Que se faça justiça

Presidente da AJURIS, Vera Lúcia Deboni, destaca os números da Justiça de 2018.

Que se faça justiça
  • Vera Lúcia Deboni  |  Presidente da AJURIS

Merece reflexão os números destacados pelo presidente do Tribunal de Justiça do RS, Carlos Eduardo Duro, durante a sessão de abertura do Ano Judiciário 2019. Eles fazem parte do relatório Justiça em Números 2018, do Conselho Nacional de Justiça.

O relatório mostra que no ano passado a Justiça gaúcha foi novamente a única a atingir 100% no Índice de Produtividade Comparada da Justiça (IPC-JUS), que mede a produtividade do trabalho do Poder Judiciário, entre os grandes tribunais brasileiros. Desempenho que não é ocasional. Há uma década a Justiça gaúcha lidera o ranking nacional.

Em contrapartida, o presidente destacou, e é sentido por cada magistrado, que os resultados foram obtidos com o empenho de apenas 75% do que deveria ser a força de trabalho integral do Judiciário gaúcho, visto que hoje estão abertos 193 cargos de magistrados e 2.269 vagas de servidores.

A reflexão que proponho é a de que as duas situações são vividas por uma mesma magistratura: a magistratura gaúcha.

A magistratura que há dez anos lidera o ranking nacional de desempenho, mesmo sendo a mais mal remunerada do país, recebendo vencimentos que, em alguns casos, são a metade do que ganham colegas de outros estados. A magistratura que vira alvo de críticas quando busca, por meios legais, a recomposição de seus vencimentos depois de estar há quatro anos com salários congelados.

A magistratura que é duramente atacada quando conquista qualquer verba que a quase totalidade dos profissionais em diversos ramos de atividade recebe e é taxada como privilégio de uma classe que ignora as mazelas do brasileiro. Ora, se é uma coisa que entendemos é das mazelas dos brasileiros. São elas a matéria-prima que ocupam nossas mesas de trabalho e que nos fazem atuar pela harmonia social.

A reflexão que peço em cima da frieza dos números é simples: é justo atacar quem prova, ano a ano, o quanto se empenha na realização de suas atividades? O que a magistratura gaúcha pede é um reconhecimento pela sua dedicação. Afinal de contas, a história nos ensina que todos nós precisamos aprender a conviver com críticas, mas nunca a aceitar injustiças.