Henrique Franke treina para escalar as 14 montanhas mais altas

O engenheiro ambiental Henrique Franke lançou em dezembro de 2018 seu novo projeto, CATORZE 8000+. A ideia consiste em escalar as quatorze montanhas mais altas do mundo.

Henrique Franke treina para escalar as 14 montanhas mais altas

O versusEuMesmo, do engenheiro ambiental Henrique Franke lançou em dezembro de 2018 seu novo projeto, CATORZE 8000+. A ideia consiste em escalar as quatorze montanhas mais altas do mundo, as quatorze montanhas com mais de 8000 msnm (metros sobre o nível do mar). Estas montanhas localizam-se todas nas cordilheiras do Himalaya e do Karakoram, englobando os seguintes países: China, Índia, Nepal e Paquistão. Entre elas está o Everest (8.848 msnm), a mais alta do mundo e já escalada, mas também as montanhas consideradas mais difíceis, como o K2 (8.611msnm), e as mais perigosas do mundo, como o Annapurna (8.091 msnm).

Este é um projeto que até hoje só foi realizado por 39 pessoas no mundo inteiro, e ainda inédito entre brasileiros. Na verdade, apenas um sul-americano já o completou.

Atualmente o Henrique encontra-se em fase de preparação física e de captação de investimentos para a próxima montanha do projeto, o Manaslu. O Manaslu é a oitava montanha mais alta do mundo, com 8.163 metros de altitude, e localiza-se no Nepal. Se tudo correr conforme o planejado ele embarcará para esta aventura em meados de setembro deste ano.

 Dando início ao treinamento, Henrique e seu irmão viajaram até Mendoza na Argentina, em dezembro. Lá encontrou-se com seus companheiros de expedição antes de iniciar a subida do Cerro Plata (5.943 msnm), uma montanha que já tentou subir no início de 2018 e por motivos de mau tempo precisou retornar antes de chegar ao seu cume. Além disso, após o Cerro Plata, já aclimatado, ele se aventurará ao Cerro Mercedário (6.770 msnm), a quarta montanha mais alta das Américas.

Henrique conta que andou de carro por dois dias,  2.000km rodados, chegando a Mendoza, capital da província de mesmo nome, e base do andinismo na região. “Tendo um grande ano para celebrar, passamos as festas aí, e aproveitamos a “ressaca” do dia 1/jan para visitar o Parque Provincial Aconcágua, de onde partem as expedições que pretendem chegar ao ponto mais alto das Américas, o mesmo que fizemos em jan/2017”, destacou. Na volta do parque Franke encontrou com Allyson, Clodoaldo e Fernanda, que seriam meus companheiros de escalada no Cordón del Plata e Mercedário, enquanto os demais seguiram suas vidas, para o Chile ou para o Brasil.

No dia 02 de janeiro eles fizeram as últimas compras e aluguéis de equipamentos, e seguiram viagem para a região do Cordón del Plata, onde objetivam subir duas montanhas. “Os primeiros dias foram de aclimatação na parte baixa do parque, com ascensões esporádicas a altitudes mais elevadas, enquanto adotamos como base o acampamento de La Veguita Superior, 3200msnm (metros sobre o nível do mar). Durante esse período ascendemos 2 montanhas menores, mas um tanto difíceis, que tiveram papel importante em nossa adaptação à altitude e ao ar rarefeito, os Cerros Adolfo Calle e Stephanek, 4200 e 4100msnm respectivamente”, comentou.

Então o grupo estabeleceu novo acampamento, dessa vez no local conhecido como Salto del Água, a 4200msnm. Este seria o último local de acampamento nesta expedição, e de onde atacaríamos os cumes almejados. “O primeiro dia neste local foi de atividades de aclimatação. O tempo não ajudava, todos montanhistas que tentavam cume retornavam sem sucesso devido ao vento excessivo nas altitudes maiores. No segundo dia o vento foi tanto que praticamente não dormíamos, a impressão era que nossas barracas iriam romper a qualquer momento. E essa impressão não foi à toa: por estarmos utilizando barracas de primeira linha, e ter tido especial cuidado ao montá-las passamos a noite sem problemas, mas mais de 10 barracas de montanhistas que estavam no mesmo local se romperam, obrigando os mesmos a abandonar seus planos e descender”, relatou.

