não tiveram nenhum problema. “Apenas informamos que queríamos retornar, e aqui estamos. Regularizamos nossa situação no Brasil, temos documentação regular, agora buscamos trabalho aqui”, salientou Faniet.

Ainda sobre a política de governo cubano, as profissionais enfatizaram que o país é diferente. “Diferente do capitalismo, que é desigual, lá nos temos um regime que nos garante muito benefícios, principalmente nas questões sociais. Lá somos todos iguais”, reiterou Katia.