Evolução das lavouras de grãos de verão segue de maneira distinta no Estado

O levantamento tende a confirmar as observações, já reportadas por técnicos desde final de dezembro, de que a estiagem poderia trazer impactos negativos às produtividades das culturas em andamento, principalmente de milho e soja nas regiões Sul e Cam

Evolução das lavouras de grãos de verão segue de maneira distinta no Estado

A evolução das lavouras de grãos de verão segue de maneira distinta, dependendo da região analisada. De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado nesta quinta-feira (1º/03), ao contrário do ocorrido nos últimos cinco anos - quando o Estado foi beneficiado por condições meteorológicas favoráveis de Sul a Norte, que proporcionaram ambiente propício para o pleno desenvolvimento das lavouras - nesta safra, o clima não foi de todo benéfico, principalmente para a região Sul e parte da Campanha (especialmente para os municípios do Leste dessa região).

É o que tem demonstrado a análise preliminar do levantamento realizado pela Gerência de Planejamento da Instituição, na segunda quinzena de fevereiro, sobre as condições das lavouras de verão. O resultado será divulgado na próxima terça-feira (06/03), às 8h, no já tradicional Café com Leite para a Imprensa, na Casa da Família Rural, do espaço da Emater/RS-Ascar, durante a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.

O levantamento tende a confirmar as observações, já reportadas por técnicos desde final de dezembro, de que a estiagem poderia trazer impactos negativos às produtividades das culturas em andamento, principalmente de milho e soja nas regiões Sul e Campanha. Nessas regiões, apesar do registro de chuvas durante o período em questão, estas foram insuficientes, tanto em volume quanto em abrangência, criando cenários distintos para a cultura, muitas vezes dentro de um mesmo município. Isso tem dificultado avaliações mais precisas quanto ao real potencial produtivo das lavouras e, por consequência, quanto à definição dos rendimentos médios municipais dessas regiões.

Já na parte Norte do Estado a situação é bem diferente. As lavouras apresentam um padrão mais uniforme, denotando que, à exceção de um ou outro caso específico, as produtividades deverão confirmar as estimativas iniciais e, em alguns casos, superá-las. O que parece certo é que atual safra não repetirá a excelente produção obtida ano passado, mas tampouco será um desastre total.

Grãos

Soja - Com a manutenção da umidade no solo nas áreas ao Norte, a cultura segue apresentando bom potencial produtivo. Todavia, a umidade verificada não tem sido suficiente para algumas áreas onde o solo é mais raso e de baixa fertilidade. Nessas lavouras, o porte das plantas é visivelmente menor, assim como o potencial produtivo. De maneira geral, nessa parte do Estado, o maior percentual da cultura (74%) encontra-se em estádio de enchimento de grãos com bom potencial produtivo, assim como o é para os 5% que se encaminham para o ponto de colheita. Estima-se que 1% do total da área desta safra já foi colhida; esse percentual é o esperado para o período.

Milho - A colheita do milho teve impulso com o tempo seco, chegando a 40% em nível estadual. Até o momento, a cultura tem mantido boas produtividades, uma vez que a área já colhida se concentra basicamente na parte Norte do Estado, onde as condições meteorológicas têm sido bem mais favoráveis. Situação contrária é registrada no Sul do Estado, onde a cultura enfrenta dificuldades. Com a falta de água para as plantas e na impossibilidade de conseguir colher o suficiente para empatar o valor empregado, alguns produtores optam por ceifar a lavoura e transformá-la em silagem. Mesmo assim, dadas as circunstâncias, a qualidade deixa a desejar.