Corte de 50% levará a fechamento de pequenas unidades do SESC

O Ministro da Economia, Paulo Guedes na sua linha de raciocínio de desonerar custos das empresas, anunciou cortes entre 30% e 50% para o Sistema S. Edson Flores de Campos está há 10 anos à frente do Sesc local

Corte de 50% levará a fechamento de pequenas unidades do SESC

O Ministro da Economia, Paulo Guedes na sua linha de raciocínio de desonerar custos das empresas, anunciou cortes entre 30% e 50% para o Sistema S. Edson Flores de Campos está há 10 anos à frente do Sesc local e não se intimida diante do anúncio, mas não em percentuais drásticos. A origem dos recursos é de grandes empresas do comércio, que descontam 1,5% sobre suas folhas de pagamento. O dinheiro é recolhido junto à Receita Federal, que repassa diretamente para as federações que o administram. São recursos, inclusive, que nem constam no orçamento da União.

Em 2008, quando assumiu a gerência, para cada R$ 100,00 aplicados no Sesc de Santa Rosa, Edson lembra que 80% tinha origem no recolhimento compulsório das empresas. Passados 10 anos, 60% vêm do compulsório e 40% são recursos gerados pela própria instituição no plano local e regional. Se o corte for de 30%, os serviços gratuitos sofrerão um forte impacto. Porém, se chegar a 50%, ele projeta o fechamento de unidades pequenas. “Em Santa Rosa não teríamos condições de proporcionar o que fazemos hoje com tamanha redução”, antecipa. Mas, unidades do Sesc e Senac mantidas hoje em Três de Maio e Três Passos também sucumbiriam.

Atualmente o Sesc local atende na região 11 mil crianças através do Programa Sorrindo para o Futuro, entregando em 15 cidades escovas de dente, creme dental e fio dental. “Com 50% de corte, isso para”, disse. O programa Mesa Brasil transfere alimentos para 12 instituições assistenciais de Santa Rosa. “Também para”, cita. O Sesquinho deixaria de ser gratuito para comerciários com renda familiar de até três salários mínimos. Os subsídios para projetos culturais seriam reduzidos, provocando impactos incalculáveis.

A unidade conta atualmente com 25 funcionários efetivos. “Não falamos em desligamentos, porque não sabemos a profundidade do corte anunciado pelo governo federal. Precisamos aguardar a definição, para daí sim, decidirmos o que fazer”, observou.

Edson manifesta ansiedade e aflição diante do que sai na mídia e o que exatamente a comunidade local entende do que é o sistema hoje. “Por exemplo, 80% das empresas comerciais de Santa Rosa são de pequeno porte. Elas não contribuem com o recolhimento compulsório de 1,5% de suas folhas. Então, quando se fala em desonerar as empresas, nas pequenas continuará como está. Porém, quem utiliza os serviços do Sesc são justamente os funcionários das empresas pequenas”, explicou. O dinheiro que vem é aplicado em serviços gratuitos.

A vantagem de Santa Rosa é o fato de a unidade ser mais estruturada e em condições de gerar mais recursos próprios através da prestação de serviços. Em 2018 o Sesc investiu R$ 280 mil em atividades culturais e mais R$ 235 mil em esportes na região. “Eu pergunto: O governo retribuiria esse vácuo de investimento em cultura e esportes?”, questiona Edson.