Polo metal mecânico mostra sinais de reação

Em 2013 o setor empregava cerca de 4 mil trabalhadores. Hoje são em torno de 2,5 mil.

Para 2019, Irálcio Amorim, que atua no setor há mais de 25 anos, diz que a expectativa é de um crescimento mais acentuado.
Para 2019, Irálcio Amorim, que atua no setor há mais de 25 anos, diz que a expectativa é de um crescimento mais acentuado.

A avaliação do setor foi feita nesta semana por Irálcio Amorin, que atua no setor há mais de 25 anos, integrante do grupo pioneiro da parceria com a então Maxion e hoje AGCO do Brasil. Começou concordando que é um setor sempre a mercê de sazonalidades, mas alertou que jamais se conviveu com uma crise tão intensa e duradoura como a atual. “As dificuldades começaram em 2014 e permanecem até agora, mesmo que os números apontem pequenos índices de recuperações. Mas, se compararmos com a produção de 2013, ainda estamos e iremos correr muito atrás”, observou.

Em 2013, por exemplo, o setor empregava  cerca de 4 mil trabalhadores. Hoje são em torno de 2,5 mil. A produção de fábrica e o faturamento são correspondentes, segundo Irálcio. Disse que a crise foi mais aguda em 2015 e 2016. “A partir de 2017 foram registradas pequenas retomadas, o que se manteve em 2018”, analisou. 

O polo metal mecânico de Santa Rosa só não quebrou porque apesar da crise, na avaliação de Irálcio Amorim, o que manteve o Brasil em pé foi justamente o agronegócio. “Não diria que o setor contratou em 2018, mas repôs algumas vagas perdidas em anos anteriores, numa média de cerca de 10%”, disse.

Se 2013 foi um ano bom para o setor, 2014 apresentou uma queda de produção entre 10% e 15%. O agravamento foi a soma de 2015 e 2016 que cortou pela metade os índices de produção, caindo para 50% em relação a 2013. Foi um período ruim que refletiu na capitalização das indústrias, faturamento e número de empregos. “Só não houve mais desemprego porque o setor mantém trabalhadores de alta qualificação até o último esforço, para não correr o risco de não encontrá-lo diante de uma sempre esperada retomada de produção”, explicou. O polo fecha 2018 com uma perda de 30% com relação ao ano de referência (2013), quando o cenário era positivo.

Para 2019, Irálcio Amorim diz que a expectativa é de um crescimento mais acentuado. E justifica: “Historicamente uma máquina agrícola tem vida útil de aproximadamente cinco anos, quando já deve ser renovada. É claro que tem uma vida útil de trabalho de até 10 anos, só que com os devidos reparos. Então, quem comprou uma máquina em 2013, lá se vão cinco anos, já está na hora de renová-la”.

Há dois caminhos de esforços concentrados expressivos a serem percorridos nos próximos anos pelas indústrias sistemistas de Santa Rosa. “Responder pelas novas demandas de produção que esperamos ocorrer e ainda atender os investimentos para incorporamos as novas tecnologias que sempre estão chegando. Isso custa muito dinheiro”, concluiu Irálcio Amorim.