O grupo aguardou pacientemente a melhora na previsão do tempo, que indicava um dia perfeito para tentar um cume, na quinta-feira, dia 10 de janeiro. “Nos preparamos à noite, dormimos cedo, e planejávamos sair as 3h da manhã. Mas a previsão não se confirmou e novamente tivemos uma noite de muito vento, que só deu trégua a partir das 6h. Acordamos impressionados, mas com essa interrupção teríamos nossa chance, e três de nós partimos rumo ao cume do Cerro Vallecitos. Após 3h de escalada aproximadamente o Clodoaldo se sentiu mal e decidiu retornar, restando a mim e Fernanda a tentativa. Ao chegarmos ao “colo” da montanha, o vento, e consequentemente o frio, se intensificaram muito, mas decidimos continuar e às 13h do dia 10 estávamos à 5.450msnm, cume do Cerro Vallecitos. Chegamos de volta ao acampamento por volta das 16h do mesmo dia”.

Apesar do cansaço, Franke e seu irmão aproveitaram nova indicação de bom tempo para o dia seguinte, decidiram tentar a segunda montanha prevista, à despeito dos outros, que alegando cansaço decidiriam que não iriam. Dessa vez a previsão se confirmou e, após ter acordado às 2h30min da manhã, às 4h estavam iniciando a escalada do Cerro Plata. “Cumpri o primeiro trecho em apenas 2h, o que me possibilitou ver um incrível nascer do sol, que tanto quanto é belo, proporcionou também um incrível aquecimento com seus raios solares. E após um total de 8h de escalada estava novamente em um cume, dessa vez a 5.950msnm, o cume do Cerro Plata. Retornei ao acampamento em 3h, e após breve descanso, desmontamos acampamento e retornamos ao refúgio, onde tivemos uma confortável noite de descanso e celebração antes de retornar a cidade de Mendoza”.

Um dia de descanso e compras para reposição de mantimentos em Mendoza, e domingo, 13 de janeiro, seguiram viagem a Barreal, um pequeno povoado à 90km de Mendoza, e base para a escalada do Mercedário. Henrique e seu irmão dormiram no povoado, e no dia seguinte iniciaram a segunda expedição, dessa vez entre três integrantes. Após mais de 2h de estrada, estacionamos a 3.200msnm e iniciamos nossa caminhada. A previsão do tempo indicava um janela de bom tempo em 4 ou 5 dias, e para estarem aptos a tentar o cume nesse período precisaríam subir relativamente rápido, sem fazer porteios, ou seja, andando pesados (35kg cada um) todos os dias. “No segundo dia nos perdemos, e com isso precisamos retornar e utilizar do mesmo acampamento do primeiro dia, atrasando em um dia nosso cronograma, o que acabou sendo grave”, comentou.

Já com a rota correta, no quarto dia chegam ao acampamento “Pirca del Índio”, 5.200msnm onde chegaram exaustos, tanto que um dos integrantes passou mal, e portanto decidiu desistir da tentativa de cume. Na sexta, dia 18 de janeiro, Henrique e Fernanda subiram ao acampamento La Hoyada, 5700msnm, o último antes do cume.

Este acampamento, devido a altitude e frio, não possui água líquida disponível, portanto a atividade do restante do dia foi coletar e derreter neve, para ter água em quantidade suficiente para a hidratação ao longo do dia e no dia seguinte durante a tentativa de cume. “O tempo estava ótimo, até as 23h, quando iniciou o vento, que aos pouco tornou-se em um tormenta, que por fim, às 4h da manhã, horário de saída previsto, nos obrigou a, em nome da segurança, desistir, dessa vez, de chegar ao cume do Cerro Mercedário, 6.770msnm, o quarto mais alto das Américas”, encerrou.

Henrique Franke treina para escalar as 14 montanhas mais altas
Henrique Franke treina para escalar as 14 montanhas mais altas