Desafio é acolher adolescentes

O intuito é buscar lares voluntários que recebam crianças e adolescentes que foram retirados de seus lares para que possam conviver temporariamente em um ambiente familiar saudável.

Segundo a secretária de Desenvolvimento Social, Ivete Correa, as famílias inscritas estão no perfil e buscam crianças e bebês, e as maiores acabam sendo encaminhadas aos abrigos.
Segundo a secretária de Desenvolvimento Social, Ivete Correa, as famílias inscritas estão no perfil e buscam crianças e bebês, e as maiores acabam sendo encaminhadas aos abrigos.

O Projeto Família Acolhedora é realidade em Santa Rosa e já acolheu oito crianças. O intuito é buscar lares voluntários que recebam crianças e adolescentes que foram retirados de seus lares para que possam conviver temporariamente em um ambiente familiar saudável. Mas a dificuldade atual está principalmente em acolher adolescentes.

Segundo a secretária de Desenvolvimento Social, Ivete Correa, as famílias inscritas estão no perfil e buscam crianças e bebês, e as maiores acabam sendo encaminhadas aos abrigos. “Nossa maior dificuldade é encontrar acolhimento para adolescentes. As famílias inscritas dificilmente demonstram interesse em crianças acima de sete anos, ficando o desafio suprir esta demanda”, afirmou.

Atualmente a secretaria está com 24 menores acolhidos, destes oito estão em famílias provisórias, mas a demanda aumenta todos os dias. “Nesta semana, por exemplo, tivemos que acompanhar um caso de dois bebês, que estavam sendo negligenciados pelos pais. Nós somos comunicados e junto com o Ministério Público acompanhamos, em casos extremos as crianças são retiradas dos lares e lavadas para abrigos”, disse.

Sobre o projeto, Ivete conta que anteriormente as crianças que eram retiradas pela Justiça de suas famílias passavam a ser atendidas em abrigos, como o Patronato e o Lar da Menina. Lá ficavam até que o juiz decidisse se as mesmas voltariam para suas casas de origem ou entrariam para o sistema de adoção. “Este processo demorava anos até ter um desfecho e com isso os atendidos recebiam toda a estrutura possível, mas faltava o convívio de um grupo familiar”. Agora, a ideia é garantir que as crianças convivam em família, recebam afeto, educação e cuidados especiais, enquanto o seu processo tramita.

Conforme o Desenvolvimento Social, entre os principais motivos para a retirada do convívio familiar está a negligência dos pais. Isso se dá quando eles não conseguem prover cuidados básicos, como higiene, alimentação, saúde e educação. Casos mais extremos também estão na lista, como violência física e sexual. “A condição social não interfere nisso, pois se a família não tem condição de garantir alimento, vestuário, escola, a assistência auxilia. O que acontece é que em todos os casos acontecem negligência, de uma ou de outra forma.

Famílias são preparadas para acolher

Qualquer família pode se inscrever para receber crianças. Casais gays, heterossexuais, ou até mesmo pessoas solteiras, que tenham, interesse no projeto podem procurar a Secretaria e preencher o cadastro. Ivete explica que após ser destacado o interesse os inscritos passarão por um processo de preparação e avaliação, para verem se encaixam no programa.

“Nossa equipe da Secretaria, junto com o Ministério Público realiza formações para as famílias acolhedoras, orientando, acompanhando e fiscalizando. Se necessário ainda garantimos uma ajuda de custo para que as necessidades do menor sejam atendidas”, disse.

Ivete reitera que trata-se de um acolhimento provisório, de dois anos, podendo se estender para mais dois, mas as famílias precisam estar cientes disso. O jornal Noroeste conversou com uma mulher, que junto com seu esposo acolheu um menor. Ela destacou o quanto a ação contribuiu para a vida pessoal. “Olha, é algo inexplicável, pois eles estão carentes de atenção e carinho, e hoje fazem parte da família. Claro, precisamos entender que um dia eles ou voltarão para a casa ou irão para a adoção, mas nos continuaremos acompanhado como padrinhos, e amando muito”